Covid-19: Economista guineense pede reforço da coesão social em Estados frágeis

O economista guineense Paulo Gomes afirmou hoje que “é ainda cedo” para determinar o impacto social da pandemia de covid-19 em Estados frágeis, alertando para a necessidade do reforço da coesão social nestes países.

Covid-19: Economista guineense pede reforço da coesão social em Estados frágeis

Covid-19: Economista guineense pede reforço da coesão social em Estados frágeis

O economista guineense Paulo Gomes afirmou hoje que “é ainda cedo” para determinar o impacto social da pandemia de covid-19 em Estados frágeis, alertando para a necessidade do reforço da coesão social nestes países.

“Em termos sociais, penso que é ainda cedo para podermos determinar o impacto”, afirmou o economista guineense, que acrescentou que a sua maior preocupação é o “aspeto social, porque a economia foi posta num estado de coma”.

Paulo Gomes, copresidente do AfroChampions e presidente da Orango Investment Corporation, estabeleceu uma relação entre os efeitos da pandemia no sistema imunitário humano e dos Estados.

“Um vírus entra no corpo humano quando o sistema imunitário está extremamente debilitado e fraco. É a mesma coisa em relação ao sistema imunitário do Estado. Um Estado com desempenho muito fraco, com um sistema de governação extremamente fraco. E esse vírus veio num momento em que as coisas estavam a mudar para vários países”, lamentou.

O economista falou no painel “Impactos económicos da pandemia nos países frágeis”, inserido na 2.ª Conferência sobre Fragilidade dos Estados, organizada pelo Clube de Lisboa e pelo Grupo G7+, que reúne países considerados frágeis.

Paulo Gomes afirmou que ainda não se sabe como recuperar dos efeitos a nível económico nem a nível social, que é “ainda mais grave”.

“O que caracteriza os Estados frágeis é aquela falta de atenção social, aquela falta de harmonia social”, apontou.

Nesse sentido, Paulo Gomes observou que o sistema internacional “não está a responder de uma forma proporcional ao que é preciso para África”, apontando que em África o estímulo económico foi “só 2%”.

“Eu penso que há uma oportunidade aqui para se abordar a questão dos Estados frágeis, para os ajudar não só na parte económica (…), mas ver a nível social que injeção se pode fazer aqui para ajudar esses países a acalmar essa tensão que pode surgir de um momento para o outro devido à frustração que se sentiu durante todo um ano e meio por causa da covid-19”, defendeu o economista guineense.

Paulo Gomes apontou que é necessário que haja uma “dose de engenharia social para reforçar a coesão, a confiança e reduzir os conflitos”.

“Quando o Estado é fraco, todos os elementos vêm ao de cima, e não há financiamento que vá resolver esse problema se não houver uma estratégia interna com o apoio externo para poder resolver essas tensões de coesão social”, reforçou.

Clara Brandi, chefe do programa sobre Transformação dos Sistemas Económicos e Sociais, do Instituto Alemão para o Desenvolvimento (DIE), afirmou, no mesmo painel, que a coesão social e a confiança social são “fatores muito importantes” quando se aborda o impacto económico da pandemia nos países frágeis.

“Obviamente que isso está intimamente ligado a outro tipo de impactos, nomeadamente o impacto social: a pobreza, as desigualdades e outros desafios que já foram aqui referidos”, disse Clara Brandi.

“Um dos aspetos que nós concluímos no nosso estudo foi que a coesão social desempenha um papel crucial na resiliência dos Estados à pandemia e também na capacidade de recuperação pós-pandemia”, reforçou, acrescentando que “os países frágeis devem merecer uma atenção muito especial”.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 3.925.816 de vítimas em todo o mundo, resultantes de 181.026.547 casos de infeção diagnosticados oficialmente, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

De acordo com os dados mais recentes do África CDC, o continente totaliza mais de 5,39 milhões de casos de covid-19 desde o início da pandemia, ultrapassando as 140.000 mortes.

A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

JYO // JH

By Impala News / Lusa

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