Preço do ouro em cerca de 1.800 dólares, 13% abaixo do máximo de agosto de 2020

O preço do ouro, que hoje está em cerca de 1.800 dólares por onça, está 13% abaixo do máximo de sempre registado há um ano.

Preço do ouro em cerca de 1.800 dólares, 13% abaixo do máximo de agosto de 2020

Preço do ouro em cerca de 1.800 dólares, 13% abaixo do máximo de agosto de 2020

O preço do ouro, que hoje está em cerca de 1.800 dólares por onça, está 13% abaixo do máximo de sempre registado há um ano.

Madrid, 06 ago 2021 (Lusa) – O preço do ouro, que hoje está em cerca de 1.800 dólares por onça, está 13% abaixo do máximo de sempre registado há um ano, referem analistas citados pela Efe.

Segundo os analistas, esta descida do preço deve-se à queda do consumo na China e às perspetivas de subida das taxas de juro.

O metal dourado atingiu um valor recorde de 2.075 dólares por onça em 07 de agosto de 2020, impulsionado pelas dúvidas dos investidores sobre a recuperação económica, os baixos rendimentos das obrigações na altura e a fraqueza do dólar americano, outro ativo de refúgio em tempos de incerteza.

Javier Santacruz, professor no Instituto de Estudios Bursátiles (IEB), acredita que a possibilidade de os bancos centrais começarem a reduzir as compras de dívida e a considerar a subida das taxas de juro tornou o ouro menos atrativo este ano.

“Nestas situações de inflação tolerável e aumento das taxas de juro é quando aparecem outras empresas (tais como os rendimentos fixos e os títulos indexados à inflação) que são mais atrativas para os investidores do que o ouro”, adianta.

Marta Raga, analista do Banco Singular, concorda com este ponto de vista, pois acredita que a volatilidade do ouro nos últimos meses se deve “às possíveis mudanças que os bancos centrais podem fazer no sentido de políticas monetárias que são um pouco menos expansivas”.

Para Ramón Morell, professor de comércio financeiro na Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED), outra razão para a queda do preço do ouro é a redução do consumo deste metal precioso na China.

“Na China houve uma notável redução no consumo de ouro, um corte superior a 18%, menos cerca de 520 toneladas do que a consumida no ano passado”, indica.

Santacruz também expressou a sua opinião sobre a China, considerando que a menor acumulação de ouro por parte do banco central do país asiático pode ter influenciado o preço deste ativo.

“Nos últimos dez anos, o banco central chinês tem vindo a acumular grandes quantidades de ouro, mas nos últimos meses abrandou as suas compras, o que pode ter influenciado a queda do preço nos últimos meses”, sublinha.

De acordo com o professor do IEB, a grande acumulação de ouro em agosto de 2020, que elevou o preço para níveis recorde, deveu-se ao receio dos investidores de um processo de estagflação (uma situação em que a economia de um país não cresce mas os preços sobem).

“Em agosto de 2020 houve uma procura maciça do valor de um porto seguro. Foi por isso que o ouro subiu tanto. Mais tarde, os investidores aperceberam-se de que a inflação era tolerável”, explica.

Depois do pico de agosto de 2020, a onça de ouro caiu para 1.676 dólares em março deste ano, tendo posteriormente, recuperado para 1.908 em junho deste ano.

Desde então, uma onça de ouro tem estado muito perto dos 1.800 dólares, 13% abaixo do que em agosto de 2020.

Em termos de previsões de preços, Morell acredita que o ouro regressará a médio prazo a 2.000 dólares por onça, uma vez que o setor da joalharia prevê uma procura crescente em 2021.

“A joalharia não é o único elemento que influencia o ouro, mas é um dos mais importantes, e é também um setor internacional”, explica Morell.

Na mesma linha, a perita do Banco Singular acredita que o ouro continuará a ser um ativo importante e uma boa alternativa de investimento, uma vez que reduz a volatilidade das carteiras.

MC // CSJ

By Impala News / Lusa

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