Angolanos em Lisboa promovem recolha de assinaturas contra violência policial em Angola

Ativistas angolanos promoveram hoje, em Lisboa, uma recolha de assinaturas para denunciar a violência policial em Angola, numa iniciativa que visa levar o assunto à União Europeia e às Nações Unidas.

Angolanos em Lisboa promovem recolha de assinaturas contra violência policial em Angola

Angolanos em Lisboa promovem recolha de assinaturas contra violência policial em Angola

Ativistas angolanos promoveram hoje, em Lisboa, uma recolha de assinaturas para denunciar a violência policial em Angola, numa iniciativa que visa levar o assunto à União Europeia e às Nações Unidas.

A recolha de assinaturas foi promovida pelo movimento político angolano Bloco Liberal e decorreu na zona de Entrecampos, Campo Pequeno e Avenida da República, próximo da Embaixada de Angola, em Lisboa, durante toda a tarde de hoje.

O objetivo é recolher nesta e em outras ações a realizar nos próximos dias 1.000 assinaturas para encaminhar a organizações internacionais como a União Europeia e o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos uma petição para denunciar os casos de violência policial em Angola.

“Nestes 10 últimos anos, a Polícia Nacional de Angola deixou um rastro de mais de 400 mortos, de pessoas na via pública, tiros dispersos, confundindo cidadãos com marginais. É um conjunto de situações que temos de analisar com alguma preocupação”, disse à agência Lusa Emerson Sousa, coordenador do Bloco Liberal.

A iniciativa surge depois de, em 01 de setembro, o médico Sílvio Dala ter morrido em circunstâncias ainda por esclarecer após ter sido levado a uma esquadra policial por não usar máscara facial no interior da viatura que conduzia.

A morte do médico provocou grande comoção em Angola e fortes críticas da sociedade civil à atuação da polícia, tendo também dado origem a uma petição contra o uso de máscaras faciais no interior de viaturas, que já reuniu mais de 15 mil assinaturas e levou à revogação desta disposição legal.

“Ninguém devia temer pela sua vida por não usar uma máscara ou por ser abordado por um agente da polícia e as autoridades devem ser responsabilizadas ao privar todo e qualquer cidadão dos seus direitos, sobretudo o direito à vida”, defende a petição.

“Infelizmente, em Angola, só no último mês morreram muitas pessoas por brutalidade policial”, disse Érica Tavares, uma jovem ativista ambiental angolana, de passagem por Lisboa e que se associou à iniciativa.

Na petição são destacados os nomes de outras sete vítimas de alegados abusos das forças policiais, com idades entre os 14 e os 25 anos, sendo pedida uma investigação “imediata, rigorosa e independente” às suas mortes, bem como à do médico Sílvio Dala.

A recolha de assinaturas foi também uma oportunidade para esclarecer os transeuntes sobre a situação dos direitos humanos em Angola, que os jovens acreditam “pouco mudou”, apesar das promessas do Presidente João Lourenço.

Emerson Sousa recordou que a questão dos direitos humanos foi uma das bandeiras da campanha de Lourenço, mas que o chefe de Estado não está a cumprir.

“Demos o benefício da dúvida ao novo Presidente de Angola. Prometeu liberdade de reunião, de expressão e de pensamento, mas cada vez que tentamos apontar os erros e fiscalizar os atos do Governo ele extrapola a lei e acaba por reprimir mais”, considerou.

“As coisas não mudaram. Houve um estímulo para podermos falar, mas o que nós falamos não se ouve. Tiraram-nos as coleiras para podermos falar, mas meteram-nos dentro de uma sala fechada e tudo o que falamos e gritamos não é levado em consideração”, sublinhou.

Sobre as pessoas que assinaram a petição durante o dia de hoje, cerca de três dezenas, Emerson Sousa destacou a representatividade de nacionalidades.

“Tivemos brasileiros, cabo-verdianos, guineenses, um casal de turistas romenos, portugueses e angolanos. A ideia é que as pessoas reflitam sobre o que está a acontecer em Angola”, disse.

“Existe uma grande comunidade, não apenas de angolanos, mas de outras nacionalidades africanas em Portugal e decidimos sair à rua para fazer sensibilização porque não podemos continuar a ver isto acontecer e não fazer nada”, reforçou, por seu lado, Érica Tavares.

CFF // VM

By Impala News / Lusa

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