Wall Street conhece a pior sessão do ano com regresso da perspetiva de recessão

A bolsa nova-iorquina conheceu hoje a sua pior sessão do ano, entre o regresso do medo de uma recessão, afirmações de um dirigente da Reserva Federal, despedimentos nas tecnológicas e vendas do final de ano abaixo do esperado.

Wall Street conhece a pior sessão do ano com regresso da perspetiva de recessão

Wall Street conhece a pior sessão do ano com regresso da perspetiva de recessão

A bolsa nova-iorquina conheceu hoje a sua pior sessão do ano, entre o regresso do medo de uma recessão, afirmações de um dirigente da Reserva Federal, despedimentos nas tecnológicas e vendas do final de ano abaixo do esperado.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average recuou 1,81%, o alargado S&P500 perdeu 1,56% e o tecnológico Nasdaq cedeu 1,24%.

Pelo contrário, as más notícias do mercado acionista aproveitaram ao obrigacionista, tranquilizado pela acalmai na frente da inflação.

“A subida (das cotações) foi demasiada” e muito rápida, comentou Maris Ogg, de Tower Bridge Advisors. O Nasdaq interrompeu hoje uma série de sete sessões consecutivas de subida.

“Os investidores tinham-se posto a pensar que já não haveria recessão, mas os números de hoje mostram que nos dirigimo-nos para ela”, acrescentou.

A inversão de sentido por parte dos índices, que tinham aberto em alta, foi atribuída, nomeadamente pelos analistas da Schwab, ao facto de “os investidores terem estão a digerir um conjunto de indicadores e resultados de empresas mitigados”.

A produção industrial recuou mais do que previsto entre novembro e dezembro nos EUA (0,7%, que compara com uma contração esperada de 0,1%).

Outra má surpresa veio do recuo das vendas do comércio retalhista em dezembro (1,1%), também acima do esperado (uma baixa de um por cento). E se retirar o comércio automóvel da equação, a baixa ainda é maior (1,1% contra 0,5%).

O raio de sol veio do índice de preços na produção (PPI, na sigla em Inglês), ou preços grossistas, que recuou 0,5% em dezembro, bem acima do 0,1% esperados pelos economistas.

Esta foi a contração mais forte desde abril de 2020, no início da pandemia do novo coronavírus. Em termos anuais, o ritmo caiu para 6,2%, o valor mais moderado desde março de 2021.

Para Peter Essele, da Commonwealth Financial Network, a Fed conseguiu, graças ao seu endurecimento monetário, travar a subida dos salários, o consumo e os preços grossistas, o que significa que “subidas de taxas de juro no segundo semestre são de excluir neste momento. Isto significa que vai começar a festa das obrigações”.

Com efeito, os rendimentos das obrigações contraíram-se violentamente hoje. O rendimento proporcionado pela dívida federal dos EUA a 10 anos baixou para 3,36%, dos 3,54% que apresentava no fecho de terça-feira, o nível mais baixo desde há quatro meses.

Os rendimentos evoluem em sentido contrário ao do custo da obrigação, o que significa que as cotações das obrigações do Tesouro subiram.

Para Maris Ogg, “o mercado obrigacionista está a ganhar velocidade” desde há algumas semanas. “Os investidores não estão a ser realistas quando imaginam o que vai fazer a Fed”, disse, aludindo às projeções de baixa da taxa de juro de referência na segunda metade do ano.

“A menos que haja uma contração económica brutal, o que é improvável, não vejo como é pode baixar a taxa este ano”, insistiu.

Neste sentido, e hoje mesmo, a presidente do banco da Fed em Cleveland, Loretta Mester, declarou, em entrevista à AP, que, apesar de haver cada mais evidências de que a inflação elevada está a ceder, continuam a ser necessárias mais subida da taxa de juro de referência.

Detalhou mesmo que, na sua opinião, a principal taxa de juro da Fed deve subir “um pouco mais” acima do intervalo entre cinco por cento e 5,25%, que os responsáveis monetários têm projetado coletivamente para o final deste ano.

Entre as cotadas, e apesar da baixa dos rendimentos obrigacionistas, que lhes costumam ser favoráveis, os valores tecnológicos foram grandes perdedores.

Desde logo, a Microsoft (-1,89%), que sofreu com o anúncio, feito mesmo antes da abertura de Wall Street, de um plano de despedimentos, de dez mil, pessoas, o que representam cerca de cinco por cento do seu efetivo.

A empresa de Redmond, no Estado de Washington, justificou a decisão com a necessidade de se adaptar “às condições macroeconómicas e à mudança de prioridades dos clientes”.

Esta vaga de despedimentos vai-lhe custar 1,2 mil milhões de dólares, a afetar ao último trimestre de 2022.

RN // RBF

By Impala News / Lusa

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