Itália investiga morte de idoso em lares

Investigadores apreenderam na quarta-feira vários documentos na sede da Região da Lombardia, no âmbito de uma investigação sobre a morte de idosos em Pio Albergo Trivulzio (PAT), um dos mais importantes centros de acolhimento para idosos da Europa, onde vivem cerca de mil pessoas.

Itália investiga morte de idoso em lares

A Justiça italiana lançou uma série de investigações sobre mortes por covid-19 em lares de idosos, sobretudo na Lombardia, que abriga um dos maiores centros geriátricos da Europa, informou hoje a comunicação social.

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Investigadores apreenderam na quarta-feira vários documentos

De acordo com a agência de notícias AGI, os investigadores apreenderam na quarta-feira vários documentos na sede da Região da Lombardia, no âmbito de uma investigação sobre a morte de idosos em Pio Albergo Trivulzio (PAT), um dos mais importantes centros de acolhimento para idosos da Europa, onde vivem cerca de mil pessoas.

Aberta pela procuradoria de Milão, capital da Lombardia, a investigação está a examinar “cerca de 180 mortes recentes para descobrir se todas foram provocadas pela infeção do coronavírus ou se houve negligência”, refere a AGI.

A investigação, que procura indícios de “homicídio por negligência e epidemia involuntária” também levou a buscas, feitas na segunda-feira, aos escritórios do PAT, onde foram apreendidos os registos médicos dos residentes.

Segundo o jornal La Repubblica, a instituição ocultou um número significativo de mortes por covid-19.

Estão a ser realizadas investigações em outros estabelecimentos da Lombardia, nas províncias de Cremona e Bréscia, bem como em outras regiões, como Piemonte, Marcas e Apúlia.

No sistema de saúde italiano, o Estado disponibiliza recursos arrecadados através dos impostos, mas são as regiões que são responsáveis pela organização e prestação dos cuidados.

«Faço a mim próprio as mesmas questões que vocês me fazem»

O vice-diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ranieri Guerra, considerou, numa declaração feita em Roma na quarta-feira, que as mortes causadas pela pandemia nas residências de assistência médica para idosos na Itália constituem “um massacre”.

“Faço a mim próprio as mesmas questões que vocês me fazem”, afirmou aos jornalistas em conferência de imprensa. “O massacre que testemunhámos deve ser uma oportunidade para repensar o serviço nacional de saúde” de uma população em envelhecimento.

Segundo uma pesquisa do Instituto Superior de Saúde publicada em 6 de abril, foram registadas pelo serviço italiano de saúde 3.859 mortes desde o dia 1 de fevereiro. Mais de 37% dessas mortes foram de residentes com sinais de infeção pela covid-19 ou manifestações semelhantes à gripe.

De acordo com o Instituto Superior de Saúde, uma análise aprofundada dos resultados mostrou que “na Lombardia e na Ligúria, cerca de um quarto dos estabelecimentos (23% e 25%, respetivamente) têm uma taxa de mortalidade igual ou superior a 10%”.

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