ONG pede mais ações, dois meses após desaparecimento de jornalista no norte de Moçambique 

Dois meses após o desaparecimento do jornalista Ibraimo Mbaruco em Cabo Delgado, norte de Moçambique, a delegação do Instituto da Comunicação Social da África Austral (Misa) apela a um reforço de ações para o localizar. 

ONG pede mais ações, dois meses após desaparecimento de jornalista no norte de Moçambique 

ONG pede mais ações, dois meses após desaparecimento de jornalista no norte de Moçambique 

Dois meses após o desaparecimento do jornalista Ibraimo Mbaruco em Cabo Delgado, norte de Moçambique, a delegação do Instituto da Comunicação Social da África Austral (Misa) apela a um reforço de ações para o localizar. 

“É extremamente preocupante que até hoje não haja informação nenhuma. Continuamos à espera e reforçamos o nosso apelo para a sua localização”, frisou hoje Ernesto Nhanale, diretor executivo do Misa, organização de defesa da liberdade de imprensa, em declarações à Lusa.

Várias organizações internacionais, incluindo a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch e a União Europeia, manifestaram já o seu repúdio com o desaparecimento do jornalista e pediram às autoridades o esclarecimento do caso.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) disse à Lusa que continua a investigar o caso.

“Trabalhos estão sendo feitos para a sua localização e oportunamente o comando-geral PRM vai pronunciar-se”, referiu Augusto Guta, porta-voz da corporação na província de Cabo Delgado.

Ibraimo Mbaruco, jornalista da Rádio Comunitária de Palma, em Cabo Delgado, desapareceu no dia 07 de abril em circunstâncias por apurar, disseram à Lusa, na ocasião, familiares e uma fonte da rádio.

Segundo o Misa, pouco antes do seu desaparecimento, Ibraimo terá enviado uma curta mensagem (SMS) a um dos seus colegas de trabalho, informando que estava “cercado por militares” e o que se passou depois é uma incógnita.

As autoridades moçambicanas demarcaram-se da eventual detenção do jornalista, reiterando que o caso está sob investigação.

O Misa escreveu uma carta à Presidência da República de Moçambique, apelando ao chefe de Estado, Filipe Nyusi, para “acionar mecanismos” que pudessem restituir o jornalista à liberdade.

No dia 24 de abril, durante uma reunião com o Misa sobre o caso, a Presidência moçambicana sugeriu à organização que submetesse o caso à Procuradoria-Geral da República moçambicana, ação que já tinha sido encetada pela família da vítima em Cabo Delgado.

A 21 de maio, falando na Assembleia da República, a procuradora-geral de Moçambique, Beatriz Buchili, disse que o processo do desaparecimento do jornalista Ibrahimo Mbaruco em Cabo Delgado encontra-se em instrução preparatória.

Cabo Delgado, região onde avançam megaprojetos de extração de gás natural, vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista e que já mataram pelo menos 600 pessoas nos últimos dois anos e meio, provocando uma crise humanitária que afeta 211.000 pessoas.

Em 2019, dois jornalistas locais na região que cobriam o tema, Amade Abubacar e Germano Adriano, foram detidos e maltratados pelas autoridades durante quatro meses, sob acusação de violação de segredos de Estado e incitamento à desordem, num caso contestado pelas Nações Unidas e outras organizações.

EYAC // PJA

Lusa/Fim

By Impala News / Lusa

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