Covid-19: Associação Comercial do Porto diz que um cerco sanitário paralisa a região

O presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, avisou que avançar com um cerco sanitário à cidade do Porto seria promover a “paralisação geral da região” e diz que é um “exagero” avançar com essa medida.

Covid-19: Associação Comercial do Porto diz que um cerco sanitário paralisa a região

Covid-19: Associação Comercial do Porto diz que um cerco sanitário paralisa a região

O presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, avisou que avançar com um cerco sanitário à cidade do Porto seria promover a “paralisação geral da região” e diz que é um “exagero” avançar com essa medida.

“Com este cerco [sanitário], a confirmar-se, nós iremos ter de facto uma paralisação geral desta região que a todos os títulos condenamos”, declarou à Lusa Nuno Botelho, numa entrevista telefónica.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou hoje, durante uma conferência de imprensa em Lisboa, que estava a ser equacionada a medida de avançar com um cerco sanitário do Porto entre as autoridades de saúde regionais, as autoridades de saúde nacionais e o Ministério da Saúde e que, provavelmente, seria hoje tomada uma “decisão nesse sentido”.

Na conferência de imprensa diária para fazer o ponto da situação da pandemia de covid-19 em Portugal, Graça Freitas assegurou a articulação entre as autoridades de saúde e as autoridades municipais desde logo, com a Câmara Municipal, com a Segurança Social e com a Comissão Municipal de Proteção Civil.

A Associação Comercial do Porto opõe-se “absolutamente” à hipótese dum cerco sanitário.

“Achamos que é um exagero, achamos que não se justifica, achamos que revela desconhecimento da situação no terreno. As pessoas estão a acatar o isolamento social, o resguardo em casa. (…) Independentemente do número de infetados que é grande, e que todos lamentamos, mas achamos que o isolamento que está a haver justifica neste momento a manutenção das medidas tomadas”, descreveu Nuno Botelho.

O presidente da Associação Comercial do Porto lamentou, por outro lado, que a medida esteja a ser equacionada “sem conhecimento dos órgãos políticos locais”, entenda-se o presidente da Área Metropolitana do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, e o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, que segundo Nuno Botelho “não foram tidos, nem achados” na questão do eventual cerco sanitário.

“Achamos a todos os títulos lamentável. Achamos que a economia também tem que ter ainda o seu espaço, em primeiro lugar naturalmente está a saúde, mas não podemos afogar ainda mais a economia desta região do concelho do Porto e dos concelhos limítrofes, cortando os acessos de repente e de forma inopinada e, portanto, essa é uma medida contra a qual nós temos que nos manifestar contra”, reiterou.

Nuno Botelho lembrou ainda que a hipótese do cerco sanitário no Porto é uma “medida vai ao arrepio daquilo que foram as declarações do senhor primeiro-ministro na semana passada, em que se mostrava “muito preocupado com a economia e que havia setores que tinham que continuar a laborar”.

Na conferência de imprensa diária para fazer o ponto da situação da pandemia de covid-19 em Portugal, Graça Freitas assegurou a articulação entre as autoridades de saúde e as autoridades municipais desde logo, com a Câmara Municipal, com a Segurança Social e com a Comissão Municipal de Proteção Civil.

A Câmara do Porto disse hoje que não aceita o cerco sanitário “absurdo” e “inútil” que está a ser equacionado pelas autoridades de saúde e anunciou que deixa de reconhecer autoridade à diretora geral da Saúde, Graça Freitas.

O presidente da Federação Distrital do PS/Porto e vereador na Câmara do Porto considerou, por seu turno, “infeliz e completamente despropositada” a ideia de um cerco sanitário à cidade para combater a infeção de Covid-19.

Dados da Direção-Geral de Saúde (DGS) divulgados hoje, e que se referem a 75% dos casos confirmados, precisam que o Porto é o concelho que regista o maior número de casos de infeção pelo coronavírus SARSCov2 (941), seguida de Lisboa (633 casos), Vila Nova de Gaia (344), Maia (313, Matosinhos (295), Gondomar (276) e Ovar (241).

Os dados da DGS revelados no domingo, atualizados até às 24:00 de sábado e também referentes a 75% dos casos confirmados, indicavam que Lisboa era a cidade que registava o maior número de casos de infeção pelo coronavírus SARSCov2 (594), seguida do Porto (317 casos), Vila Nova de Gaia (351), Maia (296), Matosinhos (294), Gondomar (242) e Braga (208).

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 727 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 35 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 140 mortes, mais 21 do que na véspera (+17,6%), e 6.408 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 446 em relação a domingo (+7,5%).

CCM // MSP

By Impala News / Lusa

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