PSI vai ter seguramente menos de 18 empresas em março – analistas

Os analistas contactados pela Lusa acreditam que o PSI, nova designação do índice de referência da bolsa em Lisboa a partir de março, irá ser composto seguramente por menos de 18 empresas.

PSI vai ter seguramente menos de 18 empresas em março - analistas

PSI vai ter seguramente menos de 18 empresas em março – analistas

Os analistas contactados pela Lusa acreditam que o PSI, nova designação do índice de referência da bolsa em Lisboa a partir de março, irá ser composto seguramente por menos de 18 empresas.

A Euronext anunciou na quinta-feira que o índice de referência da bolsa de Lisboa deixa de ser PSI20 e passa a ser apenas PSI a partir de março de 2022 e que “a metodologia do índice também será ajustada para melhorar a liquidez e a eficiência do índice e para melhor responder às necessidades dos utilizadores”.

O novo PSI deixará de ter obrigatoriamente pelo menos 18 empresas cotadas e o limite inferior do ‘free float’ da capitalização bolsista das empresas constituintes (valor das ações de uma empresa que estão efetivamente em circulação) passará a ser de 100 milhões de euros.

Para o analista da XTB, Henrique Tomé, “percebe-se esta mudança”, pois “há mais de sete anos que o PSI20 não conta com 20 empresas cotadas no índice e muitas das cotadas no índice apresentam desempenhos francamente modestos”.

O Chief Investment Officer (CIO) do Banco Carregosa, Mário Carvalho Fernandes, afirma que “será expectável que o número de empresas passe a ser inferior às atuais 18 e se possa reduzir em três a cinco empresas, mas sublinha que este conjunto que se encontra em risco de sair do índice em março representa apenas cerca de 0,5% a 1% da capitalização bolsista em ‘free float’ do atual PSI20.

Numa análise hoje divulgada, a consultora de comunicação BA&N considera também que o novo PSI deverá ter apenas 15 empresas porque “os requisitos apresentados pela Euronext reduzirão ainda mais a expressão que o novo PSI fará das empresas nacionais, ao reduzir o número de empresas que poderão aceder ao mesmo, fruto da obrigatoriedade de apresentarem um ‘free float’ de capitalização de 100 milhões de euros”.

Contudo, Mário Carvalho Fernandes sustenta que “o objetivo de um índice como o PSI20 é ser representativo das principais ações cotadas em bolsa, e com estas alteração o índice PSI será mais representativo da evolução dos títulos que são mais relevantes na bolsa nacional, reduzindo algumas dificuldades técnicas que resultavam da inclusão de títulos com menor expressão e que continuarão a constar do índice geral composto por todas as empresas cotadas no mercado contínuo”.

Henrique Tomé sublinha que “o PSI-20 ao longo dos últimos anos, não apresenta qualquer tipo de perspetiva de crescimento e que desde a sua criação, o índice encontra-se estagnado”.

As novas regras da Euronext poderão limitar a listagem de novas empresas no PSI no curto prazo, no entanto, estas medidas poderão ter efeitos positivos no próprio índice, diz o analista da XTB.

“Esta falta de dinamismo no mercado deve-se às empresas cotadas em bolsa que, algumas apesar de empresas pequenas, apresentam também resultados modestos que não contribuem para o crescimento do índice português, acabando por afastar qualquer tipo de interesse por parte de investidores internacionais”, sublinha Henrique Tomé.

Por outro lado, a consultora de comunicação BA&N afirma que “a redução do número de empresas no principal cabaz da Bolsa de Lisboa estreitará ainda mais os setores do mesmo”, já que das 14 empresas que cumprem o requisito do limite inferior do ‘free float’ da capitalização bolsista de 100 milhões de euros, quatro são do setor da energia, duas têm uma forte exposição ao retalho e quatro são do setor da floresta, pasta e papel. Além destas, haverá uma de telecomunicações, uma de correios, um banco e uma construtora.

“As empresas nacionais não têm sentido atração ou benefícios suficientes para optarem pelo seu financiamento através do mercado de capitais, que apresenta uma lenta agonia, com a perda sucessiva de títulos cotados”, refere a BA&N, adiantando que “as exigências regulatórias, as alternativas de financiamento e as implicações no governance têm sido apontadas como entraves para o recurso de empresários e empreendedores portugueses a esta forma de financiamento que tanto sucesso tem tido na generalidade dos mercados desenvolvidos e que tem ajudado empresas a crescerem a desenvolverem-se de forma mais acelerada”.

Segundo a Euronext, que gere vários mercados bolsistas europeus, como Paris, Amesterdão, Bruxelas, Dublin, Lisboa, Oslo e Milão, o novo PSi surge depois de “um amplo processo de consulta pública”, incluindo utilizadores portugueses e internacionais do índice.

MC // MSF

By Impala News / Lusa

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