Organização que defende vítimas de abuso diz ter sido alvo de ameaças em Timor-Leste

A organização que representa as alegadas vítimas de um ex-padre acusado de abuso de crianças em Timor-Leste disse hoje que um dos seus elementos foi alvo de ameaças de morte por parte do arguido, no Tribunal de Oecusse.

Organização que defende vítimas de abuso diz ter sido alvo de ameaças em Timor-Leste

Organização que defende vítimas de abuso diz ter sido alvo de ameaças em Timor-Leste

A organização que representa as alegadas vítimas de um ex-padre acusado de abuso de crianças em Timor-Leste disse hoje que um dos seus elementos foi alvo de ameaças de morte por parte do arguido, no Tribunal de Oecusse.

“Hoje, por volta das 11:15, dentro do Tribunal Distrital de Oecusse, o arguido acusado de 14 crimes de abuso sexual contra menor, um de pornografia infantil e violência doméstica, o ex-padre Sr. Richard Daschbasch ameaçou matar a sócia Bárbara Oliveira”, anunciou a JU,S Jurídico Social Consultoria, em comunicado.

“A ameaça foi feita dentro do edifício do Tribunal e um membro da Polícia Nacional foi testemunha direta da ameaça”, disse.

No comunicado, a associação explica que a ameaça foi proferida, em inglês, por Richard Daschbach quando Bárbara Oliveira, cidadã luso-brasileira, estava no exterior no átrio de espera do Tribunal de Oecusse.

“O Sr. Daschbasch deslocou-se da sala de espera de arguidos para ir à casa de banho. Ao regressar, o Sr. Daschabach cruzou a área aberta para se encontrar em pé muito próximo da Sra. Bárbara, a uma distância de aproximadamente 1,5/2m, enquanto esta ainda fazia o seu trabalho, o Sr. Daschbasch em voz alta e clara, em inglês, disse: “Bárbara, you know we are going to kill you” (Bárbara, sabe que vamos matar-te””, refere-se no comunicado.

Uma nova audiência do julgamento de Richard Daschbach, 84 anos, que está a ser julgado desde fevereiro — depois de vários atrasos — pelos crimes de abuso de menores, pornografia infantil e violência doméstica alegadamente cometidos durante anos no orfanato Topu Honis, em Oecusse, decorreu hoje.

Questionado sobre o caso, Miguel Faria, advogado de defesa, disse desconhecer o incidente, explicando que esteve durante o dia na sala de audiências.

“Não tenho qualquer conhecimento sobre essa situação. Eu estava no tribunal, estava na sala de audiência e não temos conhecimento dessa situação”, disse à Lusa.

Bárbara Oliveira apresentou já uma “queixa formal ao Comando da PNTL em Oecusse e a JU,S foi informada que a PNTL irá monitorizar mais ativamente a situação e reforçar os esforços de segurança”.

O objetivo do reforço de segurança, explica a organização, “é garantir que a JU,S Jurídico Social, através de seus membros, possa livre de quaisquer ameaças e intimidações continuar o trabalho de representação jurídica e apoio às mulheres jovens e crianças, bem como às suas famílias, de acordo com seus direitos consagrados na Lei de Violência Doméstica”.

A organização explicou que visto Bárbara Oliveira ser cidadã brasileira e portuguesa, as duas embaixadas “foram informadas sobre esta (e outras) ameaças”, que não foram detalhadas.

“Na qualidade de nacional de um país estrangeiro, as relações bilaterais e recíprocas exigem que as autoridades de Timor-Leste considerem com seriedade os crimes cometidos contra nacionais de outros países. As embaixadas informaram que irão monitorizar a situação e uma comunicação próxima junto à PNTL”, referiu.

Nos últimos dias, apoiantes do ex-padre difundiram várias publicações no Facebook, incluindo com ameaças, que identificaram a elemento da JU’S hoje alegadamente ameaçada.

Entre os alvos de ataque dos apoiantes do ex-padre estão organizações de apoio a vítimas de abuso, jornalistas e antigos apoiantes do Topu Honis, entre os quais alguns dos principais angariadores de fundos que, durante anos, permitiram que o orfanato operasse.

Os apoiantes e pelo menos uma publicação online divulgaram ainda detalhes do caso, fotos e vídeos das alegadas vítimas e noticias que contestam a ação dos investigadores do processo.

Apoiantes do alegado abusador têm nas últimas semanas tentado atacar o Ministério Público e várias organizações de proteção de mulheres e meninas pelo processo de investigação levado a cabo no processo, que está em segredo de justiça.

Em causa estão supostas perícias forenses realizadas no âmbito da investigação e que os apoiantes de Daschbach consideram que o Ministério Público obrigou as alegadas vítimas a fazer.

A tensão em torno ao caso aumentou nos últimos dias depois de Xanana Gusmão ter considerado a ação do Ministério Público como sendo marcada por “grande ilegalidade, irregularidade, imoralidade”.

O líder histórico, que tem apoiado o arguido em várias ocasiões, acusou o Ministério Público de violar o Código do Processo Penal, nomeadamente o artigo que considera “absolutamente proibidas as provas obtidas mediante tortura, coação ou, em geral, ofensa da integridade física ou moral das pessoas”.

No processo, alega Xanana Gusmão, o Ministério Público obrigou “sob coação” as crianças de Topu Honis a serem sujeitas a provas forenses.

 

ASP // VM

 

By Impala News / Lusa

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