Camarões votam hoje para a próxima legislatura e nas municipais

Cerca de nove milhões de eleitores são hoje chamados às urnas nos Camarões, para escolher os 180 deputados da Assembleia Nacional, dois anos depois do inicialmente previsto, num dia em que se realizam também as eleições municipais.

Camarões votam hoje para a próxima legislatura e nas municipais

Camarões votam hoje para a próxima legislatura e nas municipais

Cerca de nove milhões de eleitores são hoje chamados às urnas nos Camarões, para escolher os 180 deputados da Assembleia Nacional, dois anos depois do inicialmente previsto, num dia em que se realizam também as eleições municipais.

O Comício Democrático do Povo dos Camarões (CPDM, na sigla francesa), do Presidente Paul Biya, e que nas eleições legislativas de 2013 conquistou 148 lugares, parte como o favorito para a conquista de mais uma maioria parlamentar.

O Movimento para o Renascimento dos Camarões (MRC), do opositor Maurice Kamto, que ficou em segundo lugar nas presidenciais de 2018, não vai participar nas eleições, depois de o líder ter rejeitado a entrada do partido devido à violência no país.

Mais de 40 partidos estão na corrida por lugares num parlamento que, na anterior legislatura, contou com sete partidos da oposição, cujo maior grupo parlamentar pertencia à Frente Social Democrática (SDF, na sigla inglesa), que historicamente representa as regiões anglófonas.

A participação da SDF, que ameaçou um boicote, surge num momento em que os esforços para a resolução do conflito anglófono no país começa a apresentar melhorias, com a concretização de um diálogo nacional, em outubro.

O Partido dos Camarões para a Reconciliação Nacional (PCRN, na sigla francesa), do jornalista Cabral Libii, é apontado como um dos favoritos à conquista de lugares na Assembleia Nacional e espera ultrapassar o SDF e tornar-se o principal partido da oposição camaronesa.

Os Camarões têm sido palco de vários conflitos nos últimos meses. Enquanto o norte do país é alvo de ataques de grupos ‘jihadistas’, como o Boko Haram, as regiões anglófonas de Noroeste e Sudoeste são palco de uma revolução separatista que tem perturbado a imagem do país como uma zona estável na África Central.

De acordo com o International Crisis Group (ICG), estima-se que 3.000 pessoas tenham morrido na parte ocidental do país e que centenas de milhares abandonaram as suas casas.

A participação destas duas regiões nas eleições presidenciais de 2018 ficou-se pelos 10%.

Uma das decisões resultantes do encontro passa pelo aumento da autonomia das regiões.

A escolha dos deputados para a Assembleia Nacional, situada na capital, Yaoundé, realiza-se hoje e depois de ter sido adiada duas vezes, por questões “logísticas e financeiras”.

Maurice Kamto, que esteve preso entre janeiro e outubro de 2019, após ter sido detido num protesto em que contestava os resultados presidenciais, considera que é impossível haver uma eleição justa.

JYO // LFS

By Impala News / Lusa

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