Centenas de carros da Uber em protesto buzinam em frente à empresa

Centenas de carros da Uber buzinaram hoje sem parar em frente ao ‘green hub’ da empresa, em Lisboa, para mostrar o seu descontentamento com a recente redução dos preços decidida pela plataforma eletrónica.

Centenas de carros da Uber em protesto buzinam em frente à empresa

Centenas de carros da Uber em protesto buzinam em frente à empresa

Centenas de carros da Uber buzinaram hoje sem parar em frente ao ‘green hub’ da empresa, em Lisboa, para mostrar o seu descontentamento com a recente redução dos preços decidida pela plataforma eletrónica.

Buzinarem e mostrarem os seus dísticos de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica) foi a forma que os motoristas que aderiram a este protesto contra a redução das tarifas encontraram para “serem ouvidos” pelos responsáveis em Portugal.

O protesto dos motoristas da Uber começou hoje uma concentração, por volta das 10:00, no jardim fronteiro ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, de onde saíram hora e meia depois para iniciarem uma marcha de protesto.

A partida atrasou porque não houve autorização para fazerem a manifestação por parte da polícia, que inicialmente, iria fazer escolta aos carros.

Em Belém, os ânimos ficaram divididos quando um dos motoristas subiu ao banco de pedra e alertou os colegas que a polícia, ao contrário do inicialmente previsto, já não os iria escoltar e que poderiam ser identificados caso continuassem com o protesto.

Uns diziam para se “avançar sem medos” de forma a marcaram uma posição, enquanto outros apelavam ao bom senso e pediam para que as coisas corressem com “normalidade e respeito”.

“Fazemos uma marcha lenta silenciosa”, “vamos ficar online, respondemos a pedidos, mas não os fazemos” ou “os clientes não têm culpa e não podem ser prejudicados”, foram algumas das frases proferidas entre os motoristas.

Apesar de não ‘comandar’ o protesto, a polícia esteve presente em todo o trajeto: Avenida 24 de Julho, Avenida D. Carlos I, não permitindo a passagem à frente da Assembleia da República, mas orientando o trânsito para a Calçada da Estrela e voltando a não deixar os carros passarem para a rua da Imprensa à Estrela, onde se situa a residência oficial do primeiro-ministro.

Este protesto foi organizado através das redes sociais, nomeadamente no WhatsApp, depois de os motoristas terem recebido, no final da semana passada, uma mensagem por parte da plataforma eletrónica que dizia: “Novos preços, maior rentabilidade”.

“Aquilo que parecia ser uma boa notícia veio, no entanto, a confirmar-se que não era nada de bom”, disse a motorista Maria Gomes hoje de manhã à Lusa.

“Em três anos e meio as coisas mudaram bastante. Ao início dava, mas o modelo de negócio criado não dá para individuais”, acrescentou.

Essa decisão da empresa deu também origem a uma petição online, lançada na sexta-feira em https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT95559, e que até às 15:00 de hoje tinha sido assinada por 1.944 pessoas.

Os signatários pedem a intervenção do Presidente da República, do Governo, dos deputados e dos partidos com assento parlamentar contra os “constantes atropelos” à lei para o setor da atividade de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica).

Entre os atropelos, criticam os preços das tarifas praticadas, estabelecidos pelas plataformas eletrónicas, que “alteram os valores (sempre baixando os preços) sem preocupação com a remuneração de cada parceiro/motorista”, tornando “insuportável os valores inerentes” à atividade.

Para o motorista Marcos Pais, a solução dos problemas passaria por uma alteração na lei e “fixar um valor certo por viagem”, de forma a “não haver a possibilidade de as empresas fazerem ‘dumpping'”.

“Trata-se de uma guerra que não tem fim, é uma exploração completa”, reconheceu Marcos Pais.

Entre as várias questões apresentadas, a maioria dos motoristas queixa-se do valor dos seguros automóveis, que rondam os 2.000 a 2.500 euros anuais, excluindo algumas cláusulas, nomeadamente a do veículo de substituição.

“Atualmente os custos e ganhos não equilibram. A plataforma dá-me segurança no meu trabalho”, contou Maria Gomes, reconhecendo que atualmente se sente a trabalhar “à força”.

“Resmungamos muito, connosco e depois com os clientes, e ficamos iguais aos outros”, admitiu, lembrando que não é isso que deseja que continue a acontecer e reconhecendo que tem colegas que não podem “sequer pensar em desistir devido ao investimento que fizeram”.

Num ‘flyer’ onde se apelava ao protesto divulgado na internet, com a ‘hashtag’ ‘#uberoff’, os motoristas e parceiros da Uber dizem estar “cheios de cortes e de tarifas cada vez menores, enquanto as despesas aumentam cada dia”.

Contactada na sexta-feira pela Lusa, fonte oficial da UBER afirmou que “os motoristas podem escolher livremente estar ligados à aplicação, sendo que a Uber não impõe qualquer limitação nesse aspeto”, competindo-lhe “oferecer o melhor valor possível tanto a motoristas como utilizadores”, para poder “continuar a contar com a preferência de ambos”.

Hoje, novamente contactada pela Lusa sobre o protesto que envolve os seus motoristas, a Uber remeteu um comentário para mais tarde.

RCP (RCS) // MCL

By Impala News / Lusa

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