“Constituição da República de 1976 está esgotada”, diz André Ventura

O líder do Chega, André Ventura, afirmou hoje em Setúbal que a atual Constituição da República “está esgotada”, no arranque das jornadas parlamentares dedicadas ao processo de revisão constitucional, que o partido pretende abrir neste mês de setembro.

“Constituição da República de 1976 está esgotada”, diz André Ventura

O líder do Chega, André Ventura, afirmou hoje em Setúbal que a atual Constituição da República “está esgotada”, no arranque das jornadas parlamentares dedicadas ao processo de revisão constitucional, que o partido pretende abrir neste mês de setembro.

“A Constituição de 76 está esgotada, enquanto modelo. Está esgotada no caminho para o socialismo que propunha, está esgotada no modelo económico que propõe, na linguagem de latifúndios e nacionalizações que continua a povoar a nossa Constituição. Está ultrapassada no modelo de saúde que propõe. E todos temos visto como a saúde em Portugal precisa de um novo modelo”, disse.

 Para o líder do Chega, que na abertura das jornadas parlamentares em Setúbal reafirmou algumas das propostas mais polémicas do partido, como a prisão perpétua e a castração química dos pedófilos, é necessário que todos os partidos percebam que a Constituição de 1976 já não se coaduna com a realidade atual em muitas áreas, e que não responde às necessidades do país no que respeita ao desenvolvimento económico, ambiente, imigração, saúde, ensino e justiça.

“Nada do que temos hoje, ou a grande parte do mundo que temos hoje, não é o mundo da Constituição de 1976. E isso deve fazer-nos ter a coragem de, respeitando os fundadores do nosso regime pós 25 de Abril, respeitando os fundadores desta Constituição, conseguimos ter a coragem de apresentar uma outra [Constituição] moderna, aberta e inovadora para um país que quer ser moderno, aberto e inovador”, defendeu André Ventura.

  “O nosso modelo constitucional não é um modelo de desenvolvimento sustentável, a olhar para uma economia que tem de crescer. Continua a ser uma Constituição que olha para um país de emigração e não de imigração, como aquele em que nos tornamos nos últimos anos. E continua a ser uma Constituição que, naturalmente, porque não podia fazer diferente, não toca ainda problemas que hoje são de todos, como o desenvolvimento sustentável, o ambiente, a ecologia e o futuro”, acrescentou, o líder do Chega, na abertura das jornadas parlamentares que decorrem hoje e segunda-feira na cidade de Setúbal.

  Dirigindo-se aos parlamentares do Chega numa nota prévia, André Ventura afirmou-se preocupado pelas “ondas de violência ao longo dos últimos dias” no distrito de Setúbal, assegurando que o Chega estará sempre do lado da justiça contra a violência.

   “Temos assistido nos últimos dias a episódios inenarráveis: um indivíduo assassinado num bar em Setúbal, aparentemente por defender algumas mulheres que estavam a ser assediadas e perseguidas, e que foi esfaqueado. O mesmo tivemos na semana passada. E ontem houve um tiroteio no Fórum Almada (na cidade de Almada, também no distrito de Setúbal), com envolvência e características semelhantes”, disse.

  Para André Ventura, “vivemos num tempo e num mundo em que dizer o óbvio e dizer o evidente se torna muitas vezes de matéria de crime e matéria de perseguição”, o que não irá inibir o Chega de se pronunciar.

   “O Chega não tem problemas em dizer o que a maioria dos portugueses pensa e aquilo que a maioria dos portugueses sente. Por isso eu gostava de dizer aqui hoje, perante os nossos deputados, perante a nossa comunicação social, que não vamos deixar passar em claro o que tem acontecido”, disse.

  “Nós temos um problema com a comunidade cigana em Portugal. Temos de o enfrentar. E já na próxima quarta-feira eu quero deixar claro que pedirei no parlamento, mais uma vez, e de forma consecutiva, o fim da impunidade de comunidade cigana em Portugal. Voltaremos a fazê-lo na quarta-feira, dia em que temos agendada uma declaração política sobre o efeito, quer Augusto Santos Silva [presidente da Assembleia da República] goste, quer Augusto Santos Silva não goste. O que tem acontecido em Portugal não pode continuar”, frisou.

 Para André Ventura, trata-se de um problema que preocupa a maioria dos portugueses, mas a que só o partido Chega tem procurado dar expressão.

  “À medida que nós olhamos para o lado e fingimos que nada acontece, os portugueses falam disto em todo o lado. E nós somos os únicos que lhes damos voz e lhes damos expressão, assumindo as consequências e os riscos. É o que vamos fazer já na próxima quarta-feira. E, repito, a impunidade da comunidade cigana tem que acabar”, reiterou o líder do Chega.

   Referindo-se aos participantes das jornadas parlamentares de Setúbal, André Ventura agradeceu a participação dos deputados do partido e “a coragem” de diversas personalidades da sociedade civil, que aceitaram associar-se a iniciativas do Chega.

 

 

 

 

GR // ACL

By Impala News / Lusa

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