Bangladesh pede à China que coopere no repatriamento dos refugiados rohingyas

A China usou a sua influência no Myanmar para intermediar um acordo, em novembro de 2017, para repatriar cerca de 700 mil refugiados rohingya, que escaparam da perseguição no país, em agosto daquele ano

Bangladesh pede à China que coopere no repatriamento dos refugiados rohingyas

Bangladesh pede à China que coopere no repatriamento dos refugiados rohingyas

A China usou a sua influência no Myanmar para intermediar um acordo, em novembro de 2017, para repatriar cerca de 700 mil refugiados rohingya, que escaparam da perseguição no país, em agosto daquele ano

Pequim, 08 ago 2022 (Lusa) — O Bangladesh pediu no domingo à China que coopere no repatriamento de refugiados da minoria étnica muçulmana rohingyas para o Myanmar (antiga Birmânia), durante uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.

Apesar das tentativas para enviá-los de volta, os refugiados recusaram, por temerem os perigos a que estão sujeitos no Myanmar, e que foram exacerbados pela tomada do poder pela junta militar, no ano passado.

Wang chegou a Daca no sábado e reuniu com o primeiro-ministro, Sheikh Hasina, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, A.K. Abdul Momen.

A China é um importante parceiro comercial do Bangladesh. Mas manter laços próximos com Pequim é um desafio para Daca, que tem também de equilibrar as relações diplomáticas e comerciais com a Índia e os Estados Unidos, os principais rivais da China.

Mais de 500 empresas chinesas estão ativas no Bangladesh. A China está envolvida em muitos dos principais projetos de infraestrutura do país, incluindo portos, túneis fluviais e autoestradas.

Pequim ajudou a construir a maior ponte do país, sobre o rio Padma, e cujo custo da obra ascendeu a 3,6 mil milhões de dólares (mais de 3,5 mil milhões de euros).

Face às tensões recentes entre Pequim e Taipé, o Bangladesh emitiu um comunicado a reiterar o seu apoio à política de ‘Uma só China’, visto pela República Popular da China como uma garantia de que Taiwan é uma província sua, e não uma entidade política soberana.

Após vencer as eleições, em 2008, a administração de Hasina fechou o escritório de representação empresarial de Taiwan em Daca, em resposta a um pedido da China e, desde então, a China aumentou o seu envolvimento no país.

A indústria têxtil do Bangladesh, que é responsável pela entrada de 80% da moeda estrangeira no país, depende fortemente do fornecimento de matérias-primas pela China.

No domingo, Wang disse a Hasina que o seu país considera o Bangladesh um “parceiro de desenvolvimento estratégico”, segundo Ihsanul Karim, o secretário de imprensa presidencial.

A agência de notícias United News of Bangladesh informou ainda que Wang prometeu apoiar o Bangladesh “em todas as questões em fóruns internacionais”.

A Bangladesh Sangbad Sangstha, agência de notícias estatal, informou que Hasina abordou as tensões globais causadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia e as consequentes sanções impostas contra Moscovo.

“As pessoas [em todo o mundo] estão a enfrentar tempos difíceis. O sul da Ásia, o Sudeste Asiático e a China devem trabalhar em conjunto para alcançar o progresso económico”, defendeu Hasina.

Wang concordou ainda em alargar as políticas preferenciais no comércio com o país, aumentando de 97% para 98% a percentagem de produtos e serviços do Bangladesh que beneficiam de isenção de impostos no mercado chinês.

“É uma boa notícia para o Bangladesh, pois temos uma economia próspera, baseada em exportações”, disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Bangladesh, Shahriar Alam.

O responsável disse que o Bangladesh vai receber em breve uma lista da China com os produtos e serviços que vão beneficiar de isenção de impostos.

Alam afirmou ainda que a China se comprometeu a trabalhar continuamente para resolver a crise dos rohingyas.

“O nosso ministro dos Negócios Estrangeiros reiterou fortemente que a cooperação chinesa é necessária. A China progrediu na resolução da questão dos rohingyas e precisamos que esta situação chegue ao fim”, disse.

No domingo, o Bangladesh e a China assinaram ou renovaram quatro acordos e memorandos de entendimento sobre gestão de desastres, construção de infraestrutura e intercâmbio cultural.

O analista Munshi Faiz Ahmad, que atuou como embaixador do Bangladesh em Pequim, disse que a visita de Wang foi muito significativa para os dois países.

“Para resolver a crise dos rohingyas, o Bangladesh precisa do apoio da China. Esta visita vai ajudar a reforçar as relações bilaterais”, disse Ahmad, citado pela agência Associated Press.

“Para nós, a China é muito importante. Também precisamos de manter boas relações com a Índia e os Estados Unidos, pois eles também são parceiros de desenvolvimento muito importantes do Bangladesh”, apontou.

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By Impala News / Lusa

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