Aliança quer ir buscar votos à abstenção para eleger um grupo parlamentar

O presidente da Aliança admite que o objetivo do partido é eleger um grupo parlamentar nas eleições legislativas de outubro e apela ao voto daqueles que se costumam abster, salientando que veio “para ficar, independentemente dos resultados”.

Aliança quer ir buscar votos à abstenção para eleger um grupo parlamentar

Aliança quer ir buscar votos à abstenção para eleger um grupo parlamentar

O presidente da Aliança admite que o objetivo do partido é eleger um grupo parlamentar nas eleições legislativas de outubro e apela ao voto daqueles que se costumam abster, salientando que veio “para ficar, independentemente dos resultados”.

Em entrevista à agência Lusa, Pedro Santana Lopes disse que se apresenta às eleições de 06 de outubro – as primeiras legislativas a que o partido concorre – “com a força de vontade de querer uma representação parlamentar”.

“Espero eleger em Lisboa dois ou três deputados, e mais outros tantos, vamos ver no Porto, vamos ver em Braga”, afirmou, mostrando-se esperançoso de que “a próxima legislatura tenha um grupo parlamentar da Aliança, menor ou maior”.

Para justificar estas pretensões, o líder da Aliança baseia-se nos resultados obtidos nas eleições de maio para o Parlamento Europeu, nas quais o partido não conseguiu eleger eurodeputados, mas teve mais de 61 mil votos.

Fiando-se “nos resultados das europeias”, os círculos “onde mais possibilidades” o partido poderá ter são Setúbal, Braga, Aveiro, Porto e de Lisboa, a lista que encabeça, sustentou.

Uma vez no parlamento, os deputados da Aliança seriam oposição e “nunca” contribuiriam para viabilizar um Governo socialista.

Santana Lopes considera que a entrada de novas forças políticas para a Assembleia da República “é importante para o sistema político português” e, por isso, espera que “não seja só a Aliança a entrar de novo”.

“Não sei quem, isso é com os portugueses”, ressalvou, mas advogou que “este grupo do G5 [no parlamento] já cansa”.

Na opinião do antigo primeiro-ministro, “o sistema partidário vai mudar, é inexorável, é inevitável”, mesmo apesar de isso ser “muito difícil” devido ao que considerou ser a falta de espaço mediático dos partidos mais recentes, bem como quanto a dificuldades de financiamento, uma vez que as forças políticas que não conseguem mandatos não têm subvenção estatal.

“Não tenho dúvida disso, e a Aliança será um dos agentes dessa mudança. Nós viemos para ficar, para durar, independentemente dos resultados que vamos tendo a cada momento, estamos na luta”, vincou, indicando que “este é um projeto a médio e longo prazo” que poderá também “eleger vereadores e até um ou outro presidente de câmara em diferentes sítios do país”.

“Bastava-me ter três dias por semana a aparecer na televisão. A senhora dona Catarina [Martins, líder do BE] dar um terço do tempo que ela tem aos novos partidos é eu garanto-lhe que tinha pelo menos 5%, pelo menos”, apontou Santana Lopes.

O presidente da Aliança criticou o facto de os debates pré-eleições não contemplarem os partidos sem representação e defendeu que “não podem ser as televisões a escolher o parlamento”.

“Acha que os portugueses não gostavam de ouvir um debate, por exemplo, entre mim e o doutor Costa, ou entre mim e o doutor Rio?”, questionou, deixando a sugestão de que estes frente-a-frente poderiam ter ocorrido no período de férias.

Face a isto, a Aliança admite apresentar queixa junto das “instâncias internacionais que velam pela liberdade de imprensa”, depois de esta semana se ter manifestado em frente à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Admitindo que a Aliança contribui para a pulverização da direita, Pedro Santana Lopes assinalou que disputa eleitorado e não militantes, pelo que se dirige principalmente “para quem se abstém”.

Ainda assim, não rejeita ir buscar votos “até ao Bloco ou ao PAN”, uma vez que pode ir “buscar a todos” os partidos.

“A mim o que me dá impressão às vezes é que algum centro-direita, ou a maior parte do centro-direita, se entregou ao destino, desistiram de lutar, desapareceram”, salientou.

Notando que “parece que há uma resignação” e que esta “é uma crise da direita que dá muito jeito”, o presidente da Aliança referiu que “a dúvida é se o PS vai ter maioria absoluta ou próximo da maioria absoluta”.

“Eu nunca vi isto em décadas que tenho da vida política”, indicou, deixando críticas também às ideologias movidas por “flashes ou slogans”, justificando que como as pessoas “estão fartas dos velhos partidos e da política, e muito zangadas”, aderem ao que pareça “menos complicado e mais sedutor”.

Numa retrospetiva de vida, o antigo primeiro-ministro e presidente das Câmaras Municipais da Figueira da Foz e Lisboa recordou que já esteve à frente dos “cargos praticamente todos”, considerando que “já correu bem, já correu mal”.

Questionado sobre uma possível candidatura à Presidência da República, Santana respondeu que prefere o “trabalho de executivo”.

“A Presidência da República é um lugar mais representativo. Pode-se estar muito junto das pessoas, mas neste momento está bem entregue e vai estar entregue para um segundo mandato, estou convencido”, disse Pedro Santana Lopes, revelando que “daqui a uns meses” o partido vai decidir se apoia Marcelo Rebelo de Sousa numa eventual recandidatura.

Já sobre um regresso ao PSD, partido que liderou entre novembro de 2004 e abril de 2005, o advogado rejeitou essa possibilidade, apontando que “é duro e muito duro começar algo do zero, era mais confortável obviamente estar num grande partido”, mas que está “a fazer aquilo” que a sua consciência dita e que lhe permite “dormir bem todos os dias”.

“Mais horas, menos horas, mas durmo bem e enquanto assim for cá andarei a lutar por aquilo em que acredito”, acrescentou.

ACC/FM

By Impala News / Lusa

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