Cabo Verde reforça segurança da rede informática após ataque de novembro

Cabo Verde investiu meio milhão de euros para reforçar a segurança das redes informáticas do país, após o ataque à Rede Tecnológica Privativa do Estado, em novembro, que durante várias semanas condicionou os serviços públicos.

Cabo Verde reforça segurança da rede informática após ataque de novembro

Cabo Verde reforça segurança da rede informática após ataque de novembro

Cabo Verde investiu meio milhão de euros para reforçar a segurança das redes informáticas do país, após o ataque à Rede Tecnológica Privativa do Estado, em novembro, que durante várias semanas condicionou os serviços públicos.

A medida consta de uma resolução do Conselho de Ministros, de 14 de abril, que autoriza a emissão de um aval do Estado a favor de um empréstimo bancário de mais de 56,8 milhões de escudos (515 mil euros) da Caixa Económica de Cabo Verde a favor da empresa pública NOSi, responsável pela coordenação da promoção da sociedade de informação e da governação eletrónica.

De acordo com o documento, a que a Lusa teve hoje acesso, a empresa NOSi foi abrigada “a atuar de forma imprescindível no reforço da cibersegurança, o que requereu a realização de investimentos”, recorrendo ao empréstimo bancário face “ao cenário crítico e de riscos”, obrigando à “aquisição de equipamentos informáticos robustos e de segurança, através de um fornecedor externo”.

“No passado dia 26 de novembro de 2020 a Rede Tecnológica Privativa do Estado (RTPE) foi vítima de um ciberataque em larga escala, com impacto grave sobre os seus sistemas ‘core’, comprometendo toda comunicação na RTPE (interna e externa), e a sua propagação nas redes secundárias da RTPE, implicando disrupção dos serviços mais críticos do Estado”, lê-se ainda na resolução, que autoriza a Direção-Geral do Tesourou a emitir o aval, válido por cinco anos, tal como a maturidade do empréstimo bancário.

A resolução recorda “o aumento de atividades maliciosas” relacionadas com o cibercrime e “os desafios que Cabo Verde enfrenta para garantir a segurança no ciberespaço”, os quais estão “cada vez mais presentes na agenda do desenvolvimento, o que requer do Governo medidas de segurança apropriadas e adequadas para combater esses fenómenos”.

O presidente do Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi) cabo-verdiano disse em 30 de novembro que o ataque à RTPE teve origem internacional e estava a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República e pela Interpol.

“Estamos em sintonia com a Procuradoria-Geral da República que acionou as suas parcerias internacionais, para fazer uma investigação forense”, afirmou na altura Carlos Pina, indicando que uma dessas entidades internacionais é a Interpol.

O presidente do NOSi falava cinco dias após um ataque do ‘software’ malicioso ‘ransomware’, que obrigou à suspensão temporária de alguns serviços públicos.

“É uma rede criminosa internacional que tem células espalhadas por vários países e, não temos essa evidência, mas está em aberto a possibilidade que poderemos, eventualmente, ter alguma célula em Cabo Verde”, assegurou o responsável institucional cabo-verdiano.

Quanto à necessidade de existir uma rede secundária, o presidente do NOSi reconheceu então que esse é um problema que será resolvido com a entrada em funcionamento do Data Center do Mindelo, na ilha de São Vicente.

A RTPE é uma plataforma tecnológica que permite o acesso dos agentes do Estado a serviços comuns como, por exemplo, a Internet e correio eletrónico, mas também a soluções aplicacionais de gestão nas mais diversas áreas da administração do Estado e da governação.

O ‘ransomware’, apelidado de ‘WannaCry’, é um vírus que ataca empresas e instituições.

Segundo o NOSi, este vírus encripta toda a informação armazenada no computador e o atacante exige o pagamento de um determinado valor para o utilizador voltar a ter acesso ao computador e aos seus ficheiros.

Também o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, pediu em janeiro às Forças Armadas (FA) para se prepararem “muito seriamente para a defesa cibernética do país”, garantindo assim o “normal funcionamento” da Internet e “em especial da governação eletrónica” cabo-verdiana.

Para o chefe de Estado, “Cabo Verde e os cabo-verdianos estão cientes da situação real das Forças Armadas”, mas “ao mesmo tempo precisam estar seguros de que a sua soberania está salvaguardada”.

“Mas, mais do que a defesa tridimensional do território, as Forças Armadas têm de preparar-se muito seriamente para a defesa cibernética do país, pelo que, devem adequar-se convenientemente para contribuir para segurança do espaço cibernético e o normal funcionalmente das redes de Internet, em especial da governação eletrónica do país”, afirmou o Presidente e Comandante Supremo das Forças Armadas.

Na sequência do ataque à rede estatal cabo-verdiana, Jorge Carlos Fonseca defendeu que é necessário que todos estejam “muito atentos às consequências das alterações climáticas” para Cabo Verde, que “poderão ser muito sérias”, assim como “à nova realidade que é a guerra cibernética”, recordando que “recentemente causou importantes danos ao país”.

PVJ // VM

By Impala News / Lusa

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