Cerca de 20 movimentos políticos pediram hoje mudança de regime no Sudão

Cerca de 20 movimentos políticos pediram hoje mudança de regime no Sudão

Cerca de 20 movimentos políticos sudaneses pediram hoje uma mudança de regime para ultrapassar a crise económica que levou a manifestações recentes em todo o Sudão a pedir a saída do presidente Omar el-Bashir, no poder há 30 anos.

Em conferência de imprensa hoje, em Cartum, capital do Sudão, os partidos políticos declaram conjuntamente que a situação só pode mudar “ao estabelecer um novo regime no país” para que se possa ganhar “a confiança do povo sudanês”.

As manifestações registadas em várias cidades, incluindo a capital Cartum, e que começaram após um aumento do preço do pão em dezembro passado, passando de uma libra sudanesa (um centavo de euro) para três libras em plena crise económica, transformaram-se num movimento contra o regime do presidente Bashir, que chegou ao em 1989, através de um golpe de Estado.

Durante os primeiros dias do protesto, os edifícios e escritórios do partido do Congresso Nacional, no poder, foram incendiados pelos manifestantes.

Pelo menos 19 pessoas, incluindo dois membros das forças de segurança, foram mortas, segundo um relatório oficial, mas a organização de direitos humanos da Amnistia Internacional registou 37 mortes.

A polícia de choque dispersou manifestações com gás lacrimogéneo, enquanto os serviços de segurança prenderam vários líderes da oposição e ativistas.

Na sexta-feira passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu às autoridades sudanesas que “conduzam uma investigação completa sobre as mortes e a violência” e ressaltou a necessidade de “garantir liberdade de expressão e reunião pacífica”.

O presidente Bashir ordenou, na terça-feira, a criação de uma comissão para “Restaurar a democracia” para investigar a violência mortal registada durante os protestos.

“O presidente Omar al-Bashir ordenou a criação de uma comissão de inquérito presidida pelo ministro da Justiça para tratar dos acontecimentos dos últimos dias”, disse a agência oficial de notícias Suna, citando um decreto presidencial.

O Sudão está a viver uma crise monetária grave e uma inflação galopante, apesar do levantamento do embargo comercial dos EUA em outubro de 2017.

Apesar do levantamento das sanções, os Estados Unidos mantiveram o Sudão na lista de países que apoiam o “terrorismo” e os bancos estrangeiros, como os investidores estrangeiros, continuam cautelosos em relação ao país, divididos por décadas de conflito.

Na terça-feira, 22 movimentos políticos apelaram ao restabelecimento de um novo regime no Sudão.

“O regime de Bashir não está em condições para ultrapassar a crise, devido ao isolamento político, económico, regional e internacional”, referiam em comunicado aqueles movimentos políticos.

CCM // MAG

By Impala News / Lusa

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