Alemanha anuncia suspensão de presença militar no Mali

A Alemanha anunciou hoje a suspensão “até nova ordem” da maior parte das suas operações militares no Mali, onde integra a missão das Nações Unidas (MINUSMA), denunciando uma nova recusa de sobrevoar o país pelas autoridades malianas.

Alemanha anuncia suspensão de presença militar no Mali

Alemanha anuncia suspensão de presença militar no Mali

A Alemanha anunciou hoje a suspensão “até nova ordem” da maior parte das suas operações militares no Mali, onde integra a missão das Nações Unidas (MINUSMA), denunciando uma nova recusa de sobrevoar o país pelas autoridades malianas.

“O governo do Mali recusou mais uma vez autorizar um voo programado para hoje”, que deveria proporcionar uma rotação de pessoal, explicou um porta-voz do ministério alemão da Defesa.

Como resultado, “estamos a suspender as nossas operações de reconhecimento e voos de helicóptero até nova ordem”, porque “já não é possível apoiar operacionalmente a MINUSMA”, acrescentou a mesma fonte.

Sem o novo pessoal, que deveria “substituir [parcialmente] as forças francesas”, que se retiram, “a segurança no terreno deixa de estar garantida”, “as restantes forças” devem assumir essa responsabilidade e deixam de poder cumprir as suas missões habituais, explicou o porta-voz numa conferência de imprensa.

A recusa do sobrevoo verificou-se apesar das garantias em contrário dadas pelo ministro da Defesa maliano, Sadio Camara, durante uma conversa telefónica esta quinta-feira com a sua homóloga alemã, Christine Lambrecht, acrescentou o porta-voz.

“As ações da Camara dizem uma coisa diferente das suas palavras”, afirmou a ministra alemã na rede social Twitter.

A decisão alemã surge quando o Mali, que afastou o velho aliado francês para abraçar a cooperação com Moscovo, enfrenta o ressurgimento de ataques por parte do pouco conhecido Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM, JNIM em árabe) nas últimas semanas.

As relações entre a junta militar no poder em Bamako e Paris, a antiga potência colonial, deterioraram-se nos últimos meses, particularmente desde a chegada ao Mali dos operacionais paramilitares do grupo privado de segurança russo Wagner, que deixou os dois países de costas voltadas após nove anos de presença francesa militar ininterrupta no Mali para combater os grupos extremistas islâmicos.

A força francesa Barkhane está atualmente a finalizar a retirada do respetivo equipamento militar do país.

Após meses de animosidade, as autoridades malianas controladas pelos militares que chegaram ao poder pela força em agosto de 2020 anunciaram em maio deste ano que consideravam nulo e sem efeito o tratado de cooperação no domínio da defesa assinado de 2014 com a França, bem como os acordos de 2013 e 2020, que estabeleciam o quadro da presença da operação Barkhane e o reagrupamento de forças especiais europeias Takuba, iniciado pela França e no qual Portugal chegou a participar com cerca de duas dezenas de militares.

As relações entre o Mali e as Nações Unidas, cujas forças de manutenção da paz se encontram no país desde 2013, também se deterioraram nas últimas semanas.

A MINUSMA foi estabelecida pelo Conselho de Segurança da ONU em abril de 2013 para ajudar as autoridades de transição do Mali a estabilizar o país e garantir a segurança e proteção da população civil. A tornar-se definitiva a saída da Alemanha do Mali, a missão enfrentará novos problemas, que se somam à retirada da França, que quando saiu deixou a MINUSMA sem apoio aéreo.

APL//CFF

By Impala News / Lusa

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