Chefe da diplomacia angolana admite papel pouco ativo da comunidade económica da África Central

O ministro das Relações Exteriores de Angola reconheceu hoje que a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) é a organização menos ativa na integração regional, havendo necessidade de reformas para a dinamizar.

Chefe da diplomacia angolana admite papel pouco ativo da comunidade económica da África Central

Chefe da diplomacia angolana admite papel pouco ativo da comunidade económica da África Central

O ministro das Relações Exteriores de Angola reconheceu hoje que a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) é a organização menos ativa na integração regional, havendo necessidade de reformas para a dinamizar.

Teté António falava na Assembleia Nacional, que aprovou hoje por unanimidade, com 190 votos a favor, o Projeto de Resolução relativo à Ratificação da Revisão do Tratado que institui a Comissão Económica dos Estados da África Central (CEEAC).

O chefe da diplomacia angolana avançou que, comparativamente a outras organizações do continente africano, a CEEAC “tem sido o parente pobre”, porque “é uma organização que não tem sido muito ativa no âmbito da integração regional”.

Segundo o ministro, o desempenho de Angola na organização, que terá como presidente da comissão da CEEAC o angolano Gilberto Veríssimo, depende dos seus esforços, tendo consciência das vantagens da sua localização geográfica.

Téte António recordou que na distribuição das exportações angolanas, muitas eram voltadas no passado para a África central.

Relativamente ao papel de Angola na promoção da paz e segurança da região, o chefe da diplomacia angolana vincou que o país participa sempre nesse esforço, “através da CEEAC, mas também de outras iniciativas, como a própria União Africana”.

“Por esta razão, já por duas vezes fomos membros do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, por duas vezes fomos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para participar no esforço coletivo de procura de soluções para a paz e segurança na região”, disse.

A organização tem como objetivo estabelecer a união económica, através da eliminação de direitos alfandegários e taxas de efeito equivalente sobre a importação e exportação de mercadorias, estabelecer e fazer a manutenção de uma tarifa aduaneira exterior comum, desenvolver uma política comercial comum e relativamente a Estados terceiros, promover a supressão de obstáculos à livre circulação de bens, serviços, pessoas e de capitais e direito de fixação de Estados-membros.

Com um mercado de cerca de 187 milhões de consumidores, a revisão do tratado impunha-se para redinamizar e modernizar a comunidade, adequando-a aos desafios do momento, segundo o ministro angolano.

O tratado revisto foi adotado em dezembro de 2019 pelos Estados-membros, representados na 9.ª sessão extraordinária da conferência dos chefes de Estado e de Governo da CEEAC, realizada em Libreville.

A revisão ao tratado da CEEAC teve como objetivo alterar a denominação do secretariado-geral da comunidade, passando assim a ser denominada comissão, estabelecer a composição dos membros da comissão, bem como determinar o procedimento da nomeação do presidente e vice-presidente da comissão e dos demais comissários.

A comissão instituída pelo tratado é o órgão executivo da comunidade, ao qual compete a execução de decisões da conferência de chefes de Estado e de Governo e a aplicação de regulamentos das diretivas do Conselho de Ministros.

Entre as alterações feitas, destaca-se igualmente a criação de um fundo de compensação de cooperação e desenvolvimento, destinado, entre outros, a compensar a perda resultante da liberalização das trocas comerciais e das medidas de salvaguarda.

A criação de uma quota comunitária, denominada Contribuição Comunitária de Integração, que visa garantir maior autonomia financeira da instituição e apoiar a realização de ações diversas em benefício da comunidade, é também ressaltada entre as mudanças.

A CEEAC foi instituída em 18 de outubro de 1983, em Libreville, capital do Gabão, e tem como Estados-membros Angola, Burundi, Camarões, República Centro-Africana, República do Congo, São Tomé e Príncipe, República Democrática do Congo, Gabão, Guiné Equatorial, Ruanda e Chade.

 

NME/RCR // VM

By Impala News / Lusa

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