Clima: Acionistas da ExxonMobil e Chevron querem respostas mais enérgicas

Os acionistas da ExxonMobil e da Chevron forçaram hoje estes gigantes petrolíferos dos EUA a lutar mais energicamente contra as alterações climáticas, sinal de uma pressão crescente sobre estas empresas para que respondam às preocupações ambientais.

Clima: Acionistas da ExxonMobil e Chevron querem respostas mais enérgicas

Clima: Acionistas da ExxonMobil e Chevron querem respostas mais enérgicas

Os acionistas da ExxonMobil e da Chevron forçaram hoje estes gigantes petrolíferos dos EUA a lutar mais energicamente contra as alterações climáticas, sinal de uma pressão crescente sobre estas empresas para que respondam às preocupações ambientais.

Também hoje, um tribunal holandês decidiu que a Shell tem de reduzir as suas emissões de dióxido de carbono (CO2) em 45% até ao fim de 2030, a culminar um processo mediático iniciado por um conjunto de organizações não governamentais (ONG) de defesa do ambiente.

Na ExxonMobil, pelo menos dois dos quatro candidatos ao conselho de administração propostos pela sociedade de investimento Engine N°1, que tinha lançado no final de 2020 uma campanha para a empresa apostar mais nas energias renováveis e menos no petróleo e gás, foram eleitos.

Esta decisão significa a substituição de pelo menos dois dos 12 administradores por outros mais preocupados com o combate às alterações climáticas, reforçar as finanças do grupo e orientá-lo na transição para uma energia limpa.

Os acionistas também aprovaram uma resolução, apresentada pelo BNP Paribas, que obriga a ExxonMobil a apresentar um documento em que explique se as suas atividades de influência (‘lobbying’) estão de acordo com os objetivos do Acordo de Paris sobre o clima, assinado em 2015.

A assembleia geral do grupo foi seguida de perto. Sinal de uma votação particularmente renhida, a reunião foi suspensa durante uma hora e a sessão de perguntas e respostas prolongada por mais uma hora suplementar.

Já na Chevron, que também realizou hoje a sua assembleia geral anual, uma proposta que exigia que a empresa reduzisse as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) dos seus produtos recolheu 61% de votos favoráveis, apesar da oposição do conselho de administração.

“Estes votos refletem uma tomada de consciência crescente da importância das vozes dos acionistas para acelerar a transição das energias fósseis para as renováveis”, sublinhou Mark van Baal, da ONG holandesa Follow This.

“Os investidores institucionais compreendem que nenhum investimento está seguro em uma economia mundial assolada pelas alterações climáticas”, acrescentou.

Sobre a ExxonMobil, Andrew Logan, da ONG Ceres, considerou que esta “já não pode voltar atrás”.

A Engine N°1 tinha lançado no final de 2020 uma campanha que apelava à empresa que gastasse menos em novos projetos petrolíferos e gasíferos e tratasse de forma mais s+eira as energias alternativas, à semelhança de outros conglomerados, como Shell ou Total.

“Qualquer que seja o resultado da votação, a mudança chegou”, felicitou-se um dos seus dirigentes, Charlie Penner, antes da proclamação dos resultados.

A Engine N°1 contou com o apoio dos três maiores fundos de pensões dos EUA, a saber, CalSTRS, CalPERS e New York State Common, bem como pelas consultoras ISS e Glass Lewis, que dão orientações de voto aos acionistas.

Darren Woods, o presidente-executivo do conglomerado petrolífero, reconheceu “o desejo dos acionistas impulsionarem uma mudança” e garantiu que o grupo estava “bem posicionado para responder”.

A direção tinha prometido no final de 2020 que ia acentuar os esforços para reduzir as emissões de GEE nos próximos cinco anos e anunciou em fevereiro a criação de uma filial consagrada às energias menos poluentes.

Mas o grupo não prevê de momento consagrar mais do que três mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros) até 2025, o que é pouco quando comparado com as suas despesas anuais de exploração de petróleo e gás. E está a colocar o acento em técnicas contestadas de captura e armazenagem de carbono.

Sob a pressão de uma opinião pública e de alguns investidores, todos os grandes grupos do setor foram obrigados nos últimos meses a rever o seu impacto no clima.

A Shell submeteu na semana passada aos seus acionistas a uma estratégia para reduzir as emissões de CO2.

A Total vai reunir os acionistas na sexta-feira e já propôs a alteração do nome para TotalEnergies, para simbolizar a sua diversificação para energias mais limpas.

A ExxonMobil era em 2013 o grupo privado com a maior capitalização bolsista do mundo. Mas a sua estrela empalideceu desde então e no verão de 2020 saiu mesmo do seletivo índice norte-americano Dow Jones Industrial Average, integrado pelas 30 maiores capitalizações de Wall Street. Afetada em pleno pela baixa da procura de energia, no pico da pandemia, perdeu 22 mil milhões de dólares em 2020.

RN // RBF

By Impala News / Lusa

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