Juíza contestada por manifestantes em São Tomé garante legalidade

Juíza contestada por manifestantes em São Tomé garante legalidade

Natacha Amado Vaz, cuja intervenção na comissão eleitoral de Água Grande motivou um protesto violento em São Tomé, negou estar a recontar votos e garantiu estar a agir na legalidade.

São Tomé, 08 out (Lusa) – A juíza são-tomense Natacha Amado Vaz, cuja intervenção na comissão eleitoral de Água Grande motivou hoje um protesto violento em São Tomé, negou estar a recontar votos das eleições de domingo e garantiu estar a agir na legalidade.

Centenas de apoiantes do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) e da coligação PCD-UDD-MDFM (oposição) concentraram-se hoje à tarde em frente à comissão eleitoral do distrito de Água Grande, na capital são-tomense, para contestar uma alegada recontagem dos votos, afirmando recear que os resultados eleitorais fossem alterados.

Responsáveis do MLSPT e da coligação, formada pelo Partido da Convergência Democrática, a União para a Democracia e Desenvolvimento e o Movimento Democrático Força da Mudança, contestaram a intervenção da juíza, afirmando que votos nulos estavam a ser convertidos em votos válidos na Ação Democrática Independente (ADI, partido no poder e que venceu as eleições legislativas com maioria relativa).

“Um representante de um partido esteve a acompanhar os trabalhos desde manhã. Não ficou satisfeito com o trabalho e resolveu criar esta confusão para nos pressionar e criar distúrbio. Tivemos de suspender os trabalhos por causa do tumulto lá fora”, comentou a juíza, em declarações transmitidas pela televisão são-tomense, TVS.

Natacha Vaz declarou que “é magistrada” e não tem “partido, nem cor política”. Os manifestantes afirmavam que a juíza é irmã da ministra da Justiça do Governo da ADI.

“O trabalho está a ser feito perante todos os partidos. É impossível eu conseguir fazer alguma batota ou alterar [os votos] perante tanta gente”, disse.

A magistrada garantiu que não estava a recontar votos, mas a fazer uma “verificação dos votos nulos, votos em branco e reclamações”.

“Dos nulos e em branco, os que foram validados são de todos os partidos, mas o ADI teve mais votos validados”, referiu.

“Os representantes dos partidos acham que estamos a fazer uma interpretação errada da lei e que só deveríamos verificar as reclamações, é mentira”, comentou Natacha Vaz.

Os protestos foram-se tornando mais violentos, com manifestantes a incendiarem o carro da magistrada e a cortarem a circulação na rua, obrigando a Polícia de Estado (conhecida como ‘ninjas’) a intervir, lançando tiros e granadas de fumo e provocando explosões.

JH // SR

By Impala News / Lusa


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