Banco Central Europeu prolonga recomendação para bancos não pagarem dividendos até final do ano

O BCE prolongou a recomendação aos bancos para que não paguem dividendos até final do ano, com o diretor da supervisão bancária a anunciar que a decisão será revista em dezembro.

Banco Central Europeu prolonga recomendação para bancos não pagarem dividendos até final do ano

Banco Central Europeu prolonga recomendação para bancos não pagarem dividendos até final do ano

O BCE prolongou a recomendação aos bancos para que não paguem dividendos até final do ano, com o diretor da supervisão bancária a anunciar que a decisão será revista em dezembro.

Frankfurt, Alemanha, 28 jul 2020 (Lusa) – O Banco Central Europeu (BCE) prolongou hoje a recomendação aos bancos para que não paguem dividendos até final do ano, com o diretor da supervisão bancária a anunciar que a decisão será revista em dezembro.

“O Banco Central Europeu (BCE) estendeu hoje as sua recomendação aos bancos quanto à distribuição de dividendos e recompra de ações até 01 de janeiro de 2021, e pediu aos bancos que sejam extremamente moderados relativamente à remuneração variável”, pode ler-se numa nota de imprensa hoje divulgada pela divisão de supervisão bancária do BCE.

Segundo a mesma nota, o BCE também “clarificou que dará tempo suficiente aos bancos para repor as suas ‘almofadas’ de capital e liquidez, para não agirem pró-ciclicamente”.

“Esta atualização da recomendação sobre a distribuição de dividendos permanece temporária e excecional, e tem como objetivo preservar a capacidade dos bancos de absorverem perdas e apoiarem a economia neste ambiente de excecional incerteza”, justifica Frankfurt.

Numa conferência com jornalistas que se seguiu ao anúncio por parte do BCE, o diretor da supervisão bancária do BCE, Andrea Enria, admitiu que a decisão “não será particularmente bem recebida pelos investidores”, mas aludiu à natureza excecional e temporária da medida, considerando-a “necessária” numa altura em que os bancos “devem focar os seus recursos de capital nos empréstimos e na absorção de perdas”.

“Vamos rever a decisão em dezembro, e se conseguirmos estimar com maior certeza o impacto das previsões macroeconómicas na qualidade dos ativos, e se os nossos supervisores estiverem completamente convencidos das projeções de capital são suficientemente credíveis, retiraremos a recomendação e voltaremos à nossa avaliação normal banco a banco”, argumentou o responsável.

Questionado se a recomendação é legalmente vinculativa, Andrea Enria referiu que não, mas referiu que o BCE tem ao seu dispor “a possibilidade de lançar requerimentos vinculativos numa base banco a banco quanto à distribuição [de dividendos]”.

“Não hesitaremos em fazer isso se os bancos não cumprirem com as nossas recomendações, mas diria que estou muito satisfeito com o facto dos bancos terem seguido as nossas recomendações”, acresentou o diretor da supervisão bancária no BCE.

Andrea Enria deixou ainda uma nota acerca dos bancos com elevada exposição a crédito malparado, referindo que as instituições que começaram a crise nessa situação estarão “numa posição particularmente desafiante”.

Neste campo, o supervisor afirmou também que os bancos “não têm de submeter os seus planos de redução de crédito malparado até março de 2021”.

“Isto é necessário porque não há visibilidade suficiente, hoje, do caminho da deterioração da qualidade dos ativos nos próximos meses”, referiu Enria que, no entanto, incentivou as instituições com mais malparado a “assegurarem que continuam o seu caminho de ajustamento o mais cedo possível, aproveitando todas as oportunidades” para reduzir o malparado.

JE // JNM

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS