Assis suspende participação do CES na associação internacional até acabar presidência russa

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Francisco Assis, abandonou hoje, em Atenas, a assembleia-geral da associação internacional, suspendendo a participação portuguesa enquanto a Rússia se mantiver na presidência da organização.

Assis suspende participação do CES na associação internacional até acabar presidência russa

Assis suspende participação do CES na associação internacional até acabar presidência russa

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Francisco Assis, abandonou hoje, em Atenas, a assembleia-geral da associação internacional, suspendendo a participação portuguesa enquanto a Rússia se mantiver na presidência da organização.

Os representantes dos CES de Espanha e de França assumiram idêntica posição e suspenderam também a sua participação na AICESIS — Associação Internacional dos Conselhos Económicos e Sociais e Instituições Similares, até a Rússia deixar a presidência da associação, o que deverá ocorrer dentro de ano e meio.

“A reunião de hoje foi atribulada […], com França, Espanha e Portugal a exigirem a demissão russa, por considerarem inadmissível que o congénere russo seja um defensor da propaganda russa relativamente à guerra na Ucrânia”, disse à agência Lusa Francisco Assis, após ter abandonado a reunião em Atenas.

Embora só os três países tenham assumido a sua exigência com intervenções na reunião e com o abandono da mesma, a saída da Rússia da presidência da AICESIS foi exigida num documento subscrito por 12 países europeus.

“Nós cumprimos o nosso papel e suspendemos simbolicamente a nossa participação, penso que os restantes países europeus signatários irão assumir a mesma posição, suspendendo também a sua participação”, disse Francisco Assis.

Segundo o presidente do CES, os países europeus estiveram em minoria no encontro, dado que a maior parte dos países assumiu um “grande silêncio” relativamente à guerra da Ucrânia e a China considerou que se trata de um conflito entre as duas partes.

“Mas não é assim, porque a Ucrânia é que foi invadida e está a ser atacada e é lá que estão a morrer pessoas”, considerou.

Francisco Assis explicou que, para a presidência russa ser destituída eram necessários dois terços dos votos, mas os 12 signatários europeus eram minoritários relativamente ao total de 78 participantes na assembleia.

Em março, o CES português e os seus congéneres da União Europeia suspenderam todas as atividades no âmbito da Associação Internacional dos Conselhos Económicos e Sociais e Instituições Similares até à realização da assembleia geral, com o objetivo de retirar a presidência da associação à congénere russa, a Câmara Cívica da Federação Russa.

Na altura, os CES europeus consideraram inaceitável que a organização russa reproduzisse o discurso oficial da Federação Russa, de atribuir a responsabilidade da guerra à Ucrânia e condenaram a invasão da Ucrânia perpetrada pela Rússia.

A próxima assembleia-geral da AICESIS vai realizar-se em Belgrado e a seguinte na Rússia.

A próxima presidência da AICESIS, que é sempre rotativa, será atribuída a um país da Europa ocidental.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro para “desmilitarizar e desnazificar” o país vizinho, acusando Kiev de alegado genocídio de populações de língua russa na região do Donbass (leste).

Inicialmente, a ofensiva atingiu as principais cidades do país, incluindo Kiev, mas a resistência das forças ucranianas levou a Rússia a rever as suas ambições e a concentrar-se no Donbass, onde se situam as regiões separatistas de Donetsk e Lugansk.

As conversações de paz, iniciadas quatro dias após a invasão, estão paralisadas há semanas, com cada lado a culpar o outro pela suspensão.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional.

A UE e países como os Estados Unidos, o Reino Unido e o Japão têm decretado sucessivos pacotes de sanções contra interesses russos e fornecido armas à Ucrânia.

RRA // JNM

By Impala News / Lusa

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