Portugal melhora literacia financeira mas com cálculo de juros compostos abaixo da média

Portugal melhorou em literacia financeira, subindo três lugares desde 2015, para 7.º lugar entre 26 países, no inquérito realizado pela OCDE/INFE, antes da pandemia, mas só 31% dos portugueses inquiridos conseguiram calcular juros compostos, abaixo da média.

Portugal melhora literacia financeira mas com cálculo de juros compostos abaixo da média

Portugal melhora literacia financeira mas com cálculo de juros compostos abaixo da média

Portugal melhorou em literacia financeira, subindo três lugares desde 2015, para 7.º lugar entre 26 países, no inquérito realizado pela OCDE/INFE, antes da pandemia, mas só 31% dos portugueses inquiridos conseguiram calcular juros compostos, abaixo da média.

“Menos de metade (42,5%) dos inquiridos [portugueses] calcula corretamente juros simples, proporção que desce para 31% nos juros compostos”, conclui a mais recente comparação internacional dos níveis de literacia financeira, feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), através da International Network on Financial Education (INFE).

Em temas relacionados com comportamentos financeiros, Portugal alcançou 5,9 pontos (em nove pontos possíveis), acima da média dos países participantes (5,3), e acerca de um problema pontual de rendimento insuficiente, a generalidade dos entrevistados não pediu dinheiro emprestado (90,1%), percentagem significativamente acima da média dos países participantes.

Os resultados foram também acima da média nas afirmações “Pago as minhas contas a tempo” (89,1% concorda com esta afirmação), “Antes de comprar qualquer coisa pondero com cuidado se posso suportar esse custo” (84,1% concorda com esta afirmação) e “Controlo pessoal e sistematicamente as minhas finanças pessoais” (79,4% concorda com esta afirmação).

Abaixo da média, com 45,1%, os inquiridos portugueses reconhecem a relação entre risco de investimento e diversificação da carteira de ações, segundo este estudo que contou com uma amostra de 1.500 inquiridos, que responderam a cinco questões sobre numeracia financeira, cálculos numéricos simples em contexto financeiro, e três questões sobre os conceitos de inflação, relação entre retorno e risco de investimento e a relação entre risco e diversificação da carteira.

Nestas oito questões, realizadas ainda antes da pandemia, entre o final de 2019 e o início de 2020, os inquiridos responderam corretamente, em média, a 4,8 perguntas, um valor inferior ao do anterior estudo da OCDE/INFE, em 2015 (5,7), embora tenha aumentado a proporção de entrevistados que respondeu acertadamente a todas as perguntas (9,5% em 2020 e 8,9% em 2015).

Nas questões sobre numeracia financeira, a generalidade (87,4%) respondeu corretamente ao valor de juros a pagar num empréstimo de 25 euros por um dia e a maioria (74,2%) fez corretamente a divisão de 1.000 euros por cinco irmãos.

Mais de metade reconheceu a perda de poder de compra decorrente de uma taxa de inflação de 2%, todavia, menos de metade soube calcular corretamente juros simples ou juros compostos.

O inquérito, cujos resultados nacionais foram hoje apresentados num webinar, com a participação de representantes dos reguladores nacionais – Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões -, enquadra-se no exercício de comparação internacional dos níveis de literacia financeira que, nesta terceira edição, contou com a participação de 12 países da OCDE, de um total de 26 países.

O facto de menos de metade (42,5%) dos inquiridos portugueses calcular corretamente juros simples exige, segundo afirmou no encontro a diretora do Departamento de Supervisão Comportamental do Banco de Portugal, Maria Lúcia Leitão, é “o menor” indicador da comparação internacional do país, defendendo a necessidade de “trabalhar esta área” e de “criar esta apetência na população”.

O indicador global de literacia financeira, que permitiu ocupar o 7.º lugar, decorreu do desempenho positivo de Portugal nos indicadores de atitudes financeiras e de comportamentos financeiros, ocupando o 5.º lugar em ambos os indicadores, destacando-se também resultados acima da média na resolução de um problema pontual de rendimento insuficiente sem recurso ao crédito e nas questões relacionadas com a ponderação das despesas, o controlo sistemático das finanças pessoais e o pagamento atempado das compras.

Na resiliência financeira, que mede a capacidade de os entrevistados fazerem face a choques financeiros, Portugal esteve também acima da média dos países participantes na generalidade das questões, destacando-se que um quinto dos entrevistados portugueses afirmou conseguir suportar as suas despesas por mais de seis meses caso perdesse a sua principal fonte de rendimento.

Resultados menos favoráveis foram, no entanto, registados no indicador de conhecimentos financeiros, ocupando o país um 17.º lugar com valores abaixo da média dos países participantes na maioria das questões incluídas neste indicador, e no indicador de bem-estar financeiro, surgindo abaixo da média dos países participantes, na 16.ª posição.

Dos dados nacionais, concluem-se ainda resultados abaixo da média na realização de poupança, mas mesmo poupando menos, o investimento das poupanças tem aumentado, nomeadamente em fundos de investimento ou ações, como explicou no encontro fonte da CMVM, baseando-se também em estudos mais recentes e já em tempos de pandemia covid-19.

 

 

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