Covid-19: Défice de financiamento da educação em África ultrapassa 164 mil ME

A diretora do departamento de pesquisa económica do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disse hoje que o défice de financiamento para a educação deve ultrapassar os 200 mil milhões de dólares devido à pandemia de covid-19.

Covid-19: Défice de financiamento da educação em África ultrapassa 164 mil ME

Covid-19: Défice de financiamento da educação em África ultrapassa 164 mil ME

A diretora do departamento de pesquisa económica do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disse hoje que o défice de financiamento para a educação deve ultrapassar os 200 mil milhões de dólares devido à pandemia de covid-19.

“A pandemia de covid-19 arrasou os sistemas educativos, ameaçando apagar décadas de progresso nesta área, prejudicando de forma desproporcional as comunidades num continente onde 9,8 milhões de estudantes tiveram perturbações nos estudos e 24 milhões de alunos deverão desistir da escola no próximo ano, especialmente nos países em desenvolvimento”, disse Hanan Morsy.

Nestes países, apontou, “o défice de financiamento para a educação já antes do covid-19 era de 148 mil milhões de dólares [122 mil milhões de euros], e agora antevê-se que aumente em até um terço”, para cerca de 200 mil milhões de dólares, o equivalente a 164 mil milhões de euros.

Falando na sessão inaugural da Conferência Económica Africana, a representante do BAD não escondeu que “a situação em África é dramática” e lembrou que “desde o início da pandemia da covid-19, o rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) deve subir 10 pontos percentuais face aos 50% de 2019, para cerca de 60%, enquadrado num crescimento negativo de 3,4% este ano no continente.

Na intervenção, Hanan Morsy destacou que o impacto da pandemia é “particularmente preocupante nas economias africanas, onde o rácio da dívida pública sobre o PIB deverá subir cerca de 10 pontos desde o início de pandemia, o Investimento Direto Estrangeiro para África deverá cair 40% este ano, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento deverá cair 10%, e as remessas dos emigrantes deverão diminuir 9%”.

Para além disso, acrescentou a responsável, “as restrições ligadas à covid-19 deverão fazer as exportações africanas cair 17%”.

Para combater os efeitos da pandemia e ajudar os países a lidarem com a situação, o BAD já aprovou 3,4 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) de ajudas, sendo 97% em ajuda ao orçamento, para “fortalecer os sistemas de saúde, melhorar a resiliência económica para proteger os empregos e fortalecer os sistemas de proteção social”, para além de mais de 106 milhões de dólares (87,4 milhões de euros) entregues às comunidades económicas regionais, concluiu a responsável.

A edição deste ano da Conferência Económica Africana, organizada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) e pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), decorre em formato virtual de hoje até quinta-feira, com o tema ‘África para além da covid-19: aceleração para um desenvolvimento sustentável inclusivo’.

África registou 248 mortes devido à covid-19 e mais 10.220 novos casos de infeção nas últimas 24 horas, contabilizando agora 54.101 óbitos causados pelo novo coronavírus, segundo dados oficiais.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o continente africano conta agora com 2.271.809 casos de pessoas infetadas nos 55 membros da União Africana.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.535.987 mortos resultantes de mais de 67 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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By Impala News / Lusa

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