Covid-19: Centenas de motoristas de ‘hiaces’ na Praia para exigir regresso à lotação máxima

Cerca de 300 motoristas de ‘hiace’, viaturas de transporte público intermunicipal, protestaram hoje na capital cabo-verdiana exigindo, entre outras reclamações, a reposição da lotação máxima e a suspensão do pagamento de taxas, ameaçando com uma semana de paralisação.

Covid-19: Centenas de motoristas de 'hiaces' na Praia para exigir regresso à lotação máxima

Covid-19: Centenas de motoristas de ‘hiaces’ na Praia para exigir regresso à lotação máxima

Cerca de 300 motoristas de ‘hiace’, viaturas de transporte público intermunicipal, protestaram hoje na capital cabo-verdiana exigindo, entre outras reclamações, a reposição da lotação máxima e a suspensão do pagamento de taxas, ameaçando com uma semana de paralisação.

“Aqui temos cerca de 300 ‘hiaces’, de todos os municípios do interior a ilha de Santiago, mas temos também manifestações em Santa Catarina e no Tarrafal. Foi uma adesão maior do que aquilo que esperávamos”, afirmou à Lusa Domingos Tavares, presidente do Sindicato Nacional de Condutores Profissionais (Sincop), que convocou este protesto.

A normalização da lotação máxima destas viaturas (modelo Hiace), que, como forma de travar a transmissão da covid-19, foi reduzida de 14 para nove passageiros, e a suspensão da cobrança de senhas, imposto, licenças e alvarás, figuram do caderno reivindicativo do Sincop, que reclama apoios face à crise provocada no setor pela pandemia.

Estas viaturas asseguram as ligações entre os vários municípios e a Praia, nomeadamente até ao mercado de Sucupira, precisamente o local escolhido para os protestos de hoje, que condicionaram a circulação na capital cabo-verdiana durante toda a manhã.

“Nos ‘hiaces’ temos todas as condições sanitárias. Andamos sempre com máscara, álcool gel, produtos de desinfeção das viaturas, tudo”, garantiu Domingos Tavares, defendendo que, com a atual lotação máxima imposta, de nove lugares (mais o motorista), a continuidade da atividade fica em causa, apesar de dar emprego a mais de 7.000 motoristas, em todo o país.

Segundo o Sincop, só ‘hiaces’ de Santiago que chegam diariamente à Praia, de todos os municípios, são 630.

O passo seguinte, avisa, será paralisar durante uma semana: “O nosso objetivo é parar para resolver o problema. Caso o problema não seja resolvido, vamos reunir de novo, vamos entregar um pré-aviso de paralisação para mais dias. Não temos uma data, mas provavelmente daqui até ao mês de dezembro vamos fazê-lo”.

O protesto de hoje, de 24 horas, acontece precisamente no arranque da última semana de campanha eleitoral para as eleições autárquicas cabo-verdianas, que acontecem no próximo domingo, 25 de outubro.

Herculano Freire, 38 anos, condutor de ‘hiace’ há um ano, abdicou do dia de trabalho para se juntar aos protestos, justificando que, enquanto todos os outros transportes públicos já podem usar a lotação máxima, aquelas viaturas ainda não.

“Vejo os autocarros cheios de pessoas, muitas ainda de pé, mas os ‘hiaces’ não podem ter a lotação máxima, sabemos que pagamos todos os documentos todos os meses e para 15 lugares e transportamos apenas 10 pessoas [incluindo o motorista]”, contestou o condutor, dizendo que esses profissionais estão a perder dinheiro e que essas carrinhas têm todas as condições para viajar com a lotação máxima.

Se for para paralisar o serviço durante uma semana, Herculano Freire garantiu que estará disponível, tal como o colega de profissão Nelson, 38 anos, condutor há 11 anos, que apontou os mesmos problemas.

“Estamos aqui para reivindicar os nossos direitos. Estamos a transportar 50% da lotação máxima e pagamos a 100% todos os documentos do carro. Não fomos isentados de pagar a taxa de documentos de carro. Diminuíram-nos os passageiros para 50% e continuamos a pagar os documentos a 100%. É com isto que não estamos de acordo”, desabafa.

Algumas das reivindicações destes profissionais estão relacionadas com a gestão municipal na Praia, nomeadamente no mercado de Sucupira, ponto de entrada e saída de passageiros de toda a ilha. Querem melhoramento do piso daquele mercado e das condições sanitárias nos terminais, mas também um “controlo mais rigoroso” das autoridades “à concorrência desleal aos taxistas”, exigindo ainda “respeito e dignidade pelos condutores que garantem a circulação de bens e serviços em Cabo Verde”.

E os efeitos da manifestação fizeram-se sentir no mercado de Sucupira, com muitos passageiros à espera de transporte para os vários pontos da ilha de Santiago, como é o caso de Cláudio Claudino, 28 anos. Ao fim de uma hora e meia a aguardar por um ‘hiace’ para ir visitar familiares em Assomada, concelho de Santa Catarina, já não escondia a inquietação: “Mas está difícil, os condutores todos estão de greve [manifestação], disseram que só conseguem levar duas pessoas e não há ‘hiaces’ para as viagens”.

Cláudio era um dos muitos passageiros à espera na paragem, mas também dos que assumia compreender os argumentos dos motoristas.

“Não compensa. Por exemplo, para encherem o depósito com gasóleo e chegam no fim do dia para entregar as contas, não dá, fica muito pouco”, prosseguiu o passageiro, assumindo que com máscara e álcool gel, há condições para os ‘hiaces’ viajarem com a lotação máxima.

E tal como centenas de outras pessoas na Praia, Cláudio deverá desistir de viajar por hoje, perante as caravanas de ‘hiace’ que vão rodando pela capital, em protesto.

PVJ/RIPE // VM

By Impala News / Lusa

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