Antigo secretário de Estado do Tesouro da Guiné-Bissau continua detido — advogado

O advogado do antigo secretário de Estado do Tesouro da Guiné-Bissau Suleimane Seidi disse hoje que o seu constituinte continua detido, desde quinta-feira, e que foi impedido de o contactar.

Antigo secretário de Estado do Tesouro da Guiné-Bissau continua detido -- advogado

Antigo secretário de Estado do Tesouro da Guiné-Bissau continua detido — advogado

O advogado do antigo secretário de Estado do Tesouro da Guiné-Bissau Suleimane Seidi disse hoje que o seu constituinte continua detido, desde quinta-feira, e que foi impedido de o contactar.

“Não tivemos acesso ao nosso constituinte, numa clara violação da lei. Eles violam sistematicamente [a lei]”, afirmou o advogado Suleimane Cassamá, salientando que o antigo secretário de Estado recebeu os medicamentos de que necessita.

“Nós repudiamos este tipo de comportamento, porque não tem a ver com a função de Estado. Não podemos ter um ministério que em vez de proteger os direitos dos cidadãos os viola sistematicamente”, sublinhou.

Questionado sobre as razões que levaram à detenção do antigo secretário de Estado do Governo de Aristides Gomes, o advogado disse ainda ter “informações claras sobre do que é acusado”.

“O que veio a público é que é um problema de viatura, que ele tinha enquanto secretário de Estado, mas que passou ao ministro Iaia Djaló, que confirmou que a passagem foi feita corretamente. Não está na posse da viatura, mas tem todos os documentos comprovativos”, afirmou Suleimane Cassamá.

O advogado disse que Suleimane Seidi poderá estar detido por outro motivo, relacionado com uma “perseguição” do atual ministro do Interior, Botche Candé, por motivos que ainda não podem confirmar.

“Mas, falamos mais tarde, sobre o que nós pensamos relativamente ao que está na base desta detenção ilegal, para nós mais um sequestro, porque não há mandado, não há nada”, afirmou Suleimane Cassamá.

O advogado disse também que há uma “perseguição política” ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

“Se notarem bem de algum tempo a esta parte temos assistido a sistemáticas violações dos direitos fundamentais dos nossos cidadãos, sobretudo, dos dirigentes do PAIGC, a começar pelo Armando Correia Dias, passando pelo Bacai Sanha Júnior e hoje temos Suleimane Seidi”, acrescentou.

O antigo secretário de Estado do Tesouro da Guiné-Bissau Suleimane Seidi foi detido quinta-feira quando chegava à sua residência, em Bissau.

Suleimane Seidi era o antigo secretário de Estado do Tesouro do Governo de Aristides Gomes, que além de primeiro-ministro acumulava a pasta das Finanças.

Tanto Aristides Gomes como Suleimane Seidi são dirigentes do PAIGC.

O PAIGC tem denunciado perseguições pelas atuais autoridades do país aos seus dirigentes e militantes, bem como aos elementos do antigo Governo de Aristides Gomes, e lamentado a atuação da comunidade internacional.

Na segunda-feira, o PAIGC denunciou a detenção arbitrária de um outro dirigente do comité central, num ato que classificou de “atentado monstruoso” às liberdades, referindo-se a Bacai Sanhá.

Em junho, um outro dirigente do partido foi detido pelas forças de segurança, acabando por ser posto em liberdade.

Depois de a Comissão Nacional de Eleições ter declarado Umaro Sissoco Embaló vencedor da segunda volta das eleições presidenciais, o candidato dado como derrotado, Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, não reconheceu os resultados eleitorais, alegando que houve fraude e meteu um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, que não tomou, até hoje, qualquer decisão.

Umaro Sissoco Embaló assumiu unilateralmente o cargo de Presidente da Guiné-Bissau em fevereiro e acabou por ser reconhecido como vencedor das eleições pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise política no país, e restantes parceiros internacionais.

Após ter tomado posse, o chefe de Estado demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes, saído das eleições legislativas de 2019 ganhas pelo PAIGC, e nomeou um outro liderado por Nuno Nabian, líder da Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que assumiu o poder com o apoio das forças armadas do país, que ocuparam as instituições de Estado.

O programa de Governo de Nuno Nabian foi aprovado no parlamento da Guiné-Bissau com o apoio de cinco deputado do PAIGC.

MSE // JH

By Impala News / Lusa

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