Homem em cadeira de rodas bloqueia autocarro em Lisboa depois de lhe ser negado acesso

«Não somos cidadãos de segunda. Não deixarei que me tratem como se fosse.»

Homem em cadeira de rodas bloqueia autocarro em Lisboa depois de lhe ser negado acesso

Homem em cadeira de rodas bloqueia autocarro em Lisboa depois de lhe ser negado acesso

«Não somos cidadãos de segunda. Não deixarei que me tratem como se fosse.»

Um homem dependente de cadeira de rodas esteve a bloquear a passagem de um autocarro, em Lisboa, depois de lhe ter sido negado o acesso durante a madrugada da passada quarta-feira.

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«O autocarro chegou às 02h40 e a rampa estava avariada»

O homem, Sérgio Alexandre Lopes, queixa-se de não terem sido disponibilizados acessos a pessoas com mobilidade reduzida. Segundo Sérgio, quando a carreira 208 da Carris chegou à estação deparou-se que a rampa estava avariada. A solução seria esperar pelo autocarro seguinte.

«O autocarro chegou às 02h40 e a rampa estava avariada. A temperatura era de cerca de nove graus e a primeira coisa que o motorista disse, pela janela, depois de ter tentado acionar umas seis vezes o dispositivo, foi: “vai ter que esperar pelo próximo», começou por escrever no Facebook.

Revoltado com a situação, Sérgio voltou a questionar o motorista. «Perguntei-lhe qual a alternativa que a Carris me daria e ele insistiu que eu teria que “esperar pelo próximo”. Os passageiros foram informados, por nós, do motivo do bloqueio, da descriminação que a Carris promove diariamente, do descaso com que são tratadas as pessoas com mobilidade reduzida. Um dos passageiros que mais apoiou a nossa decisão, chamou a PSP», continuou.

«Não somos cidadãos de segunda. Não deixarei que me tratem como se fosse»

Depois, Sérgio e a mulher que o acompanhava, colocaram-se em frente do autocarro e em conjunto com os restantes passageiros concordaram que se ele não poderia ir naquele autocarro, mais ninguém iria fazer a viagem. No entanto, houve alguns passageiros que discordaram. «Aqui parece tudo resolvido, mas acreditem que vem a pior parte. Já comigo dentro do autocarro, entram os restantes passageiros e nem todos estavam “do meu lado”. Tive que ouvir “só tinha era que esperar por um que viesse a funcionar”, “eu também tenho problemas e sofro com frio”», refere.

Quando o autocarro reservado chegou, a situação repetiu-se, estando a rampa também avariada. «Logo que o autocarro “reservado” chegou, o motorista do primeiro queria ir embora, os agentes tentaram dissuadir-nos, mas, mais uma vez, por falta de confiança na Carris, foi impedido de ir até que a rampa fosse testada. A rampa estava… avariada, caros amigos. O segundo motorista, visivelmente incomodado, garantiu que testara a rampa à frente do chefe e “estava boa (…) Entretanto, a rampa deste último conseguiu ser aberta manualmente e entrei», indicou o homem.

«Não somos cidadãos de segunda. Não deixarei que me tratem como se fosse. Não sou o primeiro a fazer este tipo de ação, mas não podemos deixar que situações como esta se repitam, a cada hora, sem fazermos nada. Agradeço ao grupo de passageiros que se juntou a mim. Agradeço aos agentes da PSP que, desde o início, disserem que não nos iam deter pela validade da nossa posição ali», sublinhou ainda.

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