Afeganistão: Presidente desloca-se à cidade de Mazar-i-Sharif para coordenar resposta a talibãs

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, chegou hoje à cidade de Mazar-i-Sharif sitiada pelas forças talibãs, para tentar coordenar uma resposta contra os “insurgentes” que controlam um quarto das capitais provinciais do país.

Afeganistão: Presidente desloca-se à cidade de Mazar-i-Sharif para coordenar resposta a talibãs

Afeganistão: Presidente desloca-se à cidade de Mazar-i-Sharif para coordenar resposta a talibãs

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, chegou hoje à cidade de Mazar-i-Sharif sitiada pelas forças talibãs, para tentar coordenar uma resposta contra os “insurgentes” que controlam um quarto das capitais provinciais do país.

O Presidente do Afeganistão encontrou-se com Mohammad Atta Noor, ex-governador da província de Balkh, que tinha prometido “resistir até à última gota de sangue”.

“Após o encontro, em que foi analisada a situação geral no norte, foi discutida a coordenação, o envio de equipamento e a mobilização da ‘resistência’ comandada pelas forças de segurança e de defesa”, disse Latif Mahmood, porta-voz do chefe de Estado afegão através de uma mensagem difundida na rede social Twitter.

Entretanto, o Governo anunciou a chegada à zona de Mazar-i-Sharif de um contingente comandado pelo marechal Dostom, de etnia uzbeque e que ameaçou os talibãs. 

“Eles (talibãs) não aprenderam nada com o passado. Vieram para o norte várias vezes e acabaram sempre presos. Não é fácil para eles saírem daqui”, disse o marechal Dostom em declarações a jornalistas de meios de comunicação locais.

Em 2001, o marechal Dostom foi apontado como responsável pela morte – por asfixia – de cerca de dois mil talibãs encerrados em contentores, no norte do Afeganistão.

Na terça-feira, os talibãs iniciaram um ataque em várias frentes contra Mazar-i-Sharif, tendo chegado até à periferia da cidade.

A perda de Mazar-i-Sharif pode ser catastrófica para o Governo de Cabul, que deixaria de controlar o norte do país, permitindo o reagrupamento das forças talibãs para um eventual ataque direto contra Cabul, onde milhares de deslocados internos encontraram refúgio nos últimos dias.

Mazar-i-Sharif foi palco de violentos confrontos em 1998, tendo na altura os talibãs sido acusados do massacre de dois mil civis, na maioria xiitas de etnia hazara, após a tomada da cidade.  

Entretanto, “centenas” de elementos das forças de segurança afegãs retiraram-se da área do aeroporto da cidade de Kunduz, no nordeste do país, e renderam-se às forças talibãs, disse à France Presse um conselheiro provincial.

“Hoje de manhã centenas de soldados, polícias e membros das ‘forças de resistência’ (milícias governamentais) que se encontravam no aeroporto renderam-se aos talibãs com todo o equipamento”, disse Amruddin Wali, conselheiro da província de Kunduz. 

Durante a noite, a cidade de Faizabad, no extremo da região nordeste do país, foi tomada pelas forças talibãs, disse Zabihullah Attiq, deputado na província de Badakhshan.

Com a tomada de Faizabad, os talibãs passaram a dominar nove capitais provinciais em menos de uma semana de combates.

Os talibãs cercaram Farah no oeste do Afeganistão, e a cidade de Pul-e-Khumri a 200 quilómetros a norte de Cabul encontra-se igualmente sitiada. 

De acordo com a AFP, verificaram-se durante a noite violentos combates no centro de Kandahar, a segunda cidade do país, sitiada há várias semanas pelos talibãs. 

Os “insurgentes” tentam alcançar a cadeia de Kandahar para libertarem prisioneiros “insurgentes” tal como fazem sempre que conquistam uma cidade. 

Os talibãs lançaram uma ofensiva de grande escala no passado mês de maio, coincidindo com o início da retirada das forças norte-americanas e da Aliança Atlântica, incluindo militares portugueses.

A retirada das forças internacionais deve concluir-se no próximo dia 31 de agosto, culminando 20 anos de uma intervenção militar que começou em 2001, após o ataque da Al-Qaeda contra Nova Iorque, Estados Unidos, em 11 de setembro.

Na terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou não se arrepender de concluir a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, e defendeu que os afegãos “devem lutar por si mesmos” contra os talibãs.

PSP // PMC

Lusa/Fim

 

 

 

 

 

 

By Impala News / Lusa

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