Analistas apostam num Governo em Espanha entre partidos de esquerda

Um acordo entre os partidos de esquerda com o apoio de nacionalistas bascos e independentistas catalães é para os analistas consultados pela Lusa a possibilidade mais provável que Pedro Sánchez deverá explorar para acabar com o impasse político espanhol.

Analistas apostam num Governo em Espanha entre partidos de esquerda

Analistas apostam num Governo em Espanha entre partidos de esquerda

Um acordo entre os partidos de esquerda com o apoio de nacionalistas bascos e independentistas catalães é para os analistas consultados pela Lusa a possibilidade mais provável que Pedro Sánchez deverá explorar para acabar com o impasse político espanhol.

Esta solução governativa já foi tentada anteriormente sem sucesso pelo secretário-geral do PSOE (socialistas) e primeiro-ministro em exercício que agora, pressionado pelos eleitores e com um apoio parlamentar ao seu partido mais reduzido, deverá voltar a explorar nos próximos dias.

“A situação é igual ou ainda pior do que anteriormente e Sánchez, com menos apoios parlamentares, continua a precisar do Unidas Podemos [extrema-esquerda]”, disse o professor de Meios de Comunicação e Política da Universidade de Navarra Carlos Barrera em declarações à Lusa.

O PSOE ganhou as eleições legislativas de domingo, mas sem maioria absoluta e mais fraco que anteriormente, tendo a grande descida do Cidadãos (direita liberal) beneficiado o PP (direita) e, sobretudo, o Vox (extrema-direita) que agora tem mais do dobro dos deputados.

Com estes resultados, mesmo que o bloco dos partidos de esquerda (PSOE, Unidas Podemos e Mais País), que totaliza 158 deputados num total de 350, cheguem a um pré-acordo, deverão precisar do apoio ou da abstenção de outros partidos de âmbito regional, entre os quais se encontram os nacionalistas bascos e os independentistas catalães.

O catedrático insiste que “por muito que isso lhes custe”, devido à falta de “química” entre Pedro Sánchez e o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, os dois partidos “têm de se entender”, antes de procurarem outros apoios.

Na legislatura anterior, o mesmo processo foi interrompido, porque Pedro Sánchez não aceitou a exigência do UP (Unidas Podemos) de liderar um ministério de importância económica como o do Trabalho ou o da Transição Ecológica (com competências em energia e meio ambiente).

Carlos Barrera não acredita num segundo cenário, um acordo entre o PSOE e o PP, que, no entanto, não está totalmente descartado por outros analistas que concordam que enfrenta numerosas dificuldades.

Segundo este cenário, a pressão dos eleitores cansados de votar e a exigir que os políticos resolvam a situação, levaria o PP a poder abster-se na sessão de investidura de Sánchez, uma situação idêntica à que o PSOE fez em 2016 com Mariano Rajoy.

“Este acordo é uma hipótese, mas muito perigosa, tanto para o PSOE como para o PP”, explica José Luís Ayllón, um ex-deputado do PP que agora colabora como analista no escritório de advogados Llorente y Cuenca.

Um pacto entre as duas maiores forças políticas espanholas corre o risco de enfurecer os apoiantes dos dois partidos, os do PSOE que defendem um acordo à esquerda, e os do PP que poderiam fugir ainda mais para o Vox.

O último dos cenários políticos, umas novas eleições, “é pouco provável, mas não impossível”: “Será muito difícil que os partidos se atrevam a voltar a consultar os espanhóis, que estão cansados de ir votar”, disse José Luís Ayllón.

Na consulta eleitoral de 10 de novembro, o PSOE teve 28,0% dos votos (120 deputados), seguido pelo PP com 20,8% (88), o Vox com 15,1% (52), o Unidas Podemos com 12,8% (35) e o Cidadãos com 6,8% (10).

Entre os partidos de âmbito regional o mais importante é o independentista catalão ERC (Esquerda Republicana da Catalunha) que obteve 2,2% dos votos a nível nacional e elegeu 13 deputados ao parlamento.

Por outro lado, os analistas consultados pela Lusa pensam que será “muito difícil” e “altamente improvável” que o eventual novo Governo seja investido antes do fim do ano.

Nos próximos dias, Pedro Sánchez vai começar a contactar os restantes partidos e a 03 de dezembro, as Cortes Gerais (parlamento formado pelo Congresso dos Deputados e pelo Senado) serão constituídas.

A partir daí, serão formados os grupos parlamentares e, em seguida, o Rei Felipe VI iniciará consultas para ver se algum candidato tem o apoio suficiente para ser encarregado de tentar formar um Governo.

Mesmo que o rei termine por apresentar Pedro Sánchez como candidato, é muito possível que o parlamento lhe dê como prazo limite para negociar, até o final de janeiro, segundo José Luís Ayllón.

Pedro Sánchez apelou, no discurso de vitória no domingo à noite, a “todos os partidos” para que atuem “com responsabilidade e generosidade” para desbloquearem o impasse político em Espanha, assegurando que pretende formar um Governo “progressista”.

“Ganhámos as eleições e a partir de amanhã [segunda-feira] vamos trabalhar para esse Governo progressista do PSOE”, concluiu Sánchez num pequeno discurso perante cerca de 200 militantes e apoiantes do PSOE reunidos em frente à sede nacional do partido, em Madrid.

FPB // EL

By Impala News / Lusa

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