Comissão Europeia lança programa para atrair jovens para setores têxtil e calçado

A Comissão Europeia lançou hoje, no Porto, uma campanha de atração de jovens para os setores têxtil, vestuário, calçado e curtumes, destinada a colmatar a previsível necessidade de 400 mil novos trabalhadores nestes setores até 2030.

Comissão Europeia lança programa para atrair jovens para setores têxtil e calçado

Comissão Europeia lança programa para atrair jovens para setores têxtil e calçado

A Comissão Europeia lançou hoje, no Porto, uma campanha de atração de jovens para os setores têxtil, vestuário, calçado e curtumes, destinada a colmatar a previsível necessidade de 400 mil novos trabalhadores nestes setores até 2030.

Intitulada “Open your mind” e executada pela EASME (Executive Agency for Small and Medium-sized Enterprises) e pela DG Grow (Directorate General for Internal Market, Industry, Entrepreneurship and SMEs), com a participação de várias confederações setoriais europeias, a campanha decorre ao longo dos próximos nove meses em Portugal, Itália, Espanha, Roménia, Polónia e Alemanha e pretende divulgar nas escolas e centros de formação oportunidades de emprego na indústria da moda.

“É necessário não só criar condições para que na próxima década o setor possa contratar 400 mil novos profissionais, como simultaneamente, à medida que a indústria está a mudar de forma significativa, são necessários profissionais não só para a produção, mas também para outras áreas consideradas mais nobres, como o ‘design’, ‘marketing’, informática, engenharia do produto e logística, explicou à agência Lusa Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), entidade que integra o comité de direção deste projeto.

Referindo que cerca de 20% dos 2,2 milhões de trabalhadores das indústrias têxtil, vestuário, calçado e curtumes na Europa “já têm mais de 55 anos”, este responsável destaca que a crescente contratação de “novos talentos” é essencial se “a Europa quer continuar a estar na liderança destes setores, nomeadamente nos domínios do ‘design’ e da inovação”.

Segundo Paulo Gonçalves, em cima da mesa está também uma questão de sustentabilidade: “Falando-se hoje tanto em sustentabilidade, para nós o que não é sustentável é que um único continente – o asiático – tenha quotas de mercado em algumas destas indústrias superiores a 85%. Não é sustentável para a economia mundial e para o planeta que exista um desfasamento tão grande entre os diferentes ‘players”, sustenta’.

Para que a mensagem “possa chegar de forma eficaz ao seu público-alvo”, no âmbito do programa vão ser organizadas visitas, encontros e ‘open days’ envolvendo escolas, centros de formação, empresas e associações do setor, em que “peritos vão falar sobre as possibilidades de carreira, respondendo também a todas as dúvidas dos potenciais interessados”, explicam os promotores do programa.

É que, dizem, o têxtil, vestuário, curtumes e calçado “são setores com grande tradição e com um grande peso na Europa, nomeadamente na economia portuguesa, mas continuam a ser pouco apelativos para a faixa etária entre os 14 e os 30 anos, o que causa junto das empresas constrangimentos em termos de recursos humanos”.

“Alterar a perceção que os jovens têm sobre estas indústrias é importante para a captação de talentos e para a renovação das empresas e das próprias áreas de negócio, que necessitam de ‘sangue novo’ para manterem um elevado nível de inovação e competitividade”, enfatizam, defendendo que, “para os mais jovens, uma carreira nesta área é atrativa não só pela criatividade envolvida, mas também pela possibilidade de, através da criação de soluções inovadoras, contribuírem para um planeta mais limpo”.

“As tecnologias digitais e o próprio desenvolvimento tecnológico em termos de I&D [Investigação & Desenvolvimento], produção, divulgação e comercialização dos artigos de vestuário e calçado criaram novos perfis de profissionais, muitos com elevado grau de especialização, tornando-as apelativas, por exemplo, para licenciados”, referem, salientando que “a globalização criou oportunidades de estudar fora do país de origem, nomeadamente através do programa Erasmus, ou de desenvolver uma carreira em vários pontos do globo”.

Para Paulo Gonçalves, “a indústria europeia precisa definitivamente de ser a grande referência internacional ao nível da indústria 4.0”: “Se já o foi no passado, o que a Comissão Europeia entende é que se devem criar as condições para que não perca esse património no futuro”, sustenta.

As áreas da indústria têxtil, vestuário, calçado e pele representam na Europa um volume de negócios anual de 200 mil milhões de euros e empregam 2,2 milhões de pessoas (66% das quais mulheres) em 225 mil empresas. Em países como Portugal, Itália, Espanha, Roménia e Polónia estes setores apresentam um peso significativo nas exportações.

PD // MSF

By Impala News / Lusa

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