Bombeiros dizem que compra do SIRESP pelo Estado põe fim “ao total descontrolo”

A Liga dos Bombeiros Portugueses considerou hoje “absolutamente acertada” a decisão do Governo de ficar com 100% do capital do SIRESP, avançando que põe fim “ao total descontrolo”.

Bombeiros dizem que compra do SIRESP pelo Estado põe fim

Bombeiros dizem que compra do SIRESP pelo Estado põe fim “ao total descontrolo”

A Liga dos Bombeiros Portugueses considerou hoje “absolutamente acertada” a decisão do Governo de ficar com 100% do capital do SIRESP, avançando que põe fim “ao total descontrolo”.

“É o fim de uma telenovela que já se arrastava há muito tempo com graves preocupações e prejuízos para todos aqueles que utilizavam esta ferramenta tão importante para a segurança das pessoas”, disse à agência Lusa o presidente da LBP.

Jaime Marta Soares reagia à conclusão do acordo anunciado hoje para a compra pelo Estado, por sete milhões de euros, da parte dos operadores privados, Altice e Motorola, no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança (SIRESP).

O presidente da LBP considerou tratar-se “de uma decisão absolutamente acertada”, que só “peca por tardia”.

Jaime Marta Soares sublinhou que tem existido “efetivamente um total descontrolo” e “ninguém sabia a quem pedir responsabilidades” quando o SIRESP falhava.

Com o Estado a ficar com 100% do capital, já se pode pedir responsabilidades e reclamar, sustentou, afirmando que os bombeiros chamaram desde sempre a atenção “para a exigência daquela ferramenta, que tinha de estar sempre em pleno funcionamento e não podia ter falhas como infelizmente se vieram a detetar”.

Jaime Marta Soares recordou também que todos aqueles que utilizam o SIRESP, nomeadamente forças e serviços de segurança, INEM e bombeiros, tiveram problemas em certos momentos e ficaram sem qualquer tipo de comunicação.

O mesmo responsável destacou a importância do SIRESP, considerando ser uma “ferramenta fundamental para o êxito de qualquer missão” e de “vital importância para a segurança do país”.

Nesse sentido, frisou que o único detentor deste sistema de comunicações “tinha de ser o Estado”.

O decreto-lei, aprovado hoje em Conselho de Ministros, “transfere integralmente para a esfera pública” as funções relacionadas com “a gestão, operação, manutenção, modernização e ampliação da rede SIRESP, e também a estrutura empresarial.

A transferência será feita em 01 de dezembro de 2019 e o Estado vai pagar sete milhões de euros, que corresponde a 33.500 ações, afirmou, no final da reunião, o secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo.

O valor de “cerca de sete milhões de euros” foi apurado “com base na situação líquida da empresa em dezembro de 2018, contas devidamente auditadas e aprovados em assembleia geral, ao qual se aplica um desconto de 10%”.

O presidente do LBP disse ainda que espera que até dezembro “se possa fazer as análises que têm de ser feitas, corrigir o que há a corrigir” e que o Governo “saiba escolher os técnicos que vão ficar à frente” do SIRESP.

Jaime Marta Soares chamou ainda a atenção para necessidade de garantir, até dezembro, que “não vai haver falhas” e que todo o sistema vai funcionar durante esta época de fogos.

Em 2017, foram públicas as falhas do sistema de comunicações durante o combate aos grandes incêndios de Pedrógão Grande, em junho, e na região centro do país, em outubro.

Depois dos incêndios de 2017, o Governo aprovou em Conselho de Ministros um novo contrato com a entidade gestora do SIRESP, que deveria entrar em funcionamento em 2018, mas foi chumbado duas vezes pelo Tribunal de Contas.

Apesar do chumbo, a entidade gestora avançou, em 2018 com alterações no SIRESP, passando a rede a estar dotada com mais 451 antenas satélite e 18 unidades de redundância elétrica.

As negociações entre o Estado e as dois acionistas do SIRESP começaram quando a entidade gestora deste sistema de comunicações ameaçou, no início de maio, cortar o sinal da rede satélite, que garante o funcionamento das comunicações de emergência quando a rede convencional falha, devido a uma dívida de 11 milhões de euros do Estado.

O SIRESP é atualmente detido em 52,1% pela PT Móveis (Altice Portugal) e 14,9% pela Motorola Solutions, sendo 33% da Parvalorem (Estado).

CMP (NS) // JNM

By Impala News / Lusa

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