Chile critica declarações de Bolsonaro contra Boric e convoca embaixador brasileiro

O Governo do Chile disse hoje que as declarações do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sobre um suposto envolvimento do Presidente chileno, Gabriel Boric, nos protestos de 2019 em Santiago é informação falsa e corrói o relacionamento bilateral.

Chile critica declarações de Bolsonaro contra Boric e convoca embaixador brasileiro

Chile critica declarações de Bolsonaro contra Boric e convoca embaixador brasileiro

O Governo do Chile disse hoje que as declarações do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sobre um suposto envolvimento do Presidente chileno, Gabriel Boric, nos protestos de 2019 em Santiago é informação falsa e corrói o relacionamento bilateral.

“Elas são absolutamente falsas e lamentamos que, num contexto eleitoral, as relações bilaterais sejam aproveitadas e polarizadas por meio de desinformação e notícias falsas”, disse Antonia Urrejola, ministra dos Negócios Estrangeiros do Chile, numa conferência com jornalistas ao se referir a declarações de Bolsonaro num debate presidencial no Brasil no qual ele atribuiu ao Presidente chileno a autoria de crimes durante protestos em 2019.

Urrejola anunciou que o embaixador brasileiro no Chile, Paulo Pacheco, foi convocado para receber uma nota de protesto, mas descartou uma rutura nas relações diplomáticas.

“Obviamente, essas declarações não facilitam as relações, mas há uma relação histórica, temos uma história comum e um futuro comum e vamos continuar a trabalhar nessa relação bilateral”, disse a ministra chilena.

“Esta não é a maneira de fazer política”, acrescentou Urrejola.

Durante um debate presidencial na noite de domingo, Bolsonaro atacou duramente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as suas relações com outros líderes da região, como os presidentes da Argentina e da Venezuela.

O governante brasileiro vinculou Boric ao incêndio de algumas estações do metro de Santiago na onda de protestos de 2019, a mais grave desde o fim da ditadura chilena.

“Lula [da Silva] apoiou o presidente do Chile também, o mesmo que praticava atos de tacar [colocar] fogo em metros lá no Chile. Para onde está indo nosso Chile?,” afirmou Bolsonaro.

Os distúrbios, que começaram como um protesto contra o aumento do preço da passagem do metro e levaram a um clamor por um modelo económico e direitos sociais mais justos no Chile, deixaram trinta mortos e milhares feridos.

Três anos depois, não se sabe quem esteve por trás do incêndio total de 25 estações no subúrbio da capital chilena.

Bolsonaro, que chegou ao poder em 2019, foi um dos poucos líderes latino-americanos que não compareceu à posse de Boric em março passado, referência para uma nova esquerda na região e crítica aos regimes da Venezuela e Cuba.

CYR // MSP

By Impala News / Lusa

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