Conselho de Segurança da ONU aprova reforço de quase 3.000 militares na RCA

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução que prevê o aumento gradual de cerca de 3.000 militares na República Centro-Africana (RCA), ainda ameaçada por milícias.

Conselho de Segurança da ONU aprova reforço de quase 3.000 militares na RCA

Conselho de Segurança da ONU aprova reforço de quase 3.000 militares na RCA

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução que prevê o aumento gradual de cerca de 3.000 militares na República Centro-Africana (RCA), ainda ameaçada por milícias.

Nações Unidas, 12 mar 2021 (Lusa) — O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje uma resolução que prevê o aumento gradual de cerca de 3.000 militares na República Centro-Africana (RCA), ainda ameaçada por milícias que pretendem reclamar o poder no país.

A resolução foi aprovada por 14 dos 15 países que compõem o Conselho de Segurança da ONU. Apenas a Rússia, que tem uma grande presença na RCA, se absteve, confirmou a France-Presse (AFP) junto de fontes que optaram pelo anonimato.

A missão diplomática de Moscovo não comentou a decisão.

O documento aprovado pelo órgão máximo das Nações Unidas prevê um incremento de 2.750 militares, que integrarão as forças já presentes da República Centro-Africana.

A Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) tem um orçamento anual de cerca de um bilião de dólares (mais de 900 mil milhões de euros) e é uma das maiores operações da Organização das Nações Unidas no mundo.

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a Minusca e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

O reforço do contingente destacado no país surge depois de um apelo feitos pelos líderes da RCA e pelo secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

No final de 2020, várias milícias tentaram derrubar as autoridades estabelecidas em Bangui, no entanto, a tentativa falhou devido aos esforços de militares do Ruanda e da Rússia no final desse ano.

A resolução sublinha que os reforços das forças de manutenção da paz têm como objetivo melhorar “a capacidades da MINUSCA para cumprir as suas prioridades”, nomeadamente a proteção da população e facilitar a entrega de ajuda humanitária.

A República Centro-Africana (RCA) prepara-se para realizar este domingo a segunda volta das eleições legislativas, continuando imersa num ambiente volátil que se segue a uma primeira volta marcada por uma fraca participação devido ao conflito armado.

Na primeira volta, realizada em 27 de dezembro de 2020, o chefe de Estado cessante, Faustin Archange Touadéra, foi reeleito com 53,1% dos votos expressos, sendo que a legalidade e legitimidade dos resultados ainda hoje é contestada.

O escrutínio, conturbado e após uma ofensiva rebelde lançada dias antes, permitiu que o regime de Touadéra se fortalecesse, recuperando terreno aos grupos armados presentes em dois terços do território desde o início de uma sangrenta guerra civil, em 2013.

O conflito continua, apesar da presença de 12.500 soldados de uma missão de manutenção da paz das Nações Unidas, embora a sua intensidade seja agora mais reduzida.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, após o derrube do então chefe de Estado, François Bozizé, por grupos armados reunidos na Séléka, o que suscitou a reação de outras milícias, agrupadas numa coligação anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

AFE (JYO) // JH

By Impala News / Lusa

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