Wall Street fecha em baixa por eleições, resultados e crise nos ativos digitais

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em baixa, na que é considerada uma primeira reação negativa às eleições de meio do mandato presidencial nos EUA, realizadas na terça-feira.

Wall Street fecha em baixa por eleições, resultados e crise nos ativos digitais

Wall Street fecha em baixa por eleições, resultados e crise nos ativos digitais

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em baixa, na que é considerada uma primeira reação negativa às eleições de meio do mandato presidencial nos EUA, realizadas na terça-feira.

Os resultados definitivos indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average recuou 1,95%, o alargado S&P500 perdeu 2,08% e o tecnológico Nasdaq desvalorizou 2,48%.

A praça de Wall Street intensificou a tendência de venda à medida que ficou claro que as eleições não iam resultar na ‘maré vermelha’ (cor dos republicanos) que daria o controlo do Congresso aos republicanos, como estes e algumas sondagens previam.

Com o controlo republicano em princípio não conseguido, fica por saber se o nível de divisão do Congresso basta para conter as políticas da Casa Branca, do presidente democrata Joe Biden.

Nas eleições de terça-feira estiveram em votação os 435 lugares da Câmara dos Representantes, um terço dos do Senado e vários cargos estaduais e locais.

O mercado tem estado em alta graças à expectativa dominante entre os investidores de os republicanos irem controlar o Congresso, o que significaria um obstáculo aos planos fiscais e orçamentais promovidos pelos democratas.

Em todo o caso, a sessão também sofreu a influência da crise das moedas digitais, acentuada na terça-feira com o anúncio da compra da plataforma FTX pela Binance por alegados problemas de solvência. Mas ao fim do dia de hoje, a Binance fez saber que desistia da operação.

Das 30 integrantes do Dow Jones, a Walt Disney teve um destaque indesejado, ao recuar mais de 13%, depois de apresentar resultados anuais, com aumentos de receitas, lucros e assinantes abaixo do esperado.

Ao contrário, a Meta (‘holding’ da Facebook) valorizou 5,2%, depois de anunciar o despedimento de 11 mil trabalhadores, correspondentes a 13% do seu efetivo laboral.

Por cima da incerteza política, da preocupação com os ativos digitais e da desilusão com resultados, está agora o esperado relatório sobre o comportamento dos preços, esperado para quinta-feira.

A informação contida neste documento deve ter um grande efeito sobre as decisões da Reserva Federal (Fed) relativas à taxa de juro. Os receios dos investidores quanto a estas subidas têm sido a principal força este ano a fazer tremer Wall Street.

“Isto é como se fosse uma maratona e estamos apenas na parte inicial da corrida”, comparou Sameer Samana, principal estratega de mercado global do Wells Fargo Investment Institute.

A Fed já subiu a sua taxa de juro principal (‘overnight’) para o intervalo entre 3,75% e quatro por cento, quando em março estava próxima de zero. Há cada vez mais investidores a esperarem que suba para os cinco por cento em 2023.

Ao encarecer os créditos para pessoas e empresas, a Fed está a arrefecer intencionalmente a economia e o mercado laboral, para baixar a inflação do seu nível mais alto em quatro décadas. Mas ao fazê-lo ameaça criar uma recessão, se for demasiado longe, mas, entretanto, as taxas altas fazem cair as cotações das ações e o investimento em geral.

As moedas digitais têm estado na linha da rente dos perdedores com a nova conjuntura. A Bitcoin caiu hoje ainda mais, abaixo dos 15.900 dólares, depois de ter atingido um recorde de 69 mil dólares em 2021. E a queda de hoje foi superior a 14%. Por sua vez, a ethereum baixou 17%.

RN // RBF

By Impala News / Lusa

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