Brasil/Eleições: Racismo sofrido por Seu Jorge é “o retrato do Sul” — Deputado

O recém-eleito deputado estadual pelo Paraná, Renato Freitas, considerou à Lusa que o ataque racista ao artista Seu Jorge durante um concerto é “o retrato do Sul do país”.

Brasil/Eleições: Racismo sofrido por Seu Jorge é

Brasil/Eleições: Racismo sofrido por Seu Jorge é “o retrato do Sul” — Deputado

O recém-eleito deputado estadual pelo Paraná, Renato Freitas, considerou à Lusa que o ataque racista ao artista Seu Jorge durante um concerto é “o retrato do Sul do país”.

“É o retrato do sul. As pessoas que vaiaram o Seu Jorge, que hostilizaram Seu Jorge, fizeram-no porque ligaram a pessoa dele, uma pessoa negra, à política adversária, aos políticos que são vistos neste clima eleitoral como inimigos”, afirmou à Lusa.

Segundo o deputado, uma figura em ascensão no panorama político de esquerda no sul do país, a reação a Seu Jorge prede-se com o “medo de que a justiça esteja de facto estabelecida” no Brasil, “porque uma justiça estabelecida retirará os privilégios brancos”.

Na sexta-feira, dia 14 de outubro, Seu Jorge foi vítima de ataques racistas durante um concerto privado realizado no Clube Grêmio Náutico União, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Em áudios divulgados pela comunicação social local, é possível ouvir pessoas a chamarem de macaco ao artista brasileiro. Num outro áudio é possível também ouvir a justificação o presidente do clube dizendo que Seu Jorge foi vaiado por causa da sua roupa descontraída e a um gesto político associado à esquerda. “Falta de decoro”, resumiu o responsável.

A expressão falta de decoro foi também utilizada para suspender o mandato de vereador de Curitiba a Renato Freitas, após uma manifestação pacífica na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em protesto contra o assassinato do congolês Moïse Kabagambe no Rio de Janeiro.

Vinte e três vereadores votaram a favor do “procedimento incompatível com o decoro parlamentar”, para suspender o mandato do petista negro. O mandato foi entretanto reposto.

Em oposição ao Nordeste brasileiro, que votou maciçamente em Lula da Silva, o Sul mostrou que pretende Bolsonaro no comando do país.

Na cidade de Curitiba, Lula da Silva teve pouco mais de 30% dos votos, numa eleição liderada com 55,26% dos votos válidos para Bolsonaro.

Esta votação prende-se muito, na opinião do professor universitário e advogado popular, de 38 anos, com uma “identidade primeiramente racial”.

“Bolsonaro é um descendente de italiano”, recordou, acrescentando que “o Brasil foi muito construído a partir de políticas migratórias, no período pós escravatura e Bolsonaro faz parte dessa transição”.

O facto de Curitiba ter uma população de aproximadamente 80% brancos, dos quais muitos destes descendentes de ucranianos, polacos, italianos e alemães, há uma propensão para intitularem a cidade como “capital europeia”, detalhou o deputado estadual.

“E quando eles dizem capital europeia, de primeiro mundo, civilizada eles estão de outro modo dizendo que as cidades de maioria negra são cidades atrasadas, como as capitais do nordeste, por exemplo”, frisou, lembrando frases separatistas que são ditas regularmente: “o sul é o meu país”.

Este sentimento, segundo o deputado estadual, de “um outro Brasil, um Brasil que funciona, de pessoas sérias, honestas e que trabalham” agudizou-se com o processo de impeachment da então presidente brasileira Dilma Rousseff e com a condenação de Lula da Silva em 2017 por parte de Sergio Moro, então juiz federal de primeira instância.

O racismo, disse, é um traço identitário da cidade e um “traço importante político”, através de uma construção para que as “periferias fossem cidades dormitório”, numa “lógica de classes impiedosa e racialmente cruel”.

Luiz Inácio Lula da Silva venceu a primeira volta das eleições com 48,4% dos votos e Jair Bolsonaro recebeu 43,2%, pelo que os dois candidatos terão de se enfrentar numa segunda volta marcada para 30 de outubro.

 

 

MIM // PJA

By Impala News / Lusa

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