África do Sul: Conselheiro diz-se “chocado” com desinteresse em Portugal

O conselheiro português na área consular de Joanesburgo, Vasco Pinto de Abreu, disse hoje estar “chocado” com a “falta de preocupação” e “desinteresse” pelos portugueses na África do Sul.

África do Sul: Conselheiro diz-se

África do Sul: Conselheiro diz-se “chocado” com desinteresse em Portugal

O conselheiro português na área consular de Joanesburgo, Vasco Pinto de Abreu, disse hoje estar “chocado” com a “falta de preocupação” e “desinteresse” pelos portugueses na África do Sul.

Joanesburgo, 16 Jul 2021 (Lusa) — O conselheiro português na área consular de Joanesburgo, Vasco Pinto de Abreu, disse hoje estar “chocado” com a “falta de preocupação” e “desinteresse” em Portugal pelos portugueses na África do Sul, a maior comunidade lusa no continente.

“A África do Sul está numa espiral complicada e por vezes a comunidade [portuguesa] sente-se abandonada porque as autoridades não nos contactam, nem os conselheiros, nem as pessoas que podem fazer um retrato mais exato daquilo que se passa no terreno”, afirmou Vasco Pinto de Abreu à Lusa, antes de se reunir, em Lisboa, com a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes.

O conselheiro português sublinhou que as reações do Governo e da embaixada de Portugal na África do Sul aos violentos acontecimentos no país “só apareceram cinco dias depois”.

“Devemos disponibilizar números locais para as pessoas poderem contactar as autoridades portuguesas em qualquer situação de maior aflição”, advogou.

“Choca-me ver esta falta de preocupação por nós, portugueses, que vivemos no estrangeiro, não somos emigrantes, não só a nível do Governo, mas também dos próprios portugueses que residem aqui em Portugal”, adiantou, aludindo também aos portugueses que nasceram em África.

Estima-se em cerca de 450.000 portugueses e lusodescendentes na África do Sul, dos quais pelo menos 200 mil em Joanesburgo e Gauteng, e 20.000 no KwaZulu-Natal, as províncias mais afetadas por oito dias consecutivos de ações de violência armada, saques, vandalismo e intimidação, que destruíram pelos menos uma centena de grandes negócios portugueses.

Na região de Gauteng, o número de vítimas mortais ascende a 26 e há registar 91 mortes até quinta-feira na província do KwaZulu-Natal (leste), onde a violência eclodiu na semana passada, depois da prisão do antigo chefe de Estado, Jacob Zuma, na quarta-feira à noite, segundo um balanço da Presidência sul-africana.

Vasco Pinto de Abreu, que se encontra na capital portuguesa para uma reunião do Conselho das Comunidades Portuguesas, notou que a comunidade portuguesa na África do Sul é a maior comunidade em África: “Somos cerca de 450 mil, e esta falta de interesse pela comunidade que vive na África do Sul, a falta de preocupação da parte do Governo e dos órgãos de comunicação social e da própria sociedade portuguesa, tudo isso me choca”, afirmou.

“Nós somos portugueses, sentimos Portugal como poucos e como todas as comunidades espalhadas pelo mundo e choca-me ver este desinteresse”, frisou o conselheiro das comunidades portuguesas pela área consular de Joanesburgo, onde residem pelo menos 200.000 portugueses.

“Choca-me ver as preocupações com o que se está a passar em Cuba, para Portugal a comunidade portuguesa em Cuba é mais importante, e nós temos compatriotas a verem as suas vidas a serem destruídas, os seus negócios saqueados e nada se faz, que é o me irrita mais, é que nada se faz. É triste”, salientou Pinto de Abreu.

O número de vítimas mortais da violência que assola a África do Sul pelo oitavo dia consecutivo, já ultrapassa os 200 mortos e mais de 2.200 detenções, segundo as autoridades sul-africanas.

Cerca de uma centena de negócios de seis grandes empresários portugueses, incluindo filhos de madeirenses, no setor alimentar e de bebidas, foram saqueados e vandalizados na África do Sul durante a violência pública após a prisão do ex-presidente Zuma, disse à Lusa o conselheiro da diáspora madeirense no país, José Nascimento.

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou-se hoje preocupado com o impacto da crise social e pilhagens na comunidade portuguesa da África do Sul, salientando que “é uma realidade que está a ser acompanhada a par e passo pelo Governo português”.

Segundo o chefe de Estado, que falava em Luanda, “tem havido uma intervenção, nomeadamente do senhor embaixador, em coordenação permanente com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, prevenindo os portugueses, acautelando os portugueses, apoiando os portugueses”.

O embaixador de Portugal na África do Sul, Manuel Carvalho, instou na terça-feira os portugueses a “ficarem em casa” e a “não abrir lojas e outros estabelecimentos”.

Numa mensagem à comunidade portuguesa residente no país, Manuel Carvalho disse que os casos de emergência e assistência consular devem ser comunicados ao Gabinete de Emergência Consular em Lisboa.

“Os casos mais graves todos em zonas que cabem na jurisdição de Joanesburgo, as situações relevantes podem ser comunicadas à equipa do consulado-geral (emergência consular: 0783446495)”, adiantou o diplomata.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva reafirmou na quarta-feira os apelos do Governo e da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, na véspera, pedindo “a máxima cautela e a máxima prudência” por parte dos compatriotas num momento de crise social e violência armada sem precedentes no país.

“A nossa embaixada e todos os nossos consulados na África do Sul estão mobilizados para seguir atentamente a situação e a situação dos nossos compatriotas e prestar lhes todo o apoio que seja necessário e seja possível”, afirmou Santos Silva.

CYH // LFS

By Impala News / Lusa

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