Congresso anula veto de Trump ao orçamento da Defesa dos EUA em decisão inédita

O Congresso norte-americano anulou o veto de Donald Trump ao orçamento da Defesa, uma decisão inédita tomada pelo Senado, câmara controlada pelo Partido Republicano, que apoiou o presidente cessante nas últimas presidenciais.

Congresso anula veto de Trump ao orçamento da Defesa dos EUA em decisão inédita

Congresso anula veto de Trump ao orçamento da Defesa dos EUA em decisão inédita

O Congresso norte-americano anulou o veto de Donald Trump ao orçamento da Defesa, uma decisão inédita tomada pelo Senado, câmara controlada pelo Partido Republicano, que apoiou o presidente cessante nas últimas presidenciais.

Numa sessão extraordinária em dia de Ano Novo, o Senado, a câmara alta do Congresso, contrariou o veto presidencial ao orçamento de 740 mil milhões de dólares (cerca de 607 mil milhões de euros) para a Defesa, “uma alfinetada” inédita e a semanas do fim do mandato de Donald Trump, adianta a Associated Press (AP).

O projeto de lei garante um aumento de 3% nos salários das tropas norte-americanas e orienta a política de Defesa, consolidando decisões sobre números de militares, novos sistemas de armas e prontidão militar, política de recursos humanos e outros objetivos militares.

Muitos programas, incluindo construção militar, apenas poderiam efetivar-se se o projeto fosse aprovado.

O presidente cessante tinha atacado os legisladores republicanos numa publicação na rede social Twitter, no início da semana, questionando se a “fraca e cansada liderança republicana” iria permitir que um mau projeto de lei para a Defesa passasse.

Trump apelidou a decisão do Senado como um “vergonhoso ato de cobardia e uma total submissão de pessoas fracas às grandes tecnológicas”, acrescentando: “negoceiem uma lei melhor ou arranjem líderes melhores, agora”.

A votação de 81-13 no Senado seguiu-se a uma votação anterior, na Câmara dos Representantes, em que 322 membros votaram a favor do orçamento da Defesa e 87 votaram contra.

O líder da maioria republicana no Senado, o senador Mitch McConnell, homem próximo de Donald Trump, recordou que nos últimos 59 anos a Lei de Defesa Nacional foi sempre aprovada e que “de uma maneira ou de outra”, o Congresso iria passar o 60.º projeto de lei a lei antes do fim do mandato, no domingo.

“O projeto olha pelos nossos bravos homens e mulheres que se voluntariam para usar o uniforme”, disse McConnell, acrescentando que é também “uma tremenda oportunidade” de dirigir as prioridades de segurança nacional.

“É a nossa oportunidade de garantir que acompanhamos o ritmo dos concorrentes como a Rússia e a China”, disse ainda.

A votação do Senado que anulou o veto foi adiada depois de o senador democrata Bernie Sanders ter recusado avançar até que McConnell permitisse a votação de um projeto de lei, apoiado por Trump, de apoios à crise provocada pela pandemia e que contemplam o pagamento de cheques de dois mil dólares aos americanos em dificuldades.

McConnell não permitiu a votação e usou o seu poder parlamentar para limitar a votação ao projeto de lei relativo à Defesa, o que esvaziou uma ameaça de Sanders e o líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, de avançar com um ‘filibuster’, uma manobra política usada em contexto parlamentar para obstruir ou atrasar o avanço de uma lei, eternizando o debate sobre a matéria em causa.

Sem o acordo entre os dois partidos, a votação do projeto de lei poderia ter sido adiada para a noite de sábado.

Durante os quatro anos de mandato, Trump foi bem sucedido em manter o Congresso disciplinado, limitando a mínimos qualquer oposição por parte dos republicanos, mas a votação sobre a Lei de Defesa mostra a sua perda de influência, sublinhada ainda pela recusa dos republicanos em votar o projeto de apoios para a pandemia, já aprovado pela Câmara dos Representantes, mas esquecido pelo Senado, apesar de ter a aprovação do presidente cessante.

A 20 de janeiro Joe Biden toma posse como o próximo presidente dos EUA.

IMA // SF

By Impala News / Lusa

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