Académico acredita que debate para a vice-Presidência dos EUA deverá ter melhor comunicação e controlo

O professor universitário Joel Goldstein considerou à Lusa que os dois candidatos a vice-Presidente nos Estados Unidos, Mike Pence e Kamala Harris, são “bons comunicadores”, pelo que o próximo debate deverá ser mais controlado.

Académico acredita que debate para a vice-Presidência dos EUA deverá ter melhor comunicação e controlo

Académico acredita que debate para a vice-Presidência dos EUA deverá ter melhor comunicação e controlo

O professor universitário Joel Goldstein considerou à Lusa que os dois candidatos a vice-Presidente nos Estados Unidos, Mike Pence e Kamala Harris, são “bons comunicadores”, pelo que o próximo debate deverá ser mais controlado.

Joel Goldstein, professor emérito de Direito na Universidade de St. Louis e académico de estudo da vice-Presidência, acrescentou que o debate que se realiza na noite de 07 de outubro (madrugada de quinta-feira em Portugal) “será interessante” e terá uma dinâmica diferente do que a disputa entre Biden e Trump, que decorreu na noite de 29 de setembro e foi considerada muito conflituosa e caótica.

“Tanto o vice-Presidente Pence como a senadora Harris parecem ser muito bons em comunicação política”, considerou o autor de livros e artigos sobre funções políticas, sublinhando que o debate irá centrar-se em “defender” os seus candidatos a Presidente (Donald Trump e Joe Biden) e as políticas que os respetivos partidos, Republicano e Democrata, promovem.

Tal como nos debates para a Presidência, o debate de candidatos a vice-Presidente vai discutir “os dois conjuntos concorrentes de programas e políticas que defendem” e, em contraste, não será tão pessoal, considerou o especialista.

Os três objetivos principais de um candidato a vice-Presidente, segundo Joel Goldstein, são dar “eco aos temas da campanha presidencial”, defender que o seu candidato a Presidente é a “melhor pessoa para liderar os Estados Unidos” e “atacar o adversário e encontrar razões porque é que o desempenho ou as políticas do oponente não seriam do melhor interesse do país”.

“Se achar que um candidato a vice-Presidente fala muito sobre si mesmo no debate, provavelmente significa que não está a seguir o guião que lhe foi explicado, porque na verdade, o que se pretende é avançar na causa do seu parceiro de ‘ticket'”, salientou Joel Goldstein.

Porém, no caso de Kamala Harris pode esperar-se uma “apresentação dela ao povo norte-americano”, como já foi a sua candidatura a Presidente, a nomeação para vice-Presidente (em 11 de agosto) e o seu discurso na Convenção Nacional Democrata (em 19 de agosto), acrescentou o professor.

Joel Goldstein declarou que a existência de um debate de candidatos a vice-Presidentes “motiva realmente os candidatos presidenciais a escolherem pessoas que estão prontas para entrar no ‘horário nobre’ [da televisão e da política], prontas para atuar num palco nacional”.

O académico, com dois livros escritos sobre a vice-Presidência afirmou à Lusa que a escolha para candidato a vice-Presidente reflete “a capacidade de decisão, os valores e os objetivos do candidato presidencial”.

O debate, marcado para a próxima noite de quarta-feira (02:00 da madrugada de quinta-feira em Lisboa), dá uma “posição ao candidato à vice-Presidência de influenciar a discussão e a deliberação durante as campanhas presidenciais, de uma forma que pouquíssimas pessoas podem”.

Antiga procuradora-geral da Califórnia e atual senadora do mesmo Estado no Congresso federal dos EUA, Kamala Harris, de 55 anos, concorreu à nomeação do partido Democrata como candidata a Presidente entre janeiro e dezembro de 2019.

Joel Goldstein disse que uma das coisas que atraiu atenções para Kamala Harris foi a “forma vigorosa e eficaz como questionou certos representantes ou nomeados da administração Trump”.

Citando a opinião pública e os ‘media’, Joel Goldstein acrescentou que Harris é “considerada uma debatedora eficaz” e que o seu desempenho em debates primários do partido Democrata foi positivo.

Mike Pence foi membro da Câmara dos Representantes, câmara baixa do Congresso dos EUA, entre 2001 e 2013 e governador do Estado de Indiana entre 2013 e 2017.

Pence “foi considerado por se ter saído muito bem durante o debate vice-presidencial de 2016 e, claro, antes de ir para o Congresso, teve uma longa história como comentarista político e, portanto, uma das suas capacidades é em termos de comunicação política”, disse Joel Goldstein.

Apesar de não ser um fator que influencia muito a escolha dos eleitores, os nomes para vice-Presidente podem provocar o ‘desempate’ na opinião dos indecisos e, principalmente, influenciar a forma como o candidato a Presidente é reconhecido.

A Constituição norte-americana identifica duas funções básicas para o vice-Presidente: presidir ao Senado federal e ser o primeiro na linha de sucessão em caso de morte, destituição ou desistência do Presidente.

No entanto, há mais de 40 anos que a importância do vice-Presidente é maior, com uma função principal de “apoiar o Presidente a ter sucesso na governação eficaz dos Estados Unidos”, explicou Joel Goldstein.

Assim, o vice-Presidente tem de desempenhar um papel mais ativo em defesa e “eco” dos objetivos do Presidente, com viagens oficiais a outros países e reuniões com governadores e representantes estrangeiros.

 

EYL // EL

By Impala News / Lusa

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