Greve na Ryanair: «Tem de decidir modelo de negócio: vender raspadinhas ou companhia de aviação»

Greve na Ryanair: «Tem de decidir modelo de negócio: vender raspadinhas ou companhia de aviação»

A greve dos tripulantes portugueses da Ryanair está em marcha há três dias. São muitas as queixas e reivindicações sem resposta.

Os tripulantes portugueses da Ryanair estão em greve há dois dias, não consecutivos. Ao terceiro dia a adesão à paralisação ronda os 90%, de acordo com os números apurados pela Lusa junto do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

« A Ryanair tem de decidir qual é que é o seu modelo de negócio: se é vender raspadinhas ou se é uma companhia de aviação», critica Fernando Gândara, da direção do SNPVAC. O sindicalista sublinha que «os tripulantes não podem estar a colocar para segundo plano a sua função principal» que é «zelar pela segurança dos passageiros e da tripulação». Porém, acabam por continuar a vender «quando o sinal de cinto já está ligado para a aterragem» devido à «pressão sobre as vendas e os objetivos».

Sílvia Antunes, especialista em direito aéreo, também já foi comissária de bordo e garante: «Se os passageiros colam no tecto, eu também». Frase que utiliza para espelhar a necessidade de cumprir as regras de segurança nos voos.

«A Ryanair tem que cumprir as regras da AESA (Agência Europeia para a Segurança da Aviação), mas é incumpridora na generalidade», garante a advogada.

De facto, as chamadas de atenção do Sindicato, que colocam no papel as queixas de quem trabalha diariamente na companhia aérea irlandesa, não ficam pela segurança. E a especialista Sílvia Antunes, do escritório Pedro Aguiar Branco, assegura que «as reivindicações do sindicato são justas».

Fernando Gândara fala de sanções disciplinares e ameaças até em casos de comprovadas baixas médicas. Conta que apesar da apresentação de certificados médicos, muitos trabalhadores são «chamados na mesma a Dublin para reunião disciplinar e muitos deles são sancionados com repreensões por escrito, com ameaças de despedimentos».

«Quem trabalha na Ryanair não pode ficar doente», diz taxativamente.

Além disso, apesar de os trabalhadores da base portuguesa da empresa fazerem descontos para a Segurança Social em Portugal, a «lei da parentalidade aplicada é a da República da Irlanda». «Não faz sentido absolutamente nenhum», frisa.

Para calar os efeitos da greve dos portugueses, a Ryanair está «a enviar tripulações de outras bases da rede Ryanair para Portugal para pernoitarem cá e serem essas pessoas a cobrir os voos que deveriam ser cancelados por falta de pessoal por motivos de greve», adianta o sindicalista.

«Um claro ataque e desrespeito. Se dúvidas houvesse que a Ryanair estaria disposta a negociar e a cumprir a legislação portuguesa, esta atitude é demonstrativa do calibre desta empresa», sublinha. Sílvia Antunes diz que a companhia de aviação «pode, mas não o deve fazer». E acrescenta «a companhia aérea tem de pensar na greve e mão fingir que nada está a acontecer».

LEIA MAIS: Sindicato diz que adesão à greve dos tripulantes da Ryanair «é superior a 90%»

Cerca de 20 voos foram cancelados na quinta-feira, dia 29 de março, mas «haveriam muitos mais porque a adesão de greve foi muito maior que isso», garante Fernando. O último dia de greve está marcado para 4 de abril, quarta-feira.

 

Siga a Impala no Instagram

Impala Instagram


RELACIONADOS

Greve na Ryanair: «Tem de decidir modelo de negócio: vender raspadinhas ou companhia de aviação»

A greve dos tripulantes portugueses da Ryanair está em marcha há três dias. São muitas as queixas e reivindicações sem resposta.