EXCLUSIVO | Saiba como foram os últimos momentos de vida do segurança baleado no Barrio Latino

Nuno Cardoso, um segurança privado de 42 anos, morreu na passada sexta-feira com um tiro no rosto, enquanto trabalhava, na sequência de desacatos à porta da discoteca lisboeta Barrio Latino

EXCLUSIVO | Saiba como foram os últimos momentos de vida do segurança baleado no Barrio Latino

Nuno Cardoso, um segurança privado de 42 anos, morreu na passada sexta-feira com um tiro no rosto, enquanto trabalhava, na sequência de desacatos à porta da discoteca lisboeta Barrio Latino

Na passada sexta-feira, dia 8 de dezembro, Nuno Cardoso, um segurança privado de 42 anos, foi baleado mortalmente, nas imediações da discoteca lisboeta Barrio Latino, na sequência de desacatos entre clientes do estabelecimento, após um after-hours (uma festa que ocorreu entre as 6h e a 13h da tarde).

A Impala falou em exclusivo com um amigo próximo da vítima, que contou como tudo se passou no chocante início de tarde da passada sexta-feira.

De acordo com a fonte, os desacatos começaram entre clientes por volta da 13h, a cerca de 100 metros da porta da discoteca Barrio Latino. Para além de Nuno Cardoso estavam também a trabalhar mais dois seguranças privados.

«O Nuno vê aquilo e vai logo em direcção deles. Os outros seguranças até lhe disseram: ‘Epá, não vás! não vás! Mas, como eram desacatos com clientes do estabelecimento, ele acabou por se sentir na obrigação de ir.  O Nuno quis parar a confusão»

Quando os colegas viram Nuno a ir em direcção ao conflito, não pensaram duas vezes e também foram.

«Quando o Nuno vai, os outros seguranças também vão e tentam separar os clientes, até que um jovem aponta-lhes uma arma de fogo e diz: ‘ Isto não tem nada haver com vocês! Saiam da frente! Não é nada com vocês!’»

De acordo com a fonte, o rapaz de 17 anos que tinha a arma é um «estudante, sem antecedentes criminais, que vive com a mãe e tem uma filha com apenas 4 meses, no Bairro Padre Cruz, uma zona problemática de Lisboa, perto de telheiras». O rapaz era conhecido pelos seguranças, pois era um «cliente habitual do espaço».

Se o jovem tinha a arma desde a festa ou se a foi buscar depois de ter saído, continua a ser uma incógnita:

«Não se sabe ao certo. Ou levou a arma para o after ou então foi a um carro de um amigo buscar, visto que este não tem carro próprio. A arma até pode ter entrado na discoteca com uma rapariga, quem sabe?»

«O disparo é feito mesmo à queima roupa e apanha a zona da boca do Nuno. E ele já cai morto»

De seguida ao jovem ter apontado a arma, «um dos seguranças que estava com o Nuno começou a dizer ao rapaz para guardar a arma».

«Mas o Nuno, na tentativa de o desarmar, vai por detrás do jovem para o agarrar. O rapaz conforme sente alguém nas costas virou-se. Mas, conforme se vira, pressiona o gatilho. O disparo é feito mesmo à queima roupa e apanha a zona da boca do Nuno. E ele já cai morto.»

Tendo em conta o relato do tiro, a fonte considera que «o rapaz nunca teve a intenção de fazer aquilo». Após o disparo, o jovem começa a fugir e um homem, um cliente também habitual do espaço que presenciou o incidente, vai a correr na direcção do agressor».

«O rapaz atravessa a linha de comboio (perto da estação de Santos), o outro cliente, que apenas testemunhou toda a situação, ainda vai a correr atrás dele, perto da zona do Kremlin. Perante isto, o jovem ainda efectua mais um ou dois disparos. O homem (que o seguia) consegue esconder-se e felizmente, o rapaz não acertou em mais ninguém. No entanto, conseguiu fugir.

«Não se sabe o porquê em concreto»

Segundo as declarações prestadas à Impala, as razões que levaram aos desacatos iniciais ainda são desconhecidas, mas sabe-se que o jovem tem demonstrado estar arrependido.

«O tiro não foi intencional, ele não percebeu sequer que quem estava atrás dele era o Nuno. Se calhar, se o tirou tivesse sido um segundo antes ou um segundo depois, não lhe tinha acertado. Tinha passado ao lado da cabeça.»

«E quando morrerem todos é que se fecham casas em Lisboa?»

Contudo, a fonte revelou também que já tinham havido vários pedidos, por parte da PSP, para encerrarem o estabelecimento.

«A discoteca Barrio Latino é um estabelecimento muito problemático. Há cerca de dois meses foi realizada uma fiscalização ao local e foram apreendidas armas e droga. Mas, só quando há mortos é que se pensa em restringir os horários, apesar de ainda não ter sido tomada qualquer decisão oficial.»

A fonte próxima de Nuno ainda expressou indignação pelo facto de não serem tomadas medidas relativas a zonas onde existem episódios de violência recorrentemente, em Lisboa.

«É uma zona turística, o after acaba à 13h da tarde e existem pessoas a assaltarem turistas. Os estrangeiros são agredidos, há muita confusão ali. Ou tem de existir mais policiamento ou têm de acabar com este tipo de festas. A verdade é que parece que é preciso morrer alguém, para se fazer alguma coisa. Os seguranças andam muito nervosos, com o coração nas mãos. Após este episódio, houve certos seguranças que já ouviram: ‘vé lá se queres ir como o teu colega».

O velório de Nuno é na próxima terça-feira, dia 12 de dezembro, às 14h30, em Alcântara. O funeral realiza-se no dia seguinte, no Crematório dos Olivais, por volta das 16h.

Jovem que confessou o crime é hoje ouvido em tribunal

O jovem, de 17 anos, que se entregou no sábado nas instalações da Polícia Judiciária, em Lisboa, vai ser ouvido por um juiz no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, esta segunda-feira, dia 11 de dezembro.

No sábado, a Câmara Municipal de Lisboa anunciou que vai restringir o horário da discoteca Barrio Latino, depois de um pedido da PSP e de ter constatado que aquele estabelecimento “tem em curso várias contraordenações de autos de notícias elaborados após fiscalização da Polícia Municipal”.

Também no sábado, o ministro da Administração Interna assegurou que o Governo está a trabalhar com a Câmara de Lisboa e as forças de segurança, de forma “concertada”, no caso da discoteca Barrio Latino.

Em novembro, o Ministério da Administração Interna – MAI mandou encerrar a discoteca Urban Beach, situada próximo da Barrio Latino. A decisão surgiu na sequência de uma reunião com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Na ocasião, o autarca explicou que a câmara apenas tem poderes para limitar horários nos estabelecimentos da cidade e não tem competência para encerrá-los.

A decisão do ministro Eduardo Cabrita surgiu após a divulgação de um vídeo com seguranças do estabelecimento a agredir dois jovens. A ordem de encerramento teve também por base as 38 queixas contra a discoteca Urban Beach apresentadas à PSP desde o início do ano por alegadas “práticas violentas ou atos de natureza discriminatória ou racista”.

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