Milhões de africanos vão às urnas em 2019 com eleições em mais de 20 países

Milhões de africanos vão às urnas em 2019 com eleições em mais de 20 países

Milhões de africanos vão este ano às urnas, com a realização de eleições presidenciais, legislativas e regionais em pelo menos 21 dos 54 países de África, incluindo os lusófonos Guiné-Bissau e Moçambique.

De acordo com o calendário eleitoral para o continente africano do Instituto Eleitoral para a Democracia Sustentável em África (EISA, na sigla em inglês), em 2019 está prevista a realização de eleições em 21 países e uma região autónoma, no total dos 54 países independentes do continente.

O EISA é uma organização sem fins lucrativos, criada em 1994, com sede na África do Sul e escritórios em seis outros países, incluindo Moçambique, que promove a realização de eleições credíveis, a participação eleitoral e o fortalecimento das instituições políticas em África.

O ano de 2018 terminou com a realização de eleições gerais na República Democrática do Congo (RDC), adiadas desde 2016, estando ainda a ser escrutinados os boletins de voto.

Das eleições a realizar durante 2019, em pelo menos cinco países são escrutínios adiados desde 2017 e 2018, incluindo a Guiné-Bissau, cujas eleições legislativas foram adiadas de novembro de 2018 para março de 2019.

Durante o corrente ano deveriam realizar-se também eleições presidenciais, mas a alteração da data das legislativas poderá vir a influenciar o calendário eleitoral guineense.

A Guiné-Bissau vive uma crise política desde a demissão, por José Mário Vaz, do Governo liderado pelo primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, vencedor das legislativas de 2014), em agosto de 2015.

Em abril, foi alcançado consenso para a nomeação de Aristides Gomes como primeiro-ministro com o objetivo de organizar eleições legislativas a 18 de novembro, posteriormente adiadas devido a dificuldades financeiras e técnicas, que atrasaram o início do recenseamento eleitoral.

Nigéria e Senegal marcam o arranque do ano com eleições presidenciais a decorrer em fevereiro

A 16 de fevereiro, na Nigéria, o Presidente Muhammadu Buhari, 76 anos, vai disputar a reeleição e irá defrontar o seu antigo aliado Atiku Abubakar, 72 anos, que foi vice-presidente do país entre 1999 e 2007.

O escrutínio tem como pano de fundo promessas de luta contra a corrupção, de solução dos problemas económicos e do desemprego, bem como o surgimento de uma terceira força política protagonizada pelo ativista do movimento #BringBackOurGirls, Oby Ezekwesili.

No Senegal, a 24 de fevereiro, Macky Sall concorre a um segundo termo, focado no crescimento económico e na conclusão do seu ambicioso Plano para a Emergência do Senegal, que pretende transformar setores-chave como a agricultura, saúde, administração pública e educação até 2035.

Antigo geólogo, de 57 anos, Macky Sall foi eleito pela primeira vez em 2012 para um mandato de sete anos, mas em 2016 apoiou, em referendo, a proposta para reduzir os mandatos presidenciais para cinco anos.

Os dois principais opositores foram impedidos de concorrer devido a condenações por corrupção.

Além das presidenciais, o Senegal tem ainda marcadas eleições locais para dezembro.

Em abril, duas décadas depois da chegada ao poder, o Presidente Abdelaziz Bouteflika concorre a um quinto mandato consecutivo. Aos 81 anos, confinado a uma cadeira de rodas e com a saúde fragilizada, o chefe de Estado falou ao país pela última vez há seis anos.

Em 2015, chegou a especular-se que Bouteflika teria sido alvo de um golpe liderado pelo seu irmão, que estaria a exercer o cargo em seu nome.

A Frente de Libertação Nacional, partido no poder, apoia a recandidatura de Bouteflika, procurando, segundo analistas, beneficiar da popularidade do Presidente, que conseguiu fazer regressar a paz e estabilidade à Argélia.

Na África do Sul, as presidenciais de maio, que se seguem às legislativas e provinciais, serão uma oportunidade para legitimar, através do voto popular, o poder do Presidente Cyril Ramaphosa, que assumiu os destinos do país após a resignação de Jacob Zuma por suspeitas de corrupção.

Também em maio, o Malaui realiza eleições presidenciais, legislativas e locais num contexto em que se acumulam as denúncias de corrupção e em que o próprio Presidente Peter Mutharika, que lidera o Partido Democrático Progressista, no poder, teve que negar acusações que o envolvem num alegado suborno relativo a um contrato governamental.

Moçambique abre, a 15, o mês eleitoral de outubro com realização de eleições presidenciais, legislativas e provinciais, com as previsões a apontarem que a vitória venha a pender para a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), do Presidente Filipe Nyusi.

A Frelimo lidera os destinos de Moçambique desde a independência do país de Portugal.

O maior partido da oposição, a Renamo, realiza a 15 de janeiro o congresso para eleger um novo líder após a morte do seu fundador, Afonso Dhlakama, em maio passado.

O Botswana e a Namíbia realizam também eleições presidenciais e legislativas em outubro, enquanto a Tunísia elege nesse mês os deputados e conselheiros e o Presidente em dezembro.

África do Sul, Argélia, Botsuana, Camarões, Chade, Egito, Etiópia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Líbia, Madagáscar, Malaui, Mali, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Senegal, Tunísia e Somalilândia (região autónoma da Somália não reconhecida internacionalmente) realizam uma ou várias eleições em 2019.

CFF // JH

By Impala News / Lusa

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