Afeganistão: Biden eleva para 5.000 soldados o contingente a enviar para Cabul

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, decidiu hoje enviar para Cabul mais 2.000 soldados além dos 3.000 previstos, para garantir a segurança da retirada de diplomatas norte-americanos e civis afegãos, com os talibãs às portas da capital afegã.

Afeganistão: Biden eleva para 5.000 soldados o contingente a enviar para Cabul

Afeganistão: Biden eleva para 5.000 soldados o contingente a enviar para Cabul

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, decidiu hoje enviar para Cabul mais 2.000 soldados além dos 3.000 previstos, para garantir a segurança da retirada de diplomatas norte-americanos e civis afegãos, com os talibãs às portas da capital afegã.

Biden anunciou em comunicado que, depois de ter consultado os seus conselheiros em matéria de segurança nacional, “cerca de 5.000 soldados”, em vez de 3.000, serão enviados para o aeroporto de Cabul para facilitar a retirada após 20 anos de conflito no Afeganistão.

Ameaçando os talibãs com uma resposta rápida e forte em caso de ataque contra os interesses norte-americanos, Joe Biden defendeu a sua decisão de retirar as forças norte-americanas do Afeganistão e prometeu não “legar” esta guerra a outro Presidente dos Estados Unidos.

O número de capitais provinciais do Afeganistão sob o domínio dos talibãs subiu nas últimas horas para 23, após a conquista de mais três cidades: Maymana, Mehtarlam e Mazar-e-Sharif, a quarta maior cidade do país.

A queda de Mazar-e-Sharif, capital da província de Balkh, é um duro golpe para o Governo afegão, depois de a segunda cidade mais importante, Kandahar, e a terceira, Herat, terem também sido tomadas pelos insurgentes, mantendo-se Cabul como o último reduto contra os talibãs.

“Todas as instalações do Governo estão agora sob o controlo dos talibãs e estão a ocorrer combates esporádicos em algumas partes da cidade”, disse hoje um oficial de Balkh, citado pela agência espanhola Efe a coberto do anonimato, após a queda de Mazar-e-Sharif.

O Presidente afegão, Ashrasf Ghani, defendeu a necessidade de enfrentar a grande ofensiva talibã que, em pouco mais de uma semana, resultou no maior avanço em duas décadas de guerra, gerando alertas sobre a possível queda de Cabul.

Num discurso transmitido pela televisão, Ghani garantiu que a “prioridade máxima” do Governo afegão é a mobilização das forças de segurança para impedir a captura de mais capitais regionais no país.

O anúncio do Presidente surge depois de muitas das tropas afegãs se terem rendido ou fugido dos territórios conquistados pelos talibãs, em alguns casos sem oferecerem resistência.

O rápido avanço da ofensiva talibã foi motivado pela fase final de retirada das tropas do país dos Estados Unidos e da NATO, iniciada em maio e que deverá ficar concluída em 31 de agosto.

Desde então, os talibãs assumiram o controlo de 140 centros distritais, 23 capitais de província e cerca de 10 postos fronteiriços, a maior conquista em duas décadas de guerra.

O medo crescente de que a capital afegã possa cair nas mãos dos talibãs a qualquer momento fez com que vários países se mobilizassem rapidamente para retirar o seu pessoal nacional de Cabul, bem como cidadãos afegãos que com eles trabalharam de perto durante os últimos 20 anos de conflito.

No fim de semana, espera-se que grande parte dos militares norte-americanos enviados pelo Pentágono para ajudar na retirada da maior parte do pessoal da embaixada dos EUA e de outros cidadãos afegãos cheguem a Cabul.

Além dos Estados Unidos, também o Reino Unido, a Alemanha e Espanha, entre outros, anunciaram que nos próximos dias tomarão medidas semelhantes perante a situação atual, com os talibãs cada vez mais próximos de Cabul.

ANC (DF) // VAM

By Impala News / Lusa

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