Covid-19: FMI diz que investimento público é “urgentemente necessário”

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou hoje que o investimento público é “urgentemente necessário” para controlar a pandemia de covid-19, podendo também criar “milhões” de empregos.

Covid-19: FMI diz que investimento público é

Covid-19: FMI diz que investimento público é “urgentemente necessário”

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou hoje que o investimento público é “urgentemente necessário” para controlar a pandemia de covid-19, podendo também criar “milhões” de empregos.

“O investimento público é urgentemente necessário em setores críticos para controlar a pandemia – em particular os cuidados de saúde, escolas, infraestruturas digitais, edifícios seguros e transportes seguros”, pode ler-se nas conclusões do capítulo II do Monitor Orçamental do FMI, hoje divulgado.

O documento, intitulado “Investimento Público para a Recuperação”, indica que esse tipo de investimento “é um elemento potencialmente poderoso para qualquer pacote de estímulos” à recuperação económica.

“Criaria milhões de empregos diretos no curto prazo e poderia também criar muitos empregos adicionais indiretamente no longo prazo”, segundo o documento elaborado pela divisão de assuntos orçamentais do FMI, liderada pelo antigo ministro das Finanças português Vítor Gaspar.

O FMI assegura que “o investimento ‘verde’ também pode criar empregos”, e nas economias avançadas “a intensidade do trabalho parece ser maior para o investimento ‘verde’ que no investimento tradicional”.

No emprego em geral, o investimento público, a instituição liderada por Kristalina Georgieva apresenta números indicando que “em períodos de incerteza, o emprego aumenta entre 0,9% e 1,5% em dois anos em resposta a um choque de investimento público de 1% do PIB [Produto Interno Bruto]”.

Ressalvando que as circunstâncias da pandemia “tornam difícil antecipar o tamanho do multiplicador orçamental que resultaria de tal investimento”, o FMI crê ser “razoável esperar que nas economias avançadas [como Portugal] e várias economias emergentes, o multiplicador será maior que em tempos normais, bem acima de 1,0”.

Para tal, a instituição sediada em Washington aponta como necessário que “os projetos escolhidos sejam de boa qualidade, porque os recursos estão inativos, as taxas de juro estão estagnadas no limite inferior efetivo, e os pacotes orçamentais podem aumentar a confiança na recuperação”.

“Para ser atempado e eficiente, qualquer aumento de escala nos investimentos tem de cumprir várias condições. Primeiro, deve ser dada prioridade a gastos na manutenção e a projetos existentes, porque desenhar projetos novos ou complexos demasiado rápido irá impedir a qualidade do investimento”, considera o FMI.

Depois, em segundo lugar, “os governos devem identificar uma conduta de projetos que podem cuidadosamente avaliados e prontos para implementar nos próximos 24 meses”, sendo que um conjunto de projetos “com um horizonte mais largo também é necessário para projetos mais complexos que irão abordar transformações estruturais associadas à pandemia”, como aumento da resiliência e alterações climáticas.

Uma outra análise do FMI, ao nível da resposta das empresas, indica que “o investimento público ao nível da saúde e outros serviços sociais está associado a aumentos significativos no investimento privado, no horizonte de um ano”.

“Em terceiro lugar, os procedimentos para a seleção e adjudicação de projetos de investimento público devem ser fortalecidos imediatamente. O resultado dos projetos é frequentemente mais desapontante, e os multiplicadores orçamentais são menores, em países com fracas práticas de gestão de investimento público”, adverte o FMI.

Os aumentos rápidos no investimento público “transportam o risco de facilitar a corrupção”, alerta o FMI, considerando que os processos de seleção e adjudicação dos projetos “já são particularmente vulneráveis” a esse fenómeno, pelo que defende o aumento da transparência.

Quanto aos perigos associados à rapidez dos projetos, o FMI apresenta evidência de que, no passado, “tiveram menos sucesso na prossecução dos seus fins”, advertindo ainda que “implementar vários novos projetos ao mesmo tempo requer uma série variada de recursos técnicos e de gestão que não podem ser expandidos no curto prazo”.

JE // ZO

By Impala News / Lusa

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