Cabo Verde/Eleições: José Maria Neves critica “mobilização desesperada” do Governo na campanha

O candidato a Presidente da República de Cabo Verde José Maria Neves disse hoje que fez uma campanha com “grande civismo” e apontou como ponto negativo a “mobilização desesperada” do Governo e a utilização de recursos públicos.

Cabo Verde/Eleições: José Maria Neves critica

Cabo Verde/Eleições: José Maria Neves critica “mobilização desesperada” do Governo na campanha

O candidato a Presidente da República de Cabo Verde José Maria Neves disse hoje que fez uma campanha com “grande civismo” e apontou como ponto negativo a “mobilização desesperada” do Governo e a utilização de recursos públicos.

“Não só as viagens como utilização dos meios de transportes e de outros recursos de Estado, a mobilização de todo o Governo, de chefes de serviços desconcentrados do Estado, de diretores-gerais, diretores dos institutos. Portanto, uma mobilização desesperada e nunca antes vista no país nas eleições presidenciais”, criticou o candidato, quando instado a fazer um balanço dos 16 dias de campanha eleitoral que terminam hoje, com vista às eleições do próximo domingo.

O candidato apoiado pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) e de que foi presidente, disse que vai reportar esta questão aos observadores internacionais, num encontro no sábado, onde vai aproveitar ainda para realçar a necessidade de se alterar o Código Eleitoral cabo-verdiano.

“Acho que devemos fazer algumas proibições na própria lei. É claro que essas coisas dependem mais do comprometimento cívico de cada um, mas temos que fazer uma revisão profunda do nosso Código Eleitoral para aperfeiçoarmos a administração eleitoral e não nos atermos a um conjunto de formalidades, quando toda gente vê o que acontece e não há possibilidade de serem tomadas medidas efetivas”, afirmou, citado pela Inforpress.

Esta semana, o Governo, pela voz da ministra Filomena Gonçalves, negou que a utilização de recursos do Estado na campanha eleitoral de Carlos Veiga, candidato apoiado pelo Movimento para a Democracia (MpD, no poder), de que foi um dos fundadores e presidente.

Relativamente à sua campanha eleitoral, José Maria Neves, que esteve de manhã em Assomada, sua cidade natal no interior da ilha de Santiago, disse que decorreu com “grande civismo” e destacou a mobilização das pessoas à volta da candidatura, reafirmando, por isso, a vontade de ser eleito logo à primeira volta.

“Nós estamos a apelar às pessoas para irem às urnas, para irem votar para decidirem pelo futuro de Cabo Verde e estamos também a mobilizar a disporá para esta grande jornada cívica do dia 17”, apelou o candidato, que também já foi primeiro-ministro de Cabo Verde (2001 — 2016).

José Maria Neves vai encerrar a sua campanha eleitoral à noite num comício em Achada de Santo António, na cidade da Praia.

Cabo Verde realiza eleições presidenciais em 17 de outubro de 2021, estando inscritos quase 400 mil eleitores, no país e na diáspora.

Além de Neves, o Tribunal Constitucional admitiu as candidaturas de Carlos Veiga, Fernando Rocha Delgado, Gilson Alves, Hélio Sanches, Joaquim Jaime Monteiro e Casimiro de Pina.

Esta é a primeira vez que Cabo Verde regista sete candidatos oficiais a Presidente da República em eleições diretas, depois de até agora o máximo ter sido quatro, em 2001 e 2011.

A campanha eleitoral decorre desde 30 de setembro e vai até às 23:59 de hoje e, em caso de uma segunda volta, vai acontecer em 31 do mesmo mês.

De acordo com a Constituição de Cabo Verde, o Presidente da República é eleito por sufrágio universal e direto pelos cidadãos eleitores recenseados no território nacional e no estrangeiro.

Só pode ser eleito Presidente da República o cidadão “cabo-verdiano de origem, que não possua outra nacionalidade”, maior de 35 anos à data da candidatura e que, nos três anos “imediatamente anteriores àquela data tenha tido residência permanente no território nacional”.

Cabo Verde já teve quatro Presidentes da República desde a independência de Portugal em 1975, sendo o primeiro o já falecido Aristides Pereira (1975 – 1991) e por eleição indireta, seguido do também já falecido António Mascarenhas Monteiro (1991 — 2001), o primeiro por eleição direta, em 2001 foi eleito Pedro Pires e 10 anos depois Jorge Carlos Fonseca.

As últimas presidenciais em Cabo Verde, que reconduziram o constitucionalista Jorge Carlos Fonseca, que já não pode concorrer, como Presidente da República, realizaram-se em 02 de outubro de 2016 (eleição à primeira volta, com 74% dos votos).

RIPE//RBF

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By Impala News / Lusa

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