Borrell lamenta saída do patriarca Cirilo da lista de sanções da UE

O chefe da diplomacia da União Europeia lamentou hoje que o chefe da Igreja Ortodoxa russa tenha sido retirado da nova lista de sanções à Rússia, comentando que tal “demonstra os limites da política externa com base na unanimidade”.

Borrell lamenta saída do patriarca Cirilo da lista de sanções da UE

Borrell lamenta saída do patriarca Cirilo da lista de sanções da UE

O chefe da diplomacia da União Europeia lamentou hoje que o chefe da Igreja Ortodoxa russa tenha sido retirado da nova lista de sanções à Rússia, comentando que tal “demonstra os limites da política externa com base na unanimidade”.

“Os líderes religiosos não devem ser protegidos da responsabilidade de apoiar a guerra de Putin”, escreveu Josep Borrell, numa série de publicações na sua conta oficial na rede social Twitter, a assinalar a adoção formal do sexto pacote de sanções contra a Rússia pela sua agressão militar à Ucrânia, que ‘poupou’ o patriarca Cirilo, por pressão da Hungria.

O Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa e de Segurança saúda os restantes aspetos do pacote de sanções, que avançou finalmente depois do acordo político alcançado pelos líderes europeus no Conselho Europeu celebrado segunda e terça-feira em Bruxelas, designadamente o embargo, até final do ano, a “90% das importações de petróleo russo”, que, segundo argumenta, representa “um grande golpe no orçamento de guerra de [Vladimir] Putin”, o Presidente russo.

Precisamente no 100.º dia da guerra lançada pela Rússia na Ucrânia, a UE formalizou hoje a adoção do sexto pacote de sanções, que tem como elemento central um embargo progressivo às importações de petróleo russo, mas que, na lista atualizada de indivíduos alvo de medidas restritivas pelo seu apoio à agressão militar, deixou de fora o líder da Igreja Ortodoxa, que constava da proposta original apresentada pelo Alto Representante ao Conselho.

Após ter mantido bloqueada, durante praticamente um mês, a aprovação deste sexto pacote de sanções até obter as salvaguardas desejadas a nível do embargo ao petróleo — que a Hungria poderá continuar a importar por via de oleoduto, sem um prazo fixado para o final desta exceção -, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, impôs também a retirada do líder da Igreja Ortodoxa russa da lista de sanções, como condição para Budapeste aprovar o pacote na globalidade.

A proposta original de Borrell incluía na lista de indivíduos a serem sancionados o patriarca Cirilo, descrito como “um aliado de longa data do Presidente Vladimir Putin, que se tornou um dos mais proeminentes apoiantes da agressão militar russa contra a Ucrânia”, nomeadamente por ter apoiado o que intitulou como “operação especial de manutenção da paz” russa e a ter classificado como “operação de limpeza religiosa” e ainda por ter “abençoado os soldados russos”.

“O patriarca Cirilo é, portanto, responsável por apoiar ou implementar, ações ou políticas que minam ou ameaçam a integridade territorial, soberania e independência da Ucrânia, bem como a estabilidade e segurança na Ucrânia”, difundindo “a mensagem de que o território do Donbass e outras áreas ucranianas pertencem à Rússia Santa e, por conseguinte, deveriam ser purificados dos seus inimigos”, referia a proposta.

Na lista de sancionados mantém-se o coronel e comandante da operação militar em Bucha, Azatbek Asanbekovich Omurbekov, que “liderou as ações da sua unidade militar e foi apelidado de ‘Carniceiro de Bucha’ devido à sua responsabilidade direta em assassínios, violações e tortura”.

A lista de sanções da UE dirigida à Rússia, aberta depois da anexação da Crimeia em 2014, passa a contar com 1.090 pessoas e 80 entidades.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas, de acordo com os dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados e deslocados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa — justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

ACC (ANE/IG) // SCA

By Impala News / Lusa

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