BE não pode viabilizar Orçamento de Estado 2022 apresentado pelo Governo

A líder do BE considerou hoje que a proposta de Orçamento do Estado é “um balde de água fria” e advertiu que, “neste momento”, o partido não pode viabilizar o documento.

BE não pode viabilizar Orçamento de Estado 2022 apresentado pelo Governo

BE não pode viabilizar Orçamento de Estado 2022 apresentado pelo Governo

A líder do BE considerou hoje que a proposta de Orçamento do Estado é “um balde de água fria” e advertiu que, “neste momento”, o partido não pode viabilizar o documento.

Catarina Martins considerou hoje que a proposta de Orçamento do Estado 2022 é “um balde de água fria” e advertiu que, “neste momento”, o Bloco de Esquerda (BE) não pode viabilizar um documento em que não reconhece “propostas fundamentais”. O BE procurará, contudo, “todos os dias, até ao último dia”, perceber se “é possível haver uma negociação que avance” mas avisou que “neste momento, o Orçamento do Estado que foi entregue é, desse ponto de vista, um autêntico balde de água fria e não responde a nenhuma das áreas que o Bloco de Esquerda determinou como fundamentais e que o país compreende como fundamentais”.

Falando aos jornalistas em Setúbal sobre a proposta de OE2022 apresentada hoje pelo Governo, a coordenadora nacional bloquista declarou que “o Bloco de Esquerda não vai viabilizar um Orçamento do Estado em que não reconhece propostas fundamentais” nas áreas da saúde, pensões e nas questões laborais. “Este Orçamento de Estado não mexe em nada na saúde, e, portanto, promete o que não pode cumprir, porque, não alterando as regras, os concursos [para a contratação de médicos para o Serviço Nacional de Saúde(SNS)] vão continuar a ficar vazios”, disse Catarina Martins.

“No que diz respeito às pensões, tenta dar uma migalha às pensões mais baixas, mas não faz a justiça absoluta de retirar o corte do fator de sustentabilidade para quem trabalhou toda uma vida. E isso sim, seria fazer justiça a quem trabalhou, quer uma pensão digna e merece uma pensão digna”, acrescentou a líder do BE. Catarina Martins falava aos jornalistas após reunir-se com a administração do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), na sequência da demissão do diretor clínico e de mais 87 diretores e coordenadores de serviços, que alertaram para a falta de médicos em diversas especialidades daquela unidade hospitalar.

A coordenadora nacional do BE considerou que o OE2022 “também não faz nada nas questões laborais, para, por exemplo, combater os despedimentos de milhares de trabalhadores que estão em curso, para serem substituídos por trabalhadores em `outsourcing´ (trabalhadores externos) com salários muito mais baixos”. “Ora, não existindo capacidade de reforçar o SNS com regras que o façam funcionar, não sendo possível fazer justiça a quem trabalhou toda uma vida, não se mexendo nas regras do trabalho num país em que há tanta gente com salários congelados há mais de uma década, tanta gente que trabalha tanto, que tem tantas qualificações e cujo salário não chega ao fim do mês, é difícil que um orçamento assim seja viabilizado à esquerda”, advertiu.

Referindo-se à situação que se vive no Hospital de São Bernardo, principal unidade de saúde do CHS, Catarina Martins também identificou três problemas que, para o BE, têm de ser rapidamente resolvidos. “Em primeiro lugar há um investimento, nomeadamente nas condições físicas da urgência, que tem vindo a ser sucessivamente protelado, que já está decidido, que já está cabimentado, mas nunca mais avança. E tem mesmo de avançar”, disse.

“Em segundo lugar, este hospital tem um financiamento todos os anos muito inferior às condições que lhe são exigidas, ou seja, é financiado como se fosse um hospital que serve um território mais ou menos pequeno, e não muito especializado, quando é um centro hospitalar com muita diferenciação e que serve um território muito grande – nalgumas especialidades serve todo o sul do país – e, portanto, o seu financiamento é pura e simplesmente insuficiente para as suas responsabilidades quotidianas”, acrescentou.

Catarina Martins referiu ainda um terceiro problema que urge resolver, e que passa pela criação de carreiras médicas e de enfermagem atrativas no SNS, para que médicos e enfermeiros não deixem os concursos vazios e não continuem a optar pelo setor privado, obrigando os hospitais públicos a recorrerem a médicos prestadores de serviços.

“Alguém compreende que continuemos a gastar 150 milhões de euros em empresas de prestadores de serviços para termos médicos a falsos recibos verdes nas urgências, em vez de se alterar as regras e termos a contratação de médicos e equipas a funcionar todos os dias no Serviço Nacional de Saúde”, questionou Catarina Martins. “É sobre estas regras que podem trazer saúde ao Serviço Nacional de Saúde e à economia portuguesa que o Bloco de Esquerda se bate”, acrescentou Catarina Martins, reiterando a ideia de que o Orçamento do Estado apresentado hoje pelo Governo do PS foi uma “enorme desilusão”.

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