Ucrânia: Rússia planeia recorrer a trocas e outras moedas para proteger comércio com Marrocos

A Rússia e o Marrocos podem minimizar o impacto das sanções ocidentais contra Moscovo em seu comércio recorrendo a trocas e também outras moedas, excetuando o euro e o dólar, explicou hoje o embaixador russo em Rabat.

Ucrânia: Rússia planeia recorrer a trocas e outras moedas para proteger comércio com Marrocos

Ucrânia: Rússia planeia recorrer a trocas e outras moedas para proteger comércio com Marrocos

A Rússia e o Marrocos podem minimizar o impacto das sanções ocidentais contra Moscovo em seu comércio recorrendo a trocas e também outras moedas, excetuando o euro e o dólar, explicou hoje o embaixador russo em Rabat.

“É possível discutir operações de trocas, assim como encontrar soluções para as nossas obrigações mútuas utilizando outras moedas, excetuando o dólar e o euro”, disse Valerian Shuvaev numa entrevista à agência de notícias Efe.

O responsável russo não descartou que o comércio entre os dois países sofra “dificuldades” nos pagamentos, como consequência da exclusão de vários bancos russos do sistema de transações financeiras Swift.

No entanto, o embaixador russo sublinhou que esta medida, estabelecida como uma resposta ocidental à intervenção militar da Rússia na Ucrânia, afetou “menos de dez dos 300 bancos que fazem parte do sistema bancário russo”.

Segundo o chefe da delegação diplomática russa em Rabat, as exportações marroquinas para a Rússia apresentam uma tendência positiva, já que em 2021 aumentaram 10,8% face a 2020, e o seu valor atingiu os 435 milhões de dólares.

Essas exportações são representadas principalmente por alimentos e matérias-primas agrícolas (46,7%), têxteis e calçados (33,8%), máquinas, equipamentos e veículos (15,3%), minerais (2%) e metais e derivados (1%).

Da mesma forma, o embaixador russo afirmou que as exportações russas para Marrocos registaram “crescimento recorde”, tendo no final de 2021 aumentado 58,5% face ao ano anterior, ultrapassando os 1,2 mil milhões de dólares, o que representa o melhor valor entre todos os países africanos.

Marrocos importa da Rússia principalmente produtos minerais (61,8%), bem como produtos da indústria química e borracha (27,2%), metais e os seus derivados (5,5%), produtos alimentares e matérias-primas agrícolas (3,4%), madeira, celulose e papel (1,2%) e máquinas, equipamentos e veículos (0,8%).

Sobre os investimentos russos em Marrocos, o diplomata russo acrescentou que os dois países estão em fase de desenvolvimento de vários projetos conjuntos, nomeadamente nos setores da indústria automóvel e da energia elétrica.

O novo quadro das relações bilaterais foi definido durante as visitas do Rei Mohamed VI de Marrocos a Moscovo em 2002 e 2016, durante as quais foram assinadas a Declaração sobre Parceria Estratégica e a Declaração sobre Parceria Estratégica Profunda entre os dois países.

Além disso, vários acordos bilaterais nas áreas de pesca marítima, investigação científica, técnica e espacial e tecnologias de telecomunicações foram assinados em outubro de 2017 durante a visita do então primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, a Rabat.

Marrocos não se juntou aos seus aliados ocidentais na condenação das “operações militares” russas na Ucrânia, mas reiterou em várias ocasiões o seu apelo ao diálogo para pôr fim ao conflito.

Em 02 de março, o país do Magrebe decidiu não participar na votação da resolução da Assembleia-Geral da ONU para condenar a intervenção militar russa, circunstância que, segundo a nação africana, “não pode ser sujeita a qualquer interpretação”.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.276 civis, incluindo 115 crianças, e feriu 1.981, entre os quais 160 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 4,1 milhões de refugiados em países vizinhos e cerca de 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

CSR // HB

By Impala News / Lusa

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