Valorização do metical só é útil se tiver efeito na economia

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) disse hoje à Lusa que a acentuada valorização do metical em relação ao dólar norte-americano só será útil se tiver efeito na economia.

Valorização do metical só é útil se tiver efeito na economia

Valorização do metical só é útil se tiver efeito na economia

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) disse hoje à Lusa que a acentuada valorização do metical em relação ao dólar norte-americano só será útil se tiver efeito na economia.

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*** Paulo Machicane, da agência Lusa *** 

“O mais importante é ver o efeito [da valorização do metical] na economia”, referiu Agostinho Vuma, em entrevista à agência Lusa, lamentando o facto de a apreciação resultar de políticas e não da produção nacional.

O metical subiu desde fevereiro 18,6% face ao dólar, invertendo a tendência de desvalorização, fazendo da moeda moçambicana a mais valorizada nos primeiros meses deste ano a nível mundial.

Face a estes dados, o presidente da CTA, a maior associação patronal moçambicana, mostrou-se cético em relação às vantagens da flutuação positiva da moeda nacional, duvidando que possa surtir efeito na economia.

“Como estão as nossas taxas de juro hoje, que o metical apreciou? Como é que está a circulação de massa financeira na economia? Como é que está a promoção da carteira de crédito para o setor produtivo”, questionou Agostinho Vuma.

Aquele dirigente empresarial assinalou que os ganhos do metical em relação à divisa norte-americana não resultam da dinâmica da economia moçambicana, mas de fatores de política monetária interna e externa, principalmente a injeção de liquidez nas principais economias mundiais para o combate à pandemia de covid-19.

“Ficaria mais satisfeito se essa valorização do metical tivesse origem na produção, se produzíssemos muito e exportássemos muito, mas nós não estamos a produzir”, observou.

A valorização da moeda moçambicana surge apesar da revisão em baixa da previsão de crescimento económico para este ano por parte do Fundo Monetário Internacional, que desceu a estimativa de 2,1%, me outubro, para 1,6%, na semana passada e a valorização aparece na sequência das medidas tomadas pelo banco central.

Em 17 de março, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) em 13,25%, justificando a decisão com a “prevalência de elevados riscos e incertezas, não obstante a revisão em baixa das perspetivas de inflação no curto e médio prazo”.

Prevê-se “um menor agravamento de preços, a refletir, fundamentalmente, a tendência para apreciação do metical decorrente das medidas tomadas na última sessão do CPMO, num contexto de fraca atividade económica”, acrescentou o regulador, que em janeiro subiu a taxa MIMO em 300 pontos base, para os atuais 13,25%.

Segundo o Banco de Moçambique, a pressão cambial reduziu-se substancialmente, com a procura de divisas a ser “totalmente satisfeita”, como resultado “de uma maior fluidez que se observa no mercado cambial, contrariamente à tendência registada no princípio do ano”.

PMA (MBA) // VM

By Impala News / Lusa

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