Associação de Macau critica exclusão de 310 mil eleitores na votação para chefe de Governo

A Associação Novo Macau, um movimento pró-democracia, criticou hoje a exclusão de 310 mil eleitores na votação para chefe do Governo que resultou na escolha do único candidato, o ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL).

Associação de Macau critica exclusão de 310 mil eleitores na votação para chefe de Governo

Associação de Macau critica exclusão de 310 mil eleitores na votação para chefe de Governo

A Associação Novo Macau, um movimento pró-democracia, criticou hoje a exclusão de 310 mil eleitores na votação para chefe do Governo que resultou na escolha do único candidato, o ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL).

Em comunicado, a associação descreveu o processo de escolha como “uma piada” decidido por “pequenas elites” e sublinhou que “310 mil eleitores em Macau estão excluídos”.

A organização pró-democracia voltou a defender a adoção do sufrágio universal em Macau e sustentou que o Governo do agora eleito Ho Iat Seng deve conceber um plano e um cronograma para “reiniciar uma reforma política e implementar o sistema democrático de um voto, uma pessoa”.

“Entendemos que a democratização não acontece de um dia para o outro” e que “a fonte de todo o caos é sempre um sistema político antidemocrático”, pode ler-se na nota que foi divulgada no dia em que o único candidato a chefe do Governo, Ho Iat Seng, foi eleito por um colégio eleitoral de 400 pessoas com 392 votos a favor, sete em branco e um nulo.

A associação lamentou que as eleições como as de hoje estejam a transformar as pessoas “que deveriam ser o ator principal em mera audiência”, lembrando que “o espetáculo eleitoral” hoje televisionado “durou apenas uma hora e a votação somente 15 minutos”.

“Mas este processo afeta-nos durante cinco anos”, frisou a associação que tem promovido ao longo de agosto uma consulta popular sobre o sufrágio universal na eleição do chefe do executivo no território.

A 12 de agosto, o deputado pró-democracia na AL e vice-presidente da associação, Sulu Sou, destacou o facto de o programa de Ho Iat Seng contemplar a promoção do “desenvolvimento político democrático de forma ordeira”, apesar de não se comprometer a pedir a Pequim o sufrágio universal no território administrado pela China.

“É o primeiro candidato a ter este discurso sobre a reforma política”, sublinhou, afirmando que a associação vai “continuar a pressionar” Ho Iat Seng “para que este cumpra a sua promessa”.

A promessa do anterior presidente da AL e único candidato a chefe do executivo de Macau foi feita na apresentação do seu programa político.

Esta matéria “não é de um dia para o outro” que se resolve e “tem a ver com a reforma política de uma região”, sublinhou o candidato apoiado por Pequim.

Contudo, não se comprometeu, depois de ser eleito, a pedir ao Governo central chinês que permita a Macau avançar para um sistema político assente no sufrágio universal.

Atualmente, o candidato a chefe do Governo deve ser cidadão chinês com pelo menos 40 anos, ser residente permanente e ter residido habitualmente em Macau pelo menos durante 20 anos consecutivos.

O chefe do Governo é eleito por uma comissão eleitoral composta por 400 membros e nomeado pelo Governo Popular Central.

Em 30 de julho, a AL de Macau rejeitou uma proposta de debate sobre a reforma do sistema político, no sentido de introduzir o sufrágio universal na eleição do chefe do Governo.

A transferência de Macau para a República Popular da China, em 1999, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, tendo sido acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

JMC // EA

By Impala News / Lusa

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