António Costa espera acordo da UE sobre sexto pacote de sanções à Rússia

O primeiro-ministro afirmou hoje que os 27 Estados-membros da União Europeia pretendem todos encontrar “um ponto de entendimento” quanto ao sexto pacote de sanções à Rússia, recusando “apontar o dedo” à Hungria, que tem bloqueado o processo.

António Costa espera acordo da UE sobre sexto pacote de sanções à Rússia

António Costa espera acordo da UE sobre sexto pacote de sanções à Rússia

O primeiro-ministro afirmou hoje que os 27 Estados-membros da União Europeia pretendem todos encontrar “um ponto de entendimento” quanto ao sexto pacote de sanções à Rússia, recusando “apontar o dedo” à Hungria, que tem bloqueado o processo.

“Nós temos sempre que nos bater por um acordo, é esse o espírito europeu, quando nós nos sentamos os 27 à mesa, o objetivo que todos temos que ter é chegar a acordo: às vezes chegamos — habitualmente chegamos — às vezes não chegamos”, afirmou António Costa.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas na feira de Hannover, que escolheu este ano Portugal como país parceiro, depois de ter feito uma visita a vários ‘stands’ nacionais presentes no certame.

Poucos antes de partir para Bruxelas — onde irá participar na reunião extraordinária do Conselho Europeu, que irá debater o sexto pacote de sanções à Rússia, onde consta um embargo às importações de petróleo russo –, António Costa sublinhou que, “em teoria”, a Hungria pode bloquear a aprovação desse pacote, mas sublinhou que a vontade dos 27 Estados-membros é “encontrar um ponto de entendimento”.

“Nós temos que perceber que os 27 Estados-membros não estão na mesma situação e, portanto, não vale a pena pormo-nos a apontar o dedo uns aos outros. Para nós é fácil, porque dependemos muito pouco do petróleo russo e, portanto, facilmente nós podemos votar qualquer embargo”, sublinhou.

No entanto, o chefe do executivo referiu que é preciso “ter em conta que há outros países que não estão na mesma situação”, apelando à preservação da “unidade da União Europeia (UE)”.

“O pior que podia acontecer à Ucrânia era, por uma razão ou por outra, quebrarmos esta unidade da UE, porque é esta unidade da UE que dá força ao apoio que damos à Ucrânia e, portanto, temos de preservar essa unidade”, apelou.

Questionado se a aprovação do sexto pacote de sanções vai ser difícil, Costa respondeu: “Neste sexto pacote é difícil, como é difícil em muitas outras vezes”.

O primeiro-ministro recordou que, antes da pandemia de covid-19, os Estados-membros da UE estavam “bloqueados com a incapacidade de se aprovar um orçamento para o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027”.

“Veio o covid, não só aprovámos esse, como apróvamos o Next Generation, que quase duplica aquilo que eram os recursos em que estávamos bloqueados para aprovar. Portanto, as circunstâncias muitas vezes ajudam a haver consenso e circunstâncias como esta da guerra — é difícil imaginar uma vez mais difícil que exija consenso — exige o esforço de todos, e espero que haja acordo logo”, concluiu o primeiro-ministro.

Os líderes da União Europeia iniciam hoje em Bruxelas uma cimeira extraordinária de dois dias, na qual discutirão questões de energia, segurança alimentar e defesa, em todos os casos à luz da guerra na Ucrânia, novamente o tema central.

Este Conselho Europeu voltará a contar com a participação, por videoconferência, do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que na semana passada deplorou a “falta de unidade” entre os 27, numa altura em que os Estados-membros ainda não chegaram a um acordo em torno do sexto pacote de sanções à Rússia, quase um mês depois de apresentado pela Comissão Europeia, face ao bloqueio da Hungria relativamente ao embargo, mesmo que gradual e progressivo, às importações de petróleo russo.

Na carta-convite dirigida aos líderes dos 27, entre os quais o primeiro-ministro António Costa, Charles Michel começa precisamente por sublinhar a necessidade de a UE continuar unida na resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Desde o primeiro dia, temos sido inabaláveis no nosso apoio humanitário, financeiro, militar e político ao povo ucraniano e à sua liderança. Vamos continuar a exercer pressão sobre a Rússia. A nossa unidade tem sido sempre o nosso ativo mais forte e continua a ser o nosso princípio orientador”, lê-se.

TA (ACC) // SF

By Impala News / Lusa

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